Chegou a hora de abandonar a estratégia neoliberal

Unicamp receita verbas para saúde, liquidez para empresas e fim do garrote fiscal.

Conjuntura / 01:24 - 28 de mar de 2020

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A política econômica, no curto prazo, tem de usar massivamente a política fiscal. Política monetária, isoladamente, será insuficiente. Não se trata apenas de uma medida anticíclica de recuperação dos níveis de investimento e, em consequência, do crescimento da renda e do emprego. Trata-se de manter os fluxos de renda (salários, aluguéis, juros e lucros) por um período de duração imprevista em quarentena.

Esta é a base da proposta do Instituto de Economia da Unicamp divulgada no manifesto “Coronacrise e medidas de enfrentamento”. “Chegou a hora de abandonar a estratégia neoliberal. Ela se mostra totalmente inadequada e danosa para o enfrentamento da atual crise e suas futuras consequências”.

Os economistas da Unicamp explicam que a crise de liquidez em função de carência do fluxo de entradas nas contas a receber, face ao fluxo de saídas nas contas a pagar, obriga à política de crédito de dar condições bancárias para o refinanciamento dos endividados e atender à demanda por maior capital de giro.

Quanto às micro e pequenas empresas, além de apoio com crédito no curto prazo, será necessário o adiamento ou o abono no pagamento de impostos e tarifas de serviços.

A preocupação com a situação fiscal deve ser abandonada no cenário atual. “Conter o gasto público para limitar o crescimento inevitável do déficit público deixou de fazer sentido social. O descontrole da pandemia pode prolongar muito a crise, tornando inevitável a queda da arrecadação tributária.”

O manifesto lembra que tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto o Banco Mundial recomendam aos países ampliar urgentemente os gastos com saúde pública e buscar medidas de apoio aos mais vulneráveis. Será preciso apoiar, urgentemente, todas as pessoas afetadas durante a pandemia por meio de redes de proteção social com transferência de renda e atendimento de saúde gratuito. “Atualmente, o risco maior é sanitário para a sociedade e cambial para empresas com endividamento externo”, afirmam os economistas da Unicamp, rejeitando a falsa polêmica entre quarentena e recuperação da economia.

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