As emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) provenientes de combustíveis fósseis devem subir 1,1% em 2025 e alcançar um novo recorde, segundo relatório do Global Carbon Project divulgado nesta quinta-feira (14). O avanço pressiona o cumprimento da principal meta do Acordo de Paris, que busca evitar que a temperatura global ultrapasse 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Para os cientistas envolvidos no estudo, essa meta “já não é mais plausível”.
O levantamento, elaborado por mais de 130 pesquisadores internacionais, projeta que as emissões de CO₂ atinjam 38,1 bilhões de toneladas em 2025. Com isso, a concentração atmosférica deve chegar a 425,7 partes por milhão (ppm), um aumento de 52% em relação ao período pré-industrial.
Segundo o relatório, restam apenas 170 bilhões de toneladas de CO₂ antes que o mundo ultrapasse o limite de aquecimento estabelecido pelo Acordo de Paris. Os pesquisadores alertam que superar esse patamar pode desencadear mudanças climáticas mais severas e levar a “um ponto de não retorno”.
A chamada margem de tolerância — o “orçamento de carbono” — está praticamente esgotada. O documento descreve um cenário crítico e afirma que um aquecimento de 1,7ºC passa a ser um objetivo mais realista do que manter o limite de 1,5ºC.
“Com as emissões de CO₂ ainda aumentando, manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C já não é mais plausível”, afirmou Pierre Friedlingstein, do Global Systems Institute da Universidade de Exeter, que liderou o estudo. Ele acrescentou que, “no ritmo atual de emissões, o orçamento de carbono restante para 1,5°C será esgotado antes de 2030”, destacando ainda que o enfraquecimento dos sumidouros naturais de carbono é “um sinal claro do planeta” de que cortes drásticos são necessários.
O estudo aponta que 8% do aumento da concentração atmosférica de CO₂ desde 1960 se deve à redução da capacidade de florestas e oceanos de absorver o gás. Todos os combustíveis fósseis puxam a alta: carvão (+0,8%), petróleo (+1%) e gás natural (+1,3%). As emissões ligadas ao desmatamento continuam elevadas, em cerca de 4 bilhões de toneladas ao ano, apesar de reflorestamento e regeneração compensarem aproximadamente metade desse total.
No setor de transporte, a aviação internacional deve apresentar alta de 6,8% nas emissões em 2025, superando o nível pré-pandemia. Já o transporte marítimo deve permanecer estável.
Desempenho por países
Nos Estados Unidos (+1,9%) e na União Europeia (+0,4%), as emissões devem voltar a crescer em 2025, revertendo a tendência de queda dos últimos anos. Na China, a projeção é de alta de 0,4% — ritmo considerado moderado devido ao avanço das energias renováveis e ao consumo energético mais contido.
A Índia deve registrar aumento de 1,4% nas emissões, também abaixo das tendências recentes, influenciada por uma monção precoce, maior geração renovável e crescimento menor do consumo de carvão. Já o Japão deve reduzir as emissões em 2,2%. No restante do mundo, a previsão é de crescimento de 1,1%.
Fonte: Agência Brasil

















