China pede que Pompeo respeite liberdade de imprensa

Para Chancelaria, alguns políticos dos EUA estavam suprimindo a mídia chinesa, chamando-a de 'máquinas de propaganda' do PCC.

Internacional / 16:57 - 15 de set de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

A China pediu aos EUA que parem de difamar e mentir, descartem atos de bullying e respeitem a liberdade de imprensa com ações práticas, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, nesta quinta-feira.

Ele fez os comentários em uma entrevista coletiva ao responder uma pergunta sobre a reclamação do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, de que o "Diário do Povo" um dos maiores grupos midiáticos na China, se recusou a publicar um artigo escrito pelo embaixador dos EUA na China, Terry Branstad.

Zhao apontou que o conteúdo do artigo era seriamente inconsistente com os fatos básicos e estava cheio de lacunas e repleto de manchas maliciosas e ataques à China.

"Se o governo chinês, como fizeram os EUA, fornecesse a você um artigo que distorcesse gravemente os fatos e atacasse seu país, e solicitasse que você respondesse no dia seguinte e prometesse publicá-lo sem qualquer alteração, você poderia fazer isso?" Zhao perguntou aos repórteres que participaram da coletiva.

Ele disse que o que os EUA fizeram "não teve nada a ver com liberdade de imprensa, mas foi uma armação bem planejada".

O embaixador chinês nos EUA sempre se comprometeu a promover intercâmbios amistosos e a cooperação entre os dois países e os dois povos, nunca criando e espalhando boatos contra os EUA, nunca atacando e difamando o sistema americano e nunca interferindo nos assuntos internos do país, apontou o porta-voz.

Zhao Lijian salientou que alguns políticos dos EUA, por outro lado, estavam suprimindo arbitrariamente a mídia chinesa, chamando-a de "máquinas de propaganda" do Partido Comunista da China (PCC).

Mas esses mesmos políticos exigiram que as "máquinas de propaganda" atacassem maliciosamente o governo chinês. "O comportamento deles é ilógico e insolente", continuou

"Assim como qualquer outro meio de comunicação americano, o 'Diário do Povo' tem o direito de decidir se publica ou não qualquer artigo enviado e quando publicá-lo, e tem o direito de fazer as alterações e edições necessárias em qualquer artigo. Também tem o direito de rejeitar a publicação de um artigo com erros factuais e cheio de preconceitos. Isso está de acordo com a prática profissional do setor da mídia, bem como com as normas internacionais", disse Zhao, citando a declaração do "Diário do Povo".

A também China emitiu uma nota diplomática anunciando restrições recíprocas às atividades da embaixada e consulados dos EUA na China, incluindo o consulado-geral dos EUA em Hong Kong, e seu pessoal, de acordo com o site do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Um porta-voz do ministério esclareceu nesta sexta-feira que as medidas relevantes se aplicam aos diplomatas sêniores e a todo o pessoal da embaixada e dos consulados, com o objetivo de exortar os EUA a revogarem suas decisões equivocadas o mais rápido possível.

Desde outubro do ano passado, o Departamento de Estado dos EUA impôs múltiplas rodadas de restrições ao desempenho regular de funções pela embaixada e consulados chineses nos EUA e seu pessoal, afirmou o porta-voz, acrescentando que a prática dos EUA violou gravemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais e prejudicou os laços entre a China e os EUA e os intercâmbios normais entre ambos os lados.

Enfatizando que essas medidas são a resposta legítima e necessária da China aos movimentos equivocados dos EUA, o porta-voz disse que a China continuará a apoiar os intercâmbios e a cooperação normais entre todos os setores dos dois países, enquanto a embaixada e os consulados chineses manterão interações normais com todos os segmentos nos EUA.

"Mais uma vez, instamos o lado dos EUA a corrigir imediatamente seus erros e suspender as restrições injustificadas impostas à embaixada e aos consulados chineses e seus funcionários. A China responderá de forma recíproca às ações dos EUA", disse o porta-voz.

 

Com informações da Agência Xinhua

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor