CEO da Brastemp: país 'não é uma Brastemp', deve diminuir desigualdade

Avaliação é de João Carlos Brega, presidente da Whirlpool, dona da marca de eletrodomésticos.

Conjuntura / 12:37 - 13 de jul de 2020

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"O Brasil precisa crescer, ampliar o conceito de cidadania e diminuir sua acentuada desigualdade social para ter um padrão de excelência. Por enquanto, o país 'não é uma Brastemp'." A avaliação é do presidente da Whirlpool América Latina, João Carlos Brega, entrevistado ontem no do Poder em Foco, do SBT. A empresa que ele representa é dona da Brastemp, Consul, KitchenAid entre outras.

A expressão usada ficou famosa na propaganda de eletrodomésticos da marca na década de 1990 e servia para dizer que algo não era muito bom. Perguntado no que o bordão se aplicava no Brasil, Brega disse que a crise sanitária provocada pela Covid expõe que é preciso trabalhar para os cidadãos terem condições de vida melhor e equilibrada.

"Quando a gente vê que ao adoecer não existe uma UTI, não existe um atendimento médico em cidades não tão distantes e depois vê que precisa fazer isolamento social mas há famílias vivendo num quarto e as pessoas pedindo isolamento social, essa é uma realidade que a gente tem que trabalhar. Então, eu diria que a gente precisa ainda crescer para se tornar uma Brastemp", afirmou.

Mas, o executivo considera que governo e Congresso estão trabalhando para melhorar a situação. Ele destacou a aprovação do novo marco regulatório do saneamento básico.

"Isso vai fazer com que venha mais investimento e que a gente ajude a tirar esse atraso dessa desigualdade social", apostou.

O CEO da Whirlpool também destacou que as medidas econômicas implantadas para assistir à população mais carente e preservar empregos, permitiram ao Brasil ficar em condições melhor que outros países da América Latina.

"A flexibilização da legislação trabalhista e o coronavoucher no Brasil fizeram uma diferença muito grande. Eu falo isso porque não aconteceu no México, onde a economia e o mercado estão tendo uma retração maior do que no Brasil" constatou.

Na entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, o presidente da Whirlpool América Latina defendeu, ainda, a necessidade de desonerar a folha de pagamento de todos os setores e acabar com privilégios para nichos de mercado. Falou das mudanças nos hábitos de consumo do brasileiro, do desenvolvimento de novos produtos e do aumento das vendas virtuais no país.

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