Choque de realidade

A crise levou muita gente a uma súbita mudança de lado em relação à economia. “Há 18 meses, numa reunião da Associação Latino-americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento (Alide), em Montevideo, quando ainda havia excesso de liquidez, a maioria questionava a razão de existir dos bancos de desenvolvimento e dos financiamentos de longo prazo”, relata o diretor para a Ásia e América Latina do Banco Europeu de Investimentos (BEI), Francisco de Paula Coelho. “Bastou uma crise financeira para essas instituições serem chamadas para salvar o mundo.”

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De acordo com o presidente do Banco de La Nacion argentina, Roberto Feletti, após a crise de 2001, que sepultou o neoliberalismo no país, a importância do Estado é crescente. “Após sucessivas crises, a população confia mais nos bancos públicos. Foi desmontada a imagem de ineficiência e influência política das instituições governamentais”, frisou.

Irrelevância
A reverência com que a mídia tupiniquim, particularmente a televisiva, trata as eleições presidenciais dos Estados Unidos só guarda correspondência com a irrelevância da abordagem adotada. A prioridade pela cobertura de fait divers permite que os brasileiros saibam tudo sobre a infância dos candidatos, CDs favoritos, livros de cabeceiras e até ex-amantes, entre outro componentes diversionistas constitutivos da democracia estadunidense.
A cobertura exaustiva de aspectos pitorescos, no entanto, foi incapaz de dar conta de estabelecer alguma diferença essencial entre Obama e McCain nas questões essenciais. Ou seja, depois de cerca de um ano de cobertura, no máximo, tem-se uma vaga idéia das propostas do novo presidente dos EUA para enfrentar a mais grave crise mundial desde a Depressão de 29.
Em compensação, qualquer universitário mais atento poderá participar do Show do Milhão para responder sobre aspectos relevantes da vida de Sarah Pallin, a Ofélia do Alasca, capaz de mobilizar 53,8 milhões de menções no Google.

Para poucos
A mesma mídia que qualifica a democracia dos Estados Unidos de “a mais robusta do mundo” poderia explicar as razões dos enormes tumultos – noves fora as fraudes, estimadas em 6 milhões de votos para este ano – nas cabines eleitorais daquele país. O motivo é simples. Longe de uma demonstração de vigor cívico, as filas denunciam que o sistema eleitoral estadunidense não foi projetado para suportar qualquer aumento mais expressivo no número de eleitores que altere o histórico e abissal absenteísmo que caracteriza a democracia daquele país.

Alô, Aldo
O patrocínio do BNDES à feira de moda Rio Summer – espécie de genérico do Fashion Rio – faz esta coluna lembrar proposta feita há uns dois anos ao governo: só permitir que estatais banquem eventos que utilizem o português como língua corrente.

Aliás
O que faz o BNDES patrocinando o Rio Summer? Até para justificar sua presença no evento promovido por Nizan Guanaes o banco estatal teve que dar uma volta ao mundo, lembrando seu papel de banco de fomento no campo (!), falar no Cartão BNDES (!!) e, finalmente, na área têxtil, na qual a moda tem um papel apenas acessório.

Obama
Começa nesta quinta, no Centro Celso Furtado, no Rio, o seminário internacional “Perspectivas do Desenvolvimento para o Século XXI”, quando serão debatidos temas como a crise e as eleições dos EUA.

Origem
A oncogenética, especialidade da oncologia que busca o DNA do câncer, chegou ao Brasil recentemente e será apresentada, pela primeira vez no país, num fórum de oncologia, dentro do Congresso Franco-Brasileiro que acontece de quinta a sábado, no Hotel Sofitel do Rio de Janeiro. A palestra mais esperada é a de Martine Picart, médica belga que é presidente do Breast International Group e coordena o Banco Mundial de Tumores de Mama pelo Instituto Gustave Roussy. De acordo com José Cláudio Casali, diretor do Banco de Tumores do Inca, a especialidade estuda a genética do tumor e analisa a pré-disposição familiar ao câncer hereditário.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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