CELULOSE E PAPEL

VPC bate recorde de vendas mas não atinge meta
Empresa espera no primeiro trimestre desempenho similar ao obtido em 2006
A Votorantim Celulose e Papel registrou recorde de vendas no quarto trimestre do ano passado, ao comercializar 456 mil toneladas, das quais 204 mil de papel e 261 mil de celulose. Entretanto, mesmo com o aumento de 16% no volume de vendas, em comparação ao mesmo trimestre de 2005, o diretor de finanças e de relações com investidores da VCP, Valdir Roque, revelou que as metas para 2006 não foram cumpridas.
Na estimativa de resultados da VCP, divulgada em 20 de dezembro, a meta era atingir vendas de 210 mil toneladas de papel, apenas no quarto trimestre, o que significa 6 mil toneladas a mais do que o de fato foi vendido no período. Para o ano de 2006, a previsão era comercializar 675 mil toneladas, valor que também não foi atingido, ficando em 670 mil toneladas. O papel representou, no quarto trimestre, 62% da receita da companhia.
Mesmo com os números de venda aquém do esperado, no quarto trimestre do ano passado, a empresa lucrou R$ 173 milhões, valor 116% superior aos R$ 80 milhões registrado no quatro trimestre do ano anterior.
Ocorre que, enquanto as vendas locais aumentaram 15%, em volume, frente o quarto trimestre de 2005, o preço médio caiu 7%, devido à maior competição local e às alterações de produtos da empresa, que contou com maior participação de papéis não revestidos.
O diretor explica que as metas foram prejudicas pelo cenário de forte competitividade no mercado interno que, segundo ele, aumentou na segunda quinzena de dezembro. “Como a rentabilidade vem do mercado doméstico, todo mundo quer colocar seus produtos nesse segmento. Com isso, os preços acabaram se colidindo”, explica.
Assim, como apontou Roque, uma das saídas foi exportar parte da produção, com o objetivo de equilibrar a queda das margens, diluindo a perda nos preços. A exportação cresceu 26% em relação ao quarto trimestre de 2005 e 89% sobre o terceiro trimestre de 2006. Além do reposicionamento, um dos fatores da alta foi o aumento da produção em Americana (SP). Outra medida, foi manter um estoque de 25 mil toneladas, remanescente de dezembro, para ser vendido em janeiro, esperando a recuperação da margem.
Segundo o diretor, a companhia “aprendeu a lição” e adotará estratégias comerciais para evitar futuras perdas de preços. A VPC acredita, entretanto, que este ano os preços do papel vão recuperar, prometendo um desempenho em linha com o registrado no ano passado. “Acreditamos que no primeiro trimestre de 2007 nosso desempenho será similar ao do de 2006”, anunciou Roque.

Celulose

O diretor lembra que a configuração futura da empresa estará concentrada no segmento de celulose. “Com a operação de troca de ativos com a International Paper (IP), vamos ficar com 80% de celulose e 20% de papel. Desses 20%, provavelmente 5% deve seguir para o mercado interno”, adiantou.
No segmento de celulose, as vendas de 261 mil toneladas no quarto trimestre, também ficaram abaixo da projeção de 270 mil. Para todo o ano, a meta era de 950 mil, mas a quantia verificada foi de 942 mil. No quarto trimestre, a celulose representou 38% do total das receitas com vendas.
No primeiro semestre de 2007, nossa previsão é de estabilidade e equilíbrio nos preços internacionais, comentou o diretor de negócios de papel e celulose, Sérgio Almeida. “O mercado está com condições favoráveis, diante da expectativa de menor disponibilidade de celulose no hemisfério norte. Isso dificulta o corte de madeira, o que deve compensar a entrada dos produtores chilenos (no mercado internacional) nesse momento”, completou o Almeida.
No 4º trimestre de 2006, a participação do papel na receita total foi de 62% e 38% para celulose. A fatia da celulose por volume de vendas no 4º trimestre de 2006 foi de 56% do total e 44% para papel.

Investimentos

No quarto trimestre de 2006, a companhia investiu R$ 108 milhões, dos quais R$ 61 milhões na área florestal e outros R$ 15 milhões na modernização e expansão da área industrial, em especial na linha de celulose de Jacareí.
Em dezembro passado, ao aprovar financiamentos para o setor, incluindo R$ 23,4 milhões para a própria Votorantim, o BNDES fez previsões de que a indústria de celulose crescerá, em média 17% ao ano, entre 2007 e 2010.
O montante aprovado para a Votorantim financiará a implantação de viveiro de mudas de eucalipto no município de Capão do Leão (RS). No total, o projeto custará R$ 41,9 milhões, sendo R$ 18,4 milhões arcados pela própria companhia.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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