Choque

A possibilidade de uma queda mais forte do preço das ações nos EUA – que já vem ocorrendo na Nasdaq – pode levar o PIB dos Estados Unidos a cair 1,4% este ano e 0,7% em 2001. Esses números constam de simulação feita pela Comunidade Européia, baseados numa expectativa de queda temporária de 20% na riqueza das famílias. O estudo da CE e também do FMI e da ONU estão num artigo de Marcelo Lara Resende, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) publicado na edição de julho da revista Conjuntura Econômica, da Fundação Getúlio Vargas. Resende avalia o impacto na América Latina e conclui que, caso o cenário mundial se complique, as economias brasileia e argentina seriam as principais afetadas. No Brasil, que depende este ano de pelo menos US$ 25 bilhões de investimento externo direto para fechar o balanço de pagamentos, os efeitos provocariam “um desastre completo”, na avaliação do economista do Ipea, afetando preços, emprego e balança.

Realidade.com
Administrar uma loja virtual é tão ou mais complexo que uma tradicional e a logística tem papel fundamental para garantir a fidelidade do cliente – que o diga a Amazon.com, ícone da economia virtual que está patinando nos crescentes custos que a realidade impõe. A aparente facilidade em montar uma loja na Internet representa uma séria ameaça às empresas virtuais. “Os empresários e executivos não podem esquecer que a administração e operação de uma pontocom é tão ou mais complexa do que uma loja tradicional”, alerta Guilherme Severino, diretor da Altamiro Borges Planejamento & Logística. “Entregar o produto certo, no tempo correto e com o preço combinado, atendendo com a mesma eficiência a um ou 1 milhão de pedidos. Caso contrário, seus executivos vão ter de arregaçar as mangas e descer ao depósito para ajudar a separar as mercadorias. Foi o que aconteceu com a brasileira Submarino e a americana Amazon, no Natal do ano passado.” Um exemplo prático, simples e de baixo custo é o cross-docking (área de armazenagem de produtos para expedição imediata). “Esse é um dos recursos que mais serão aplicados no comércio virtual, mas vai exigir sincronia e velocidade de comunicação entre a empresa pontocom e seus fornecedores”, avalia.

Área de ação
O presidente do BNDES, Francisco Gros, negou-se a comentar a postura da Secretaria de Direito Econômico (SDE), que considera ruim a parte contratual da modelagem feita para a privatização da concessão da CEG, alegando tratar-se de um problema do estado. Isto após dizer, durante almoço promovido pela Câmara Americana, que uma das principais atividades do banco era exatamente oferecer o suporte jurídico para essas operações.
Área de ação – 2
Esquece o presidente do BNDES que à época da desestatização da operação da CEG o governador do Rio de Janeiro era Marcelo Alencar, do mesmo partido de FH e, portanto, aplicando no estado o mesmo modelo gerencial – digamos assim – para a coisa pública. Ao mesmo tempo o BNDES era o grande incentivador das vendas de estatais estaduais.

Vôo no exterior
A captação de US$ 400 milhões feita pela Embraer na semana passada por meio de lançamento de títulos foi concluída praticamente com dinheiro externo. Apenas 10% foram captados no mercado doméstico.

Reposição
O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) fez uma pesquisa sobre um universo de 115 acordos coletivos assinados no primeiro semestre deste ano. Levando-se em consideração o ICV calculado pelo Dieese, a maioria sequer chegou a repor as perdas salariais. Apenas 25 tiveram reajuste superior ao índice. Entre as categorias que vão enfrentar negociações no próximo período, apenas bancários e metalúrgicos do ABC conseguiram repor as perdas salariais no ano passado. Segundo o técnico do Dieese José Maurício, a perspectiva é de melhora da economia pois o desemprego, apesar de ainda ser grande, 18,6%, caiu um pouco em relação ao ano passado. “Isto pode ter impacto positivo nos acordos mas não é possível afirmar nada. Ainda mais por que houve aumento das tarifas, geadas no Sul etc.”, afirmou.

Relíquia
Um elefante branco pode estar embutido na troca de ativos entre Petrobras e a Repsol-YPF. José Conrado, diretor da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) explica que um dos “ativos” que caberia à estatal brasileira seria o uso de uma refinaria da Repsol-YPF na Argentina ao mesmo tempo que o grupo espanhol usa a refinaria Alberto Pasqualini. Conrado afirmou que a tal unidade de refino do país vizinho está obsoleta. Foi construída há 75 anos.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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