Chianti Lovers Wine & Cinema Experience

Degustação regada a Chianti’s Riserva 2019 e imagens do Chianti popular

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garrafas de vinho chianti
Garrafas de vinho Chianti (foto de Isabel Quintella)

Antes de prosseguir com a cobertura dos vinhos do extremo norte italiano, achei importante noticiar um evento que ocorreu no início de agosto e que também tem relação com os vinhos italianos. O Chianti Lovers Wine & Cinema Experience foi uma realização do Consorzio Vino Chianti no Rio de Janeiro e em São Paulo, envolvendo master classes, degustação e trailers de filmes.

chianti lovers & wine cinema experience
Chianti Lovers & Wine Cinema Experience (foto de Míriam Aguiar)

A conexão com o cinema visou enfatizar a popularidade alcançada pelo produto internacionalmente, que pode ser constatada em vários registros cinematográficos de filmes de diferentes épocas e origens, em que o vinho aparece em sua tradicional garrafa bojuda, revestida de palha (fiaschi), hoje menos utilizadas.

O vinho Chianti está de fato presente no imaginário de muitas pessoas. Os vinhos apresentados no evento, entretanto, estão um pouco distantes de sua versão popular, cuja qualidade pode ser bem variável. Como disse o sommelier Manoel Beato, convidado para comentar a degustação, a sua paixão pelo Chianti vem aumentando à medida que constata uma significativa evolução na consistência de sua qualidade.

É que, justamente, por ser um vinho que goza de boa popularidade, há uma larga produção que pode variar muito de qualidade, levando-se em conta as áreas de produção, categorias de qualidade, que, por sua vez, implicam métodos produtivos diferenciados e, ainda, a normal variação de abordagens entre distintas vinícolas.

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Degustação de Chiantis de alta gama

Neste caso, em se tratando de um evento para profissionais da área, o recorte foi propositadamente de Chiantis de alta gama. Foram apresentados sete Chiantis Riservas da safra 2019, de diferentes áreas produtivas e produtores.

Chamamos isso de “Degustação Horizontal”, isto é, uma coletânea de vinhos da mesma Denominação de Origem e categoria (Chianti’s Riservas), pela qual podemos avaliar, comparativamente, o trabalho de cada vinícola.

Ali buscou-se mostrar não apenas o trabalho de cada produtor, mas também e até mais ainda o fato de que cada vinho se origina de uma subárea de Chianti, cujas condições de clima, solo, topografia, entre outros, podem gerar resultados diferenciados. Sendo assim, nivelou-se por cima as categorias e montou-se um painel representativo da diversidade da região.

Por uma questão política, já que o Consorzio é uma instituição representativa da DOCG, em todos os eventos que promove, os vinhos são degustação às cegas, sem privilegiar produtores. Todos recebemos os vinhos com a única informação de que eram da mesma categoria e safra e de uma subárea de Chianti.

Só ao final, os rótulos foram exibidos, mesmo assim sem que se falasse de vinho melhor ou pior, mas de seus diferentes perfis. Quem conduziu a apresentação foi Lucas Alves, Chianti Wine Embaixador, com muitos detalhes históricos e técnicos que ajudaram a compreender a sua evolução e status produtivo atual.

Vinhos de Chianti são tintos, a partir das variedades de uva Sangiovese

A identidade do Chianti se mistura com a identidade do vinho italiano e com a Toscana, uma de suas mais consagradas regiões vitivinícolas. Ao visitarmos essa região, que tem muito mais vinhos, o Chianti é majoritário. Os 15.500 hectares das cerca de 3000 explorações estão delimitados nas províncias de Arezzo, Florença, Pisa, Pistola, Prato e Siena. Um sistema de colinas com grandes terraços em vales, atravessados por rios.

Os esforços para a construção da primeira delimitação oficial remontam a 1932, que resultou na criação da DOC (Denominazione di Origine Controlatta) em 1967. Posteriormente, foram integradas menções adicionais das subáreas geográficas com modalidades produtivas mais restritivas e requisitos especiais. Passos importantes para gerar um maior controle de qualidade. A DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita) veio em 1984, adicionando um exame organoléptico dos vinhos, como critério complementar de controle de qualidade para a rotulagem dos vinhos.

apresentação de vinhos chianti
Apresentação de vinhos Chianti (foto de Míriam Aguiar)

Os vinhos de Chianti são todos tintos, feitos a partir das variedades de uva Sangiovese, uva majoritária, que deve contribuir com um mínimo de 70% para o corte, que pode incluir até 30% de uvas complementares: nativas ou muito presentes na Itália (Canaiolo, Colorino, Trebbiano Toscano, Malvasia Nera e francesas (Cabernets).

