As cinco maiores instituições do país, o Banco do Brasil, o Itaú, o Bradesco, a Caixa Econômica Federal e o Santander, responderam em 2018 por 84,8% das operações de crédito ou de empréstimo do país, ante 85,8% do ano anterior. A concentração bancária foi um pouco menor, mas ainda é enorme. Os bancos também lucraram mais com o crédito, mesmo com a taxa básica de juros, a Selic, menor em 2028, em 6,5%.
No que se refere à rentabilidade do sistema bancário, observa-se a manutenção da trajetória de aumento em 2018, iniciada em 2017, após seu declínio em 2015 e 2016, em contexto de recuperação do ambiente econômico, de melhora da percepção de risco e de queda da taxa Selic. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) alcançou 14,8% em dezembro de 2018, ante 13,6% em dezembro de 2017.
Os dados compõem o Relatório de Economia Bancária (REB) divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central do Brasil, em São Paulo. O documento detalha eventos que ocorreram ao longo de 2018 e reúne questões sobre o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e às relações entre instituições e seus clientes.
Para o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, há evidências de que o aumento de financiamentos corporativos via mercados de capitais tem diminuído o custo do crédito do sistema financeiro, embora não seja possível no momento quantificar essa redução.
A participação do mercado de capitais no saldo de crédito ampliado às grandes empresas subiu de 6% em 2013 para 11% em 2018. Já o estoque para pessoa jurídica nas operações de crédito com recursos direcionados caiu 8,1% em 2018. O BC explica que o movimento em direções contrárias é devido à queda dos diferenciais de juros entre ambas as operações, em parte explicada pela baixa da Selic.
Sobre os spreads de taxas em operações no mercado de câmbio, que no mercado primário – exportação, importação e remessas – têm subido desde a crise financeira de 2008 , Viana disse que os estudos sobre as causas desse aumento do spread no mercado cambial ainda estão em andamento, mas frisou que tornar a moeda brasileira conversível ajudaria a reduzir. “A carga regulatória pesada e o fato de a moeda não ser conversível trazem custos ao país”, acrescentou.
Projeção de crescimento
Para este ano, o BC projeta crescimento de 7,2% no saldo total de crédito, com aumento de 12,5% do saldo de crédito de recursos livres e de 0,8% do saldo de crédito com recursos direcionados, informou a instituição, durante apresentação do seu Relatório de Economia Bancária em São Paulo.
Em 2018, o aumento no saldo total de crédito foi de 5%, após dois anos seguidos de quedas (-3,5% e -0,5% em 2016 e 2017, respectivamente).
Os saldos das carteiras de crédito destinadas às pessoas físicas e jurídicas continuaram a apresentar crescimentos bastante distintos em 2018, 8,2% e 1,3%, respectivamente. “Entretanto, é a primeira vez que o saldo para pessoas jurídicas apresenta variação positiva desde 2015, indicando melhora nas condições de crédito para esse segmento”, destaca o documento.
No ano passado, os cinco maiores bancos do país eram responsáveis por 83,8% dos depósitos totais, uma pequena queda em comparação a 2017, quando os depósitos correspondiam a 85%. Segundo o relatório, essas instituições abarcaram 81,2% dos ativos totais do setor bancário comercial em 2018. No ano anterior, os ativos totalizavam 82,6%.
Em termos prospectivos, de acordo com a Pesquisa Trimestral sobre Condições de Crédito (PTC), realizada em março de 2019, as expectativas das instituições financeiras são de crescimento nos saldos de crédito para 2019: de 5,5% para grandes empresas; 5,0% para micro, pequenas e médias empresas; 8,0% para consumo de pessoas físicas; e 5,0% para crédito habitacional. As projeções do BCB para 2019 são de crescimento de 7,2% do saldo total de crédito, com aumentos de 12,5% e 0,8% dos saldos de crédito com recursos livres e direcionados, respectivamente. Para pessoas físicas e jurídicas, projeta-se expansão anual do estoque de crédito de 9,7% e 4,1%, respectivamente.
Juros
A taxa de juros das novas operações de empréstimo junto ao SFN no segmento de recursos livres diminuiu 4,6 p.p. em 2018, influenciada pela redução na taxa básica de juros e pela sua manutenção em patamar reduzido, bem como pelo decréscimo da inadimplência e pela mudança regulatória no segmento de cartões de crédito.
No caso do cheque especial, o produto caracteriza-se pela alta conveniência e agilidade de utilização, mas também por possuir alta inadimplência e custos elevados. Os maiores usuários do cheque especial são aqueles de menor renda e escolaridade, demonstrando a importância de maior conhecimento do perfil do produto e de seus custos de utilização para melhor adequação aos propósitos dos usuários.
Em relação a inadimplência, o relatório mostra que 72% dos clientes que recorreram à reestruturação de suas dívidas em dezembro de 2018 possuíam renda inferior a três salários mínimos, aproximadamente em linha com a participação dessa classe de renda na população de devedores. “Considerando as reestruturações realizadas em dezembro de 2017, concluiu-se também que a reestruturação foi positiva para pouco mais da metade dos tomadores (51%), pois esses, após doze meses, conseguiram se manter adimplentes ou com atrasos inferiores a 90 dias”, acentua o relatório.
Bancos pequenos
No caso dos bancos de menor porte que têm o crédito como sua principal atividade, o papel desempenhado pelas captações intermediadas tem sido crescente. Essas captações possuem taxas mais altas pagas a clientes de terceiros em troca de prazos mais longos e impossibilidade de resgate antecipado dos investimentos. Ao que tudo indica, o investidor de plataformas de investimento é mais propenso a dispensar a liquidez imediata e aceitar prazos mais longos.
“Essas captações são uma manifestação no mercado doméstico da migração da prestação de serviços financeiros para o ambiente digital, processo que tende a se intensificar à medida que avanços tecnológicos forem reduzindo a necessidade de contato presencial”, atesta o relatório.
















