Cheiro de impunidade no ar

Nesta terça-feira, completam-se 13 dias do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Até agora, nenhuma pista sobre os autores e os mandantes. Se há pistas, a polícia carioca – acertadamente – não divulgou. Mas a passagem dos dias deixa a preocupação da impunidade, o pior que poderia acontecer neste momento. Com a segurança sob intervenção, cai no colo do interventor, general Braga Netto, a responsabilidade pela investigação – que deve ser feita com cuidado, mas não pode ser demorada.

Ainda mais lenta corre a apuração sobre os responsáveis pelos ataques falsos à vereadora nas redes sociais. Um jornal do Rio conseguiu progresso maior do que a polícia. O Conselho Nacional de Justiça tarda e falha ao não tomar uma atitude a respeito da desembargadora do Rio de Janeiro que disseminou fake news. O Tribunal de Justiça igualmente nada fez, a não ser distribuir uma burocrática nota lamentando a morte.

 

Ausentes

Nas manifestações contra o assassinato de Marielle Franco, em todo o país, não houve um caso de vândalos nem de black blocs – ou, se houve, não ganharam as manchetes.

 

Dicionário

Para a mídia que adora uma fake news, quem atirou pedras contra a caravana de Lula no Sul era “manifestante antipetista”. Se o alvo fosse alguém da direita, seria tachado de black bloc.

 

Jabuticaba

A Cabify “considera que o Brasil optou por estar na vanguarda da regulamentação dos serviços de transporte individual de passageiros por aplicativos com a sanção presidencial do PL 5587/16 com as emendas aprovadas pelo Congresso”.

Fosse contrária aos interesses das multinacionais, a lei seria tachada de “jabuticaba”, “só existe no Brasil”. Mas como favorece a exploração da mão de obra brasileira pelas empresas do exterior fantasiadas de aplicativos, sobram – no mínimo – aplausos.

 

Efeitos colaterais

O presidente Temer ainda não conseguiu a unanimidade – ainda tem 3% de brasileiros que aprovam seu governo – mas, ao propor mudanças no Farmácia Popular, conseguiu reunir contra o Ministério da Saúde todas as entidades ligadas ao setor farmacêutico.

Indústria, distribuição e varejo de medicamentos salientam que o programa é tido como o mais bem-sucedido em saúde pública do país “O Ministério da Saúde, pela palavra de seu titular, decidiu criar, em 30 de janeiro deste ano, um grupo de trabalho que jamais foi reunido”, acusam as entidades, em carta aberta.

Uma mudança dessa profundidade, feita cinco dias antes da troca de ministro, não parece oportuna nem sensata. E trará, como consequência imediata, instabilidade e preocupação para milhões de brasileiros”, alertam.

 

Interpretação pessoal

Faz sucesso a charge de Jota Camelo: um entrevistador pergunta ao diretor José Padilha, que cometeu uma série de fake news na série O Mecanismo: “E sua próxima série na Netflix, será sobre o quê?” No que Padilha responde: “Sobre o suicídio da Marielle”

 

Rápidas

A Editora FGV lançará no dia 2, em São Paulo, o livro A razão e o voto: diálogos constitucionais com Luís Roberto Barroso. A sessão de autógrafos contará com participação do ministro e dos organizadores do livro, os professores da FGV Oscar Vilhena Vieira e Rubens Glezer. Será às 19h, na Livraria Cultura – Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073 – Bela Vista) *** A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) realiza dia 5, na sede da CNC no Rio, a oficina “Antidumping também é interesse público! Desmitificando a defesa comercial”. Marco Pollo Lopes, da Aço Brasil; Marcela Santos de Carvalho, da Camex; e Abrão Miguel Árabe Neto, secretário de Comércio Exterior do Mdic, são alguns dos nomes confirmados *** O grupo Show de Bola voltará ao Caxias Shopping nesta sexta-feira, às 19h30 *** No dia 4, às 18h30, a FMP/Fase organiza um seminário gratuito sobre Gestão de Projetos, em Petrópolis. Profissionais do Laboratório Nacional de Computação Científica, Wagner Vieira Léo e Leonardo Lima falarão sobre projetos de TI, como os ligados ao supercomputador Santos Dumont – que está ameaçado devido ao corte de verbas da Ciência *** A arte circense invade São Paulo em abril, com o 1º FIC – Festival Internacional de Circo, dias 11 e 15, promovido pela Associação dos Amigos de Memória do Circo com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. A programação dos palcos volantes pode ser acessada no site www.prefeitura.sp.gov.br/cultura

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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