Cerca de 60 internações por dia poderiam ser evitadas em um ano

Planos de saúde registraram aumento de 23,5% em procedimentos realizados em comparação com 2020.

O número de hospitalizações de beneficiários de planos de saúde foi de 5,2 milhões no país, em 2019, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicados na plataforma Troca de Informação da Saúde Suplementar (Tiss). Do volume total, 21,4 mil estão relacionadas a internações potencialmente evitáveis – número correspondente a quase 60 internações por dia – que poderiam não ter acontecido em caso de medidas efetivas de prevenção, bem como mudanças nos estilos e hábitos de vida. As informações são do Texto de Discussão nº 87, desenvolvido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess).

De acordo com a análise, 83% das internações evitáveis foram de ordem clínica e as demais cirúrgicas com maior prevalência em mulheres (57%) e pessoas com 60 anos ou mais (68%). Os procedimentos, que geraram despesas assistenciais da ordem de R$ 433 milhões, ocorreram com mais frequência em caráter de urgência ou emergência (71%) com o paciente sendo beneficiário de operadora de grande porte (63%) e da modalidade cooperativa médica (48%).

Para o superintendente-executivo do Iess, José Cechin, as estratégias preventivas são de extrema importância para evitar que pessoas tenham suas doenças agravadas e precisem ser internadas.

“Os programas de promoção da saúde e prevenção a doenças e os estímulos a hábitos de vida saudáveis são fundamentais para a melhora da qualidade de vida dos beneficiários e têm influência direta na taxa de internação. Seguir hábitos saudáveis tem o poder de reduzir as internações e aumentar a qualidade de vida das pessoas”, afirma.

Das 21,4 mil internações evitáveis identificadas, 6,6 mil ocorreram no Estado de São Paulo, seguido por Rio de janeiro e Minas Gerais, ambos com registros de 2,8 mil. A maior taxa a cada 100 mil habitantes, no entanto, foi observada em Santa Catarina (126), seguida por Rondônia (111).

O setor de planos realizou 1,6 bilhão serviços de saúde, como consultas, exames, terapias, cirurgias, nos segmentos médico-hospitalar e odontológico em 2021: 23,5% a mais que em 2020. Esse e outros dados sobre o atendimento prestado pelas operadoras de planos de saúde no país estão disponíveis no painel dinâmico Mapa Assistencial da ANS. Os dados evidenciam o impacto que a pandemia teve na realização de procedimentos e eventos em saúde pelos usuários de planos de saúde. Em 2020, houve queda acentuada na utilização dos serviços de saúde realizados via planos de saúde, em todos os grupos de procedimentos, em razão das medidas restritivas necessárias para o enfrentamento da Covid-19 e das incertezas que envolviam a progressão da doença.

Em 2021, foram 1.653.127.220 eventos em saúde (2,3% acima do total realizado em 2019), entre consultas com todas as especialidades médicas, exames, desde os mais simples aos de alta complexidade, terapias, cirurgias e atendimentos odontológicos. Isso porque o Rol de Procedimentos da ANS, instituído pela Lei 9.656/1998, prevê cobertura para atendimento a todas as doenças existentes na CID.

Em relação às consultas médicas, os dados do Mapa Assistencial 2021 apontam uma média de 4,9 consultas por beneficiário no ano de 2021, ainda abaixo do observado em 2019 (5,9 consultas/beneficiário). O total de consultas médicas realizadas em 2021 ficou 12,8% acima do reportado para o ano de 2020, em razão do impacto do primeiro ano da pandemia na busca por atendimento médico, porém apresentou redução de 15,4% em relação a 2019. Quanto ao total de consultas com especialistas, a pneumologia foi a especialidade médica com maior variação positiva em 2021 em relação a 2020 (37,6%), seguida da especialidade de alergologia e imunologia (33,8%) – ambas associadas ao tratamento de doenças do aparelho respiratório. As consultas e sessões com outros profissionais de saúde também sofreram variação positiva na quantidade de eventos realizados em relação a 2020: fisioterapeutas (19,3%), fonoaudiólogos (39,4%), nutricionistas (37,9%), terapeutas ocupacionais (59,7%) e psicólogos (44,3%). Porém, na comparação com 2019, esse aumento foi mais significativo para os atendimentos com terapeutas ocupacionais (36,6%) e com psicólogos (32,8%). O aumento dos atendimentos com esses profissionais pode ter relação com a denominada “síndrome pós-Covid-19”, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem como um dos principais sintomas a disfunção cognitiva, que pode se caracterizar por confusão, esquecimento ou falta de foco e clareza mental. Esses sintomas podem persistir desde a fase inicial da doença ou se desenvolver após a recuperação.

Embora tenha havido um aumento em relação ao 2020 (4,8%), o número de internações em 2021 também não retornou aos valores observados antes da pandemia, ficando abaixo da utilização reportada em 2019 (-10,7%). A internação cirúrgica segue sendo o tipo de internação mais afetado pela pandemia de Covid-19, apresentando variação negativa no ano de 2021 de 16,2% em relação a 2019.

Dentre as principais causas de internação, as doenças do aparelho circulatório apresentaram redução em relação a 2019 (-13%), sendo que a maior redução observada foi para as internações por infarto do miocárdio (-38,3%), enquanto as internações por acidente vascular cerebral apresentaram um aumento de 40% sobre o observado naquele mesmo ano.

Enquanto em 2021 houve redução nas internações obstétricas (-10,7%) e pediátricas (-32,4%), observou-se um aumento nas internações psiquiátricas (4,7%) e aumento também nas internações em hospital-dia para saúde mental (13,1%), quando comparado com a produção assistencial do setor de saúde suplementar em 2019. Muito tem se discutido sobre o agravamento de doenças relacionadas à saúde mental em decorrência da pandemia, o que pode explicar o aumento observado nesses tipos específicos de internação.

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