Chile: Bolsa desaba e dólar sobe com derrota da extrema-direita

Presidente eleito defende um programa centrado no reforço dos direitos dos trabalhadores e das reformas sociais.

Candidato presidencial da coalizão eleitoral de esquerda Apruebo Dignidad, o ex-líder estudantil Gabriel Boric venceu as eleições no Chile com 55,87% dos votos válidos, contra 44,13% do adversário, José Antonio Kast, de extrema-direita. Kast, que representou a coligação dos partidos de direita do país, havia afirmado que esperava uma eleição acirrada. O político reconheceu a derrota e parabenizou o novo presidente pelas redes sociais.

Os mercados financeiros não absorveram bem a derrota. Às 16h (horário local), o índice IPSA, o principal da Bolsa de Santiago, caía 6,18%, depois de operar a manhã em queda perto de 8%. O dólar estava cotado a 863,21 pesos, segundo o Banco Central do Chile. É a maior cotação do ano. Na sexta-feira, a moeda norte-americana valia 849,65 pesos. No ano, o menor valor foi de 693,74 pesos por dólar.

Apesar da especulação nos mercados, o Congresso, que havia sido definido no primeiro turno de votação, terá equilíbrio entre as forças de esquerda e de direita. Isto garantia que, independentemente de quem ganhasse a eleição presidencial, não será possível fazer passar propostas excessivamente radicais.

O presidente eleito pela coalizão de esquerda que inclui o Partido Comunista defende um programa centrado no reforço dos direitos dos trabalhadores e das reformas sociais. Crítico do sistema econômico neoliberal do Chile, quer substituir o sistema de pensões privadas por um sistema público, introduzir impostos progressivos para empresas e cidadãos ricos, aumentar o salário mínimo e reduzir a semana de trabalho para 40 horas.

O seu programa inclui o aumento das despesas sociais, incluindo a criação de um seguro de saúde universal e o lançamento de um plano nacional de saúde mental, bem como a reforma da força policial, cuja conduta foi controversa durante a repressão dos protestos de 2019, e o investimento na luta contra o aquecimento global.

Gabriel Borić Font nasceu em Punta Arenas, em 11 de fevereiro de 1986, filho de Luis Boric, de ascendência croata, engenheiro químico e servidor público da Empresa Nacional del Petróleo há mais de quatro décadas; e de María Font, de ascendência catalã-espanhola. Estudou na The British School em sua cidade natal. Mudou-se, então, para Santiago para estudar na Faculdade de Direito da Universidade do Chile em 2004.

Em 1999 e 2000, Boric participou do restabelecimento da Federação de Estudantes do Ensino Médio de Punta Arenas. Enquanto estava na universidade, ele se juntou ao coletivo político Izquierda Autónoma, inicialmente conhecido como Estudiantes Autónomos (Estudantes Autônomos). Foi assessor do Sindicato dos Estudantes do Departamento de Direito em 2008 e assumiu a presidência em 2009, quando liderou um protesto durante 44 dias contra o reitor Roberto Nahum. Ele também representou estudantes como um senador universitário.

Em 2013, Boric concorreu às eleições parlamentares como candidato independente para representar o Distrito 60 (atualmente Distrito 28), que abrange a Região de Magalhães e a Antártica Chilena. Foi eleito com 15,41 mil votos (26,18%), o maior número recebido por qualquer candidato da região.

Em 2017, Boric foi reeleito membro da Câmara dos Deputados da Região de Magalhães por maioria aumentada. Ele obteve 15,41 mil votos (24,62%), o que novamente foi o maior número de votos para qualquer candidato da região.

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