As subáreas geográficas, cujas menções podem se seguir a Chianti e que fizeram parte da degustação, são: Colli Fiorentini, Colline Pisane, Montespertoli, Colli Aretini, Colli Senesi, Montalbano e Rùfina.

Além disso, a menção Superiore no rótulo indica que o vinhedo teve uma restrição maior de rendimento, que o vinho tem amadurecimento otimizado, com graduação alcoólica mínima de 12% e que passou por, pelo menos, um ano de maturação.

O Chianti DOCG Annata é a versão mais jovem do Chianti, e o Chianti DOCG Riserva é o mais evoluído, pois não pode ser comercializado antes de 24 meses, além de indicar procedência dos melhores vinhedos, normalmente com certa passagem por madeira.

Seguem algumas informações e apreciações dos rótulos degustados

garrafa de vinho chianti i sodi del paretaio
Vinho Chianti I Sodi del Paretaio (foto de Isabel Quintella)

1 – I SODI DEL PARETANO BADIA DI MORRONA CHIANTI COLLINE PISANE DOCG RISERVA 2019

  • A oeste, mais próximo da costa; 150m-200m; brisa do mar modera clima
  • 100% Sangiovese, 18 meses barrica, 6 meses em garrafa – 14% alc.
  • Cor leve, com certa transparência, aromas abertos de frutas pretas maduras, toques herbáceos, champignon. Amável na boca, taninos macio bom equilíbrio acidez/álcool.

2 – MEME FATTORIA DI PETROGNANO CHIANTI MOLTALBANO DOCG RISERVA 2019

  • A Norte, perto de Vinci, vizinha DOCG Carmignano. Vinhedo de 50 anos e 250m
  • 95% Sangiovese, 5% Canaiolo, 18 meses em toneis e 6 meses em concreto – 14,5% alc
  • Cor concentrada, com nariz mais tímido, com notas terrosas e animais, entremeadas com frutas. Boca com taninos mais marcados (ainda jovem). Quente, um vinho que pede carne.

3 – VILLA TRAVIGNOLI TEGOLAIA CHIANTI RÙFINA DOCG RISERVA 2019

  • Nordeste, perto de Florença, uma das regiões mais antigas e altas
  • 95% Sangiovese, 5% Cabernet e Merlot, 2 anos em Botti – 13,5% alc
  • Cor mais concentrada, nariz menos terrosos, com perfil mais internacional, ervas, casca de laranja da terra, taninos firmes e finos, com presença retro olfativa e muito equilíbrio.
Garrafa de vinho Chianti Torre a Cona
Vinho Chianti Torre a Cona (foto de Isabel Quintella)

4 – TERRE DI CINO TORRE A CONA CHIANTI COLLI FIORENTINI DOCG RISERVA 2019

  • Colado a Florença, no seu entorno. Vinhedo de 30 anos. Altitude 350m
  • 100% Sangiovese, 24meses Botti, 6meses em garrafa. 13,5% alc.
  • Cor mais clara, aroma aberto com muita fruta vermelha, terra batida e toques defumados. Em boca, acidez salivante, ainda jovem e bem gastronômico.

5 – BUCCIA NERA TENUTA DI CAMPRIANO CHIANTI DOCG COLLI ARETINI RISERVA 2019

  • Mais a leste, perto de Arezzo. Altitude 500m – 14% alc.
  • Sangiovese 85%, 15% Cabernet e Merlot – Botti 24 meses + 8meses garrafa
  • Cor mediana, aroma mais aberto, profundo, intenso e complexo de ervas secas e humus. Boca quente, bem integrada, com taninos marcados. Jovem, mas amplo em boca e boa persistência.

6 – PETRICCIO FATTORIA POGGIO CAPPONI CHIANTI MONTESPERTOLI DOCG RISERVA 2019

  • Menor área, centro norte. Altitude 300m – 14,5% alc
  • 100% Sangiovese, 14 meses barrica segundo uso, 10 meses em garrafa
  • Cor rubi médio, aromas de frutas maduras e madeira. Redondo e untuoso em boca.

7 – CAULIO PIETRASERENA CHIANTI COLLI SENESI DOCG RISERVA 2019

  • Maior área, no entorno de Siena. Single vineyard, com 350m altitude – 14,5%
  • 90% Sangiovese, 10% Malvasia e Syrah. 18meses em barrica e tonel + 6 meses garrafa
  • Cor bem profunda, aromas complexos de chocolate, trufas, champignon. Boca ampla, calorosa, taninos finos com ótima maturação fisiológica.

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