A chegada do verão, oficialmente no último dia 21, deve marcar um período de aquecimento para bares e restaurantes em todo o país. Especialistas do clima indicam, inclusive, que o verão 2024/2025 tende a registrar temperaturas acima da média, com possíveis veranicos e ondas de calor, fatores que estimulam o consumo em estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar.
Além disso, indicadores recentes do turismo e do transporte aéreo, aliados à expectativa positiva dos empreendedores, reforçam a perspectiva de maior movimento nos bares e restaurantes ao longo da estação.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços, o índice de atividades turísticas cresceu 0,8% em outubro na comparação com setembro, já com ajuste sazonal. Este foi o terceiro resultado positivo consecutivo, período em que o segmento acumulou alta de 2,1%, sinalizando uma retomada consistente da demanda ligada ao turismo.
Outro dado que aponta para o aumento da movimentação de pessoas durante o verão é o levantamento divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), segundo o qual, mais de 9 milhões de passageiros utilizaram voos domésticos em outubro, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica, em janeiro de 2000.
Esses números, aliados a fatores como o período de férias e o pagamento do 13º salário, desenham um cenário favorável de maior circulação de pessoas e, consequentemente, de aumento do consumo em bares e restaurantes. Pesquisa recente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indica que 81% dos empreendedores do setor esperam faturar mais no final de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Estabelecimentos cresceram 0,7% em novembro
Em novembro, as vendas no setor cresceram 0,7% em novembro, segundo dados do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone, principal parceira do empreendedor brasileiro, em parceria com a Abrasel. Com relação ao mesmo período do ano passado, as vendas apresentaram queda de 2,4%.
Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, “diante do aumento de custos, o setor fez uma opção necessária: ajustar preços. Com isso, os bares e restaurantes registram cerca de 8% de inflação nos últimos 12 meses, acima do índice médio do país. Sabíamos da dificuldade de repassar o aumento de custos ao consumidor e, portanto, do impacto no faturamento. Ainda assim, essa escolha foi importante. Por exemplo, de setembro para cá, 27% das empresas operam com prejuízo e em outubro esse percentual caiu para 20%. Em síntese, foi uma decisão para recuperar a margem e melhorar o resultado, mesmo sacrificando um pouco as vendas”, explica.
Já para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o desempenho de novembro indica a continuidade de uma recuperação gradual no setor de bares e restaurantes.
“A alta mostra que o consumo segue reagindo de forma lenta, mas consistente. Ainda assim, o setor permanece operando abaixo do nível de 2024, refletindo um ambiente de restrição de renda. O elevado comprometimento das famílias com o serviço da dívida, que atingiu patamar recorde, segue limitando o consumo, especialmente em um contexto em que a inflação da alimentação fora do domicílio continua alta. Mesmo com a desaceleração da inflação geral, esse encarecimento relativo mantém a demanda por refeições e bebidas fora de casa pressionada, impedindo uma recuperação mais robusta”, analisa.

















