Chuva causa prejuízo de R$ 110 milhões ao comércio em São Paulo

De acordo com a entidade, o montante de R$ 110 milhões representa 11% da média diária de vendas do varejo no mês de fevereiro.

São Paulo / 13:30 - 11 de fev de 2020

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As fortes chuvas que caíram em várias cidades do estado de São Paulo ontem devem geram um prejuízo de R$ 110 milhões para o comércio da região, principalmente na Região Metropolitana.

A avaliação foi feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), levando em consideração os setores sensíveis à compra por impulso, como supermercados, farmácias, vestuário, lojas de artigos esportivos, de livros e revistas, entre outros.

O cálculo leva em conta os danos causados pelas vias alagadas e a falta de possibilidade de locomoção, impedindo trabalhadores de chegar às lojas, atrasando sua chegada ou mesmo impedindo-os de sair de casa. A Fecomércio-SP considerou que as enchentes e os problemas com transporte público reduziram a circulação de pessoas nos comércios e de compradores que vão às lojas no horário de almoço ou no fim do expediente.

"Essas compras por impulso respondem por uma parte do resultado do comércio. Isso afeta menos as vendas de eletrodoméstico ou carros, que são compras programadas e que, nesse caso, foram adiadas. Além disso, muitos varejistas não abriram as lojas, prevendo um dia mais fraco de vendas e com pouco retorno, ou ainda que não teriam funcionários suficientes para atender todos os clientes", ressaltou a Fecomercio, por meio de nota.

De acordo com a entidade, o montante de R$ 110 milhões representa 11% da média diária de vendas do varejo no mês de fevereiro, ou seja 0,4% das vendas de um mês, na capital paulista, Osasco, Guarulhos e as cidades do ABCD.

Ainda segundo os cálculos, a paralisação das atividades na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) ontem, deve geral prejuízo de cerca de R$ 21 milhões no local. "O faturamento anual da companhia é de aproximadamente R$ 7,8 bilhões. A Ceagesp é uma grande central de abastecimentos e comercialização de produtos como frutas, legumes, verduras."

Para a entidade, as chuvas e as enchentes não devem ter impacto sobre os preços (na inflação), como houve durante a greve dos caminhoneiros em maio de 2018. "Em princípio, a produção no interior do Estado não foi afetada. De outra forma, isso poderia agravar a situação e diminuir a oferta de produtos, aumentado os preços".

A situação da Ceagesp após a enchente é "aceitável", informou a própria empresa em nota, que acrescenta que "o nível de água no Entreposto Terminal São Paulo baixou desde a noite da última segunda-feira e encontra-se hoje em níveis aceitáveis na maior parte do entreposto, permitindo que equipes de limpeza e manutenção possam circular entre os boxes para limpar a sujeira causada pelas águas da enchente do Rio Pinheiros".

Segundo a Ceagesp, os portões continuam fechados para entrada e saída de mercadorias, até que a situação dentro do mercado esteja normalizada, e também por motivos de segurança alimentar, para que nenhum alimento contaminado seja comercializado e chegue indevidamente à mesa do consumidor.

A empresa informou também que os comerciantes já iniciaram os trabalhos de limpeza dos boxes, retirada e descarte dos alimentos que foram contaminados pelas águas da enchente. A Ceagesp montou uma força-tarefa de segurança, limpeza e manutenção para percorrer o mercado e fazer uma avaliação dos prejuízos causados pelas chuvas.

Ao menos 516 pessoas ficaram desalojadas e 142 estão desabrigadas devido às chuvas que atingiram o estado ontem. Segundo o balanço da Defesa Civil estadual divulgado na manhã de hoje, os estragos foram maiores no Vale do Ribeira, na Região Metropolitana da capital paulista, na Baixada Santista e no Alto Tietê.

Também na Região Metropolitana da capital, Itaquaquecetuba teve quatro bairros inundados e um veículo caiu dentro de um córrego. As chuvas causaram ainda 19 desmoronamentos. Os estragos deixaram 100 desalojados e 28 desabrigados.

A Defesa Civil distribuiu até o momento 12 toneladas de mantimentos e produtos para ajuda humanitária nas cidades atingidas pelas chuvas.

Apesar do afastamento da frente fria da costa paulista, a previsão para hoje (11) é de continuidade das chuvas em todo o estado.

 

Com informações da Agência Brasil

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