Claro

Ainda no campo do passado da privatização tucana, em novembro de 1994 o jornal da Associação dos Engenheiros da Eletropaulo publicou uma edição especial com declarações do então desconhecido professor do Programa de Planejamento Energético da USP, David Zylberstajn. Apresentado como um dos responsáveis pelo programa de energia do recém-eleito presidente Fernando Henrique Cardoso, Zylberstajn afirmava: “O programa de governo é claro e não faz nenhuma referência à venda dos ativos das empresas do setor elétrico. Para começar, eu não concordo que a privatização radical seja a saída para o setor elétrico”.

Dois modelos
A ser para valer a proposta do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG), de trazer para o Congresso o debate sobre o futuro de Furnas, é indispensável incluir nos debates representantes da Califórnia e do Texas. Enquanto, no primeiro, após a privatização do setor, os consumidores vivem às voltas com blecautes e preços de tarifas nas nuvens, no segundo, que se recusou a abraçar o fundamentalismo privatista, há sobra de energia. Qualquer semelhança com a privatização à tucana não é mera coincidência.

Cidadã
O Santander alega que despejou “por engano” o comitê Betinho – organizado pelos funcionários do Banespa para desenvolvimento de projetos sociais – que ocupava uma das salas da sede do banco paulista. Todo o material, inclusive relatório de arrecadação e vale-refeição dos funcionários, foi removido da sala pelos seguranças do banco e levado para um depósito em Guarulhos (SP). O Santander informou que a papelada do comitê voltará para sua sede original.

Vox populi
Começou ontem e termina hoje, no campus  na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, um julgamento popular dos transgênicos. Inspirado nos tribunais populares, que são realizados há cerca de 20 anos na Europa, o julgamento terá como jurados 12  pequenos agricultores e consumidores urbanos e a corte reproduz a dinâmica e o aparato de um julgamento tradicional, com advogados, testemunhas de defesa e acusação e veredicto final. O objetivo do tribunal é julgar o impacto da comercialização e do consumo dos alimentos transgênicos sobre a saúde, o meio ambiente e a agricultura do plantio. Convidada para testemunha de defesa, a Monsanto, maior produtora mundial de sementes transgênicas, recusou a oferta do tribunal.

Ato
O Sindicato dos Bancários do Rio faz hoje, ao meio-dia, um protesto pedindo a instalação da CPI da Corrupção no Congresso Nacional. O ato será realizado no Largo dos Bancários, na esquina entre Rua do Ouvidor com Avenida Rio Branco. Haverá coleta de assinaturas para serem encaminhadas ao Congresso. A atividade faz parte da campanha nacional pró-CPI, desenvolvida por entidades como CUT, MST, UNE, CNBB e partidos de oposição e que, na quinta-feira, colocou cerca de 15 mil pessoas, em Brasília.

Investigação
Ou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, é muito ingênuo ou acredita que ingênua é a opinião pública. Reclamar que a Polícia Federal e o Ministério Público deveriam ter levado a ele as fitas com denúncias de envolvimento de auxiliares seus no Ministério da Integração para que pudesse “acelerar as investigações” deixou até a Velinha de Taubaté preocupada.

Camaleão
A propósito da insistência de FH na privatização de Furnas, é bom lembrar que, na campana eleitoral de 1994, nas páginas 43 a 52 de seu plano de governo, intitulado Mãos à Obra, Brasil, o então candidato propôs, para o setor energético, uma política de vincular o planejamento às prioridades governamentais de desenvolvimento econômico e social. Para o setor elétrico, especificamente, a proposta (preparada pelo então diretor da Eletrobrás Mauro Campos) foi de “incentivar a participação privada em novos investimentos”. Não se falou em privatizar ativos existentes. Dizer que o povo aprovou a privatização de Furnas ao eleger FH é embromação. Ao que se sabe, ao pedir que esqueçam o que escrevera, Fernando Henrique se referia aos livros do seu passado de pseudo esquerda.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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