Chávez em Hollywood

A notícia vai deixar pelo menos um ex-cineasta tupiniquim ainda mais apopléctico do que costuma se exibir. O cineasta Oliver Stone pediu e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, autorizou a filmagem naquele país do golpe contra Chávez, em abril de 2002. O próprio Chávez deu a notícia em programa de rádio e televisão Alô, presidente.

Questão de confiança
Há pouco mais de um ano, o IBGE publicava uma análise do censo e do Pnad e dizia que fome não era o problema do Brasil. O noticiário, os analistas e os políticos ironizaram o Fome Zero, dizendo que o programa tinha se equivocado de foco. Agora, o IBGE publica dados do Pnad 2004 e inverte o discurso. A fome voltou a ser um grande problema; 14 milhões de brasileiros estão famintos.
O economista Maurício Dias David, do Conselho Editorial do MM, pergunta: em qual IBGE acreditar? No de um ano atrás ou no da semana passada? “Esse é um fato que afeta a credibilidade do IBGE. Seu presidente deve vir a publico e explicar o que houve ou o que há com seus números.”

Pré-JK
A acefalia na Eletrobrás preocupa os funcionários mais antigos e experientes da estatal. Lembram eles que toda a energia elétrica que abastece o Brasil, de forma razoavelmente confiável, é gerada em usinas planejadas há mais de 40 anos e construídas há mais de 30 anos pela empresa. No primeiro trimestre deste, ano a Eletrobrás apresentou um prejuízo de R$ 142 milhões.
Um desses funcionários preocupa-se com o problema da expansão do sistema, que está no limite de sua capacidade. Basta que a economia cresça a taxas da ordem de 5% ao ano para que voltem os apagões, causando incalculáveis prejuízos ao país. Mas a estatal ainda não tem nenhum plano realista para a expansão do parque gerador e do sistema de transmissão, deixando tudo para a iniciativa privada.
As empresas privadas entram nos leilões de energia e, em função de seus próprios interesses, decidem qual será a demanda de eletricidade em médio e longo prazo. Se a demanda exceder à capacidade de investimento e aos interesses dessas empresas, voltaremos aos anos pré-Juscelino, quando o desenvolvimento industrial era asfixiado pela falta de energia elétrica.

Bloqueio do bem
Acostumado a recorrer à retórica da Guerra Fria para se referir aos movimentos sociais brasileiros, o PFL resolveu, digamos, flexibilizar seus conceitos sobre “baderna” e “subversão” para apoiar as ações dos ruralistas, que vêm bloqueando estradas no Sul do país, para conseguirem renegociar suas dívidas. Segundo os pefelistas, o agronegócio usa “a única forma de pressão que o governo Lula reconhece: as manifestações que param estradas e imobilizam a produção”. Segundo o partido, diante das manifestações, o governo não teria saída: “Ou cede ou experimenta o colapso do setor”.

Ele avisou!
Demitido pelo governo FH por sua firme oposição à construção do gasoduto Bolívia-Brasil, que considerava prejudicial aos interesses da empresa e do país, o ex-diretor da Petrobras José Gomes Sobrinho está gravemente enfermo. Infelizmente, seu estado de saúde não lhe permite confirmar a justeza do seu alerta contra o gasoduto, construído principalmente por pressão da Enron.

Toma que o filho é teu
O PT paulista gastou um quarto de seu programa partidário no rádio e na TV, na noite desta segunda-feira, para colocar no governo estadual a culpa pelo caos na segurança pública. O objetivo foi tirar do ombro do PT e de seu candidato ao governo paulista, senador Aloizio Mercadante, qualquer responsabilidade pela crise na segurança. Para que a crise não se repita, Mercadante pregou parcerias entre governo federal, estadual e prefeituras, citou a atuação da Polícia Federal como exemplo e defendeu o fim da Febem, entre outras iniciativas. A segurança é um dos quatro principais problemas do país (junto com educação, saúde e emprego), segundo as pesquisas de opinião.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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