Autônomos, profissionais liberais, MEIs e empresários lideram a busca por imóveis para aluguel no Brasil e a classe C, que representa 61% da população, compromete até 60% do salário com a moradia, segundo o Anuário FC 2025 da plataforma de análise de crédito imobiliário FC Analise. O levantamento mapeou sistematicamente o perfil socioeconômico, comprometimento de renda e indicadores de risco de inadimplência com base em 109.562 propostas efetivas de locação realizadas em 2025 e revelou que 54% dos 198.393 candidatos possuem renda instável e que a classe C compromete até 60% do salário com aluguel.
O comprometimento de renda com locação é um ponto crítico destacado pelo estudo, já que reflete a pressão sobre o orçamento mensal do pretendente. A classe C, que representa cerca de 61% da população brasileira, com mais de 130 milhões de pessoas, de acordo com a FGV Social (2024), apontou maior risco estrutural e fragilidade financeira. A maior parte dos pretendentes opera no limite, com 48% direcionando entre 30% e 50% do salário e outros 20% acima desse valor, chegando a 60% dos honorários. Locatários da classe B concentram 49% das propostas, em que 26% comprometem 30% ou mais dos ganhos.
O estudo cruzou informações e atestou que houve crescimento de 22,3% para 23% de moradia por aluguel entre 2023 e 2024, com 17,8 milhões de domicílios, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa verificou 109.562 propostas efetivas de locação, com 198.393 análises individuais (CPFs), o que equivale à média de 1,8 pessoa por requisição, refletindo a realidade de composições familiares, coparticipantes e garantidores.
O anuário mostra também que 72% dos requerentes têm entre 18 e 45 anos, com a Geração Y concentrando 42% das propostas, seguida pela Geração Z com 30%, Geração X com 18% e Baby Boomers com 10%.
O estudo também aponta a dificuldade de avaliar corretamente a renda de trabalhadores com rendas não lineares como os MEIs. Autônomos, empresários e os que não informaram a origem da renda concentram 54% da base, superando os celetistas (33%), servidores públicos e aposentados (13%). Nesse cenário, o modelo de comprovação de renda via extratos bancários pode gerar o fenômeno “renda inflada”, por superestimar o rendimento real da pessoa.
O Brasil teve recorde de registros de MEI em 2025, com 3,8 milhões de aberturas de CNPJ, de acordo com o Sebrae, refletindo o aumento dessa parcela da população e o volume de avaliações de rendas variáveis.
O levantamento mostra que a reprovação de propostas cresce inversamente à renda, com 25% da classe A, 35% da classe B, 64% da classe C e 95% das classes D e E. Para evitar esses índices e uma possível inadimplência, o anuário indica a adoção de critérios técnicos e apresenta um plano de ação para imobiliárias adotarem uma estratégia orientada por dados.
Inadimplência de locação registra menor taxa dos últimos 11 meses
Já segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da plataforma Superlógica, a inadimplência de aluguel no Brasil registrou queda em março, com taxa de 3,21% – a menor dos últimos 11 meses -, após apontar alta em fevereiro (3,35%), com variação de 0,14 ponto percentual. Na comparação com março de 2025, quando o índice foi de 3,09%, a inadimplência no último mês apresenta um recuo de 0,12 ponto percentual.
Entre a base analisada, a inadimplência em imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1.000 teve uma queda de 0,21 ponto percentual, de 6,19%, em fevereiro, para 5,98%, em março. Pelo terceