Indústria extrativa: municípios frearam desconcentração econômica em 2023

Quase um quarto da economia está concentrada em 10 municípios

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Plataforma P-70 (foto da Agência Petrobras)
Plataforma P-70 (foto da Agência Petrobras)

O recuo no preço do petróleo e minério de ferro reduziu a participação no Produto Interno Bruto de municípios mais dependentes da indústria extrativa em 2023. No grupo de cinco municípios com perdas mais intensas, todos tinham a economia relacionada à exploração de petróleo, com destaque para Maricá, com queda de participação de 0,3 ponto percentual (p.p.), seguido por Niterói e Saquarema, com -0,2 p.p., cada. Ilhabela e Campos dos Goytacazes completam essa lista, ambos com -0,1 p.p.

Esse resultado contribuiu para a desaceleração da desconcentração econômica do país. A participação no PIB nacional dos 5.543 municípios que não são capitais recuou de 72,5% em 2022 para 71,7% em 2023, enquanto os 27 municípios de capital expandiram de 27,5% para 28,3%. O ano de 2022 marcou a menor participação das capitais. Em 2002, início da série histórica, esses indicadores eram de 36,1% para capitais e 63,9% para os demais municípios do país.

Os dados, divulgados hoje pelo IBGE, são do PIB dos Municípios 2022-2023. A pesquisa apresenta informações do PIB a preços de mercado e PIB per capita, para os 5.570 municípios. A pesquisa traz também análises geográficas com base em tipologias e regionalizações, que mostram padrões de concentração e dispersão. A divulgação com a abertura das atividades econômicas foi temporariamente suspensa e voltará a ser disponibilizada em 2027, após a publicação da nova série do Sistema de Contas Nacionais ano-base 2021.

Já o bom desempenho do setor de serviços, em especial as atividades financeiras, levou a ganhos de participação das capitais estaduais na passagem de 2022 para 2023. São Paulo foi o município com o maior ganho de participação, com aumento de 0,4 p.p., chegando a 9,7% do PIB nacional. A capital paulista já chegou a representar 12,7% da economia em 2002. Além de São Paulo, outros municípios com maior ganho de participação em 2023 foram Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro, com aumentos de 0,1 p.p., cada. Belo Horizonte variou próximo a 0,1 p.p. e permaneceu entre as capitais com maior contribuição.

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Vitória e Florianópolis foram as únicas capitais que não ocuparam a primeira posição no ranking de participação em seus respectivos estados. No Espírito Santo, Serra ocupou a primeira posição, com participação de 17,9%, e Vitória ocupou a segunda posição, com 13,5%. Em Santa Catarina, Florianópolis ocupou a terceira posição, representando 6,1% do estado, atrás de Joinville (9,7%) e Itajaí (9,4%).

Grande concentração urbana de São Paulo aumenta participação no PIB

Das 185 concentrações urbanas do país, que são áreas ou municípios com mais de 100 mil habitantes, 119 aumentaram sua participação no PIB nacional e 66 perderam, o que demonstra uma pausa no processo desconcentração nesse recorte. Entre as médias concentrações urbanas, que variam de 100 mil e 750 mil habitantes, o resultado também foi de aumento de participação para 102 das 159 médias concentrações entre 2022 e 2023.

Ao considerar as 26 grandes concentrações urbanas, áreas com mais de 750 mil habitantes, 17 ganharam participação no PIB nacional no mesmo período de um ano. A grande concentração urbana de São Paulo, que reúne 37 municípios, passou de 15,8% para 16,2%, entre 2022 e 2023. Já a grande concentração urbana do Rio de Janeiro, que soma 21 municípios, foi a que mais perdeu participação, com queda de 8,7% para 8%, devido aos munícipios produtores de petróleo incluídos nesta concentração, mas segue como o segundo maior PIB em 2023. Entre as 10 maiores concentrações urbanas, o recuo de participação foi de 40,9% em 2022 para 40,7% em 2023.

Também foram destaque de acréscimo de participação as grandes concentrações urbanas de Vitória e Brasília, chegando a 1% e 3,5% em 2023, respectivamente. A média concentração urbana com maior ganho relativo foi Araruama, que saiu da participação de 0,10% em 2022 para 0,13% em 2023.

Com informações da Agência de Notícias IBGE

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