Ciro fala em criar metas e prêmios para alavancar educação

Candidato foi o primeiro presidenciável a participar de encontros da Fiesp; reforma tributária está entre os temas elencados por entidade.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) deram início ontem a série de encontros com candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano. Ciro Gomes, do PDT, que teve a candidatura lançada oficialmente no dia anterior, foi o primeiro convidado e foi questionado sobre temas como educação e reforma tributária.

O evento teve comando do presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, e lotou com seus diretores de todo o estado o auditório da entidade, que tem capacidade para 250 pessoas. Na transmissão pela internet, mais de cinco mil usuários também acompanharam o encontro.

O presidente em exercício do Ciesp, Vandermir Francesconi, foi um dos primeiros participantes a fazer pergunta ao candidato e explorou o tema educação. Francesconi citou alguns dados alarmantes da educação brasileira como o fato de 36,5% dos jovens de 19 anos não terem concluído o Ensino Médio e de 31,2% dos jovens de 18 a 24 anos não trabalharem nem estudarem hoje.

“Esses números agravados pela pandemia destacam a urgência em termos de uma política pública para a nossa juventude.”

O presidenciável defendeu que o Brasil mude seu paradigma pedagógico, que segundo ele, está vinculado à cultura de “decorar” o que resulta em um aprendizado raso. Gomes defendeu ainda a expansão de um modelo educacional já utilizado no Ceará, que tem se destacado no país pela qualidade do ensino. Segundo ele, os professores passaram voluntariamente por uma requalificação e foram estipuladas metas e premiações como o pagamento de salários extras para as escolas que se enquadrarem. As escolas cearenses teriam se tornado mais “encantadoras” para os alunos, conforme ocorreram investimentos em dispositivos tecnológicos e num modelo pedagógico mais digital.

O presidenciável alegou ainda que para não serem demagógicos, os projetos na área precisam de orçamento definido.

“Nós precisamos tomar finalmente uma decisão de revolucionar a educação no Brasil. Não podemos deixar por menos”, disse Ciro.

O candidato também falou sobre reforma tributária e apontou que a Previdência Social do país tem um modelo insustentável para os dias de hoje, o que estaria prejudicando a efetivação de uma reforma tributária, apesar de promessas serem recorrentes entre as lideranças políticas há muito tempo. Segundo ele, a demografia jovem e o baixo número de brasileiros ocupados com carteira assinada não dão conta de sustentar o pagamento dos aposentados que hoje estão vivendo até uma média de 73 anos.

“Como a Previdência Social não quebrou ontem, ela vem quebrando, nós vivemos introduzindo tributações. É possível consertar, mas nós temos que estabelecer um modelo tributário de financiamento, compreensivo do grande problema previdenciário. E aqui a tarefa é dupla porque ao resolver a equação do equilíbrio, nós precisamos desenvolver o regime de capitalização”, disse Gomes.

Os candidatos convidados para os encontros foram escolhidos conforme desempenho baseado em pesquisas eleitorais do país. Os próximos participantes serão Luiz Felipe D’Avila (no dia 27), Simone Tebet (1º de agosto), Luiz Inácio Lula da Silva (9 de agosto), Jair Bolsonaro (data a confirmar) e Andre Janones (confirmar).

A Fiesp e o Ciesp prepararam juntos uma carta aberta para entregar aos candidatos à Presidência em que elencam diretrizes para 13 temas que consideram prioritários para o país como educação, economia verde, reforma tributária, política industrial e democracia. As diretrizes foram idealizadas e discutidas com foco no mandato do Governo Federal que se inicia no ano que vem e termina em 2026. No documento, que será entregue a todos os candidatos à Presidência, as duas entidades representativas da indústria citam o quanto a pandemia e a guerra da Ucrânia vêm dificultando a normalização das cadeias globais de suprimentos. As diretrizes foram pensadas neste contexto, considerando também as dificuldades estruturais que pesam sobre o país.

Para as duas casas o setor indústria foi recolocado como o motor para a retomada econômica como consequência de um novo consenso baseado em experiências internacionais e levando em conta as mudanças e a sustentabilidade. O documento sugere políticas bem delineadas como a revisão da incidência de encargos previdenciários para o incentivo à formalização de empregos. A tributação da folha de salários é um dos assuntos no tópico sobre a reforma tributária.

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