Cerco ao conteúdo local

A indústria – brasileira e estrangeira – que investiu para atender às exigências de conteúdo local vai ter que batalhar e fazer muita pressão para que o sistema não seja atropelado pelas petroleiras multinacionais, muito bem relacionadas com o Governo Temer. Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) – que representa as empresas de petróleo de fora – avalia como essencial alterar a política, alegando a competitividade de fornecedores em âmbito global. Na abertura na Rio Oil & Gas, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, fez coro, afirmando que são necessárias “mudanças na política de conteúdo local, que tem de se pautar por bases competitivas”, com foco em incentivos, e não penalidades. “Temos de desenvolver a indústria nacional [de fornecedores] para que ela se insira nas cadeias globais de valor”, disse.

Segundo o site Petronotícias, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, elege a revisão da política como uma das prioridades do governo. Apesar de admitir que os problemas trabalhistas e tributários, assim como o alto nível de exigência da Petrobras, são entraves para a competitividade, afirmou que esta questão “vai demorar um pouco mais de tempo para solucionar, se for possível solucionar”. Tal como ocorreu no Governo Collor, abertura sem contrapartidas ou compensação do chamado Custo Brasil equivalerá, na prática, à aniquilação.

‘Petrolón’

Sem conseguir – como ocorre no Brasil com o Petrolão – suporte do Judiciário local, os Estados Unidos tiveram que arregaçar as mangas e atuar diretamente em ampla investigação sobre o que afirma ser um milionário esquema de corrupção e desvios de dinheiro na venezuelana PDVSA.

A Suíça apreendeu US$ 118 milhões em ativos bancários ligados a um executivo venezuelano, a pedido da justiça dos EUA. Roberto Rincon-Fernandez afirmou em junho que subornara funcionários da estatal da Venezuela para orientar contratos de fornecimento de energia a empresas por ele representadas.

O componente político não é disfarçado. Os EUA afirmam que, entre 2004 e 2014, US$ 11,3 bilhões desapareceram da PDVSA. O presidente na época era Rafael Ramirez, atual embaixador da Venezuela nas Nações Unidas.

Fala-se em cifras fantasiosas, de até US$ 300 bilhões desviados durante o governo chavista. Tal como no Brasil, os desvios ocorridos nos governos anteriores a Hugo Chávez, todos apoiados pelos EUA, não fazem parte das investigações.

Rápidas

Foi cancelada a reunião que as centrais sindicais teriam nesta quarta-feira com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no Palácio do Planalto, sobre a reforma da Previdência Social *** O secretário da Habitação de São Paulo, Rodrigo Garcia, estará em São José dos Campos nesta quarta-feira, às 10 horas, para apresentar o programa de lotes do Morar Bem, Viver Melhor, uma iniciativa que tem o apoio do Secovi-SP. Informações: [email protected] *** A Fiesp realiza nesta quinta-feira seminário sobre financiamento à exportação brasileira, das 9h às 13h, na sede da entidade. Detalhes em www.fiesp.com.br/agenda/seminario-sobre-financiamento-a-exportacao-brasileira-3/ *** Também nesta quinta-feira, o Carioca Shopping realiza Missa Campal de São Judas Tadeu, às 8h30 *** A Ceva Logistics anunciou a nomeação de Peter Waller para o cargo de Chief Finance Officer e membro do Comitê Executivo *** Na próxima semana, Bruno Ruffo chega à BR Media Group para assumir o cargo de diretor de Operações *** A coluna se solidariza com a família do eterno capitão Carlos Alberto Torres. Saudades, Capita!

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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