Desigualdade em 1º lugar: americanos não conseguem pagar conta de água

Alta nas tarifas de 80% em uma década deixa regiões pobres de cidades sem saneamento.

Quatro em cada dez moradores de 12 cidades nos Estados Unidos vivem em bairros onde as famílias não conseguem pagar a conta da água que consomem. É o que mostra excepcional matéria do jornal britânico The Guardian (“Revealed: millions of Americans can’t afford water as bills rise 80% in a decade”), que analisou a situação nessas 12 cidades dos EUA.

O preço combinado da água e do esgoto aumentou em média 80% entre 2010 e 2018. Contribuíram para este aumento a redução da disponibilidade, aumento de exigências ambientais e outros fatores. Mas o principal foi a redução do financiamento federal para sistemas de água, que caiu 77% em termos reais desde seu pico em 1977.

Sem verbas, a infraestrutura se deteriorou, elevando as perdas do sistema. Os serviços públicos de água atendem a cerca de 87% dos cidadãos norte-americanos.

Diante do quadro, alguém poderia sacar a saída fácil da privatização. Seria ignorar o fracasso que foi a entrega do saneamento para empresas privadas ao redor do mundo. Com a busca por lucro, não seria surpresa se os preços aumentassem ainda mais, e locais mais pobres fossem abandonados. Com o agravante que, nos EUA, as pessoas podem perder suas casas se não pagarem a conta de água.

Há soluções mais engenhosas, como na Filadélfia, que partiu de uma premissa simples: a maneira mais eficaz de garantir os pagamentos e maximizar a receita é tornar as contas acessíveis, com base na capacidade de pagamento de uma pessoa, como o setor de energia faz há anos. É um começo.

 

Abraço

Servidores, sindicatos e ambientalistas convocam a população para realizar um abraço simbólico ao prédio da Cedae na avenida Presidente Vargas, nesta quarta-feira, a partir das 10h. A ação faz parte de um movimento contra a privatização da companhia de saneamento do Estado do Rio de Janeiro.

Presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, o deputado estadual Gustavo Schmidt apoia o movimento. Ele lembra que a Cedae é lucrativa e tem condições de se manter pública e aumentar sua capacidade de fornecer serviços de qualidade para todo o estado. A concessão para a iniciativa privada, de acordo com o parlamentar, impediria investimentos na ampliação da distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto em regiões sem potencial de retorno financeiro.

O deputado teme a demissão de funcionários concursados experientes e lembra os recentes problemas de contaminação na água captada pela estação do Guandu.

Coordenam o movimento (sigamosjuntospelacedae.com.br) sindicatos, a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a ONG Baía Viva.

 

Na conta

Em plena pandemia, a Hypera (maior empresa farmacêutica brasileira) informa aos seus acionistas que aprovou o pagamento de R$ 185.495.903,43 de juros sobre capital próprio.

 

Rápidas

A Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) fará webinar com o economista Pérsio Arida sobre “Desafios da Economia em Época de Pandemia”, nesta sexta-feira, às 17h *** A Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) realizará quinta-feira, às 16h, o webinar “Investimentos em equipamentos no mercado em transformação” *** A Aasp fará nesta quarta-feira, às 17h, o webinar “Voto de qualidade no Carf”, com conselheiros e ex-conselheiros do órgão. Inscrições aqui *** “Liderança Empreendedora Feminina” é o tema da quarta edição do Fórum Online promovido pelo Grupo de Empresários G10, que acontece na próxima sexta-feira, com a participação do presidente do Sistema Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, que homenageará Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza. Estarão reunidas líderes como Chieko Aiko, presidente e fundadora da Rede Blue Tree Hotels e Adriana Santos, campeã mundial e medalhista panamericana e olímpica de basquete. Informações aqui.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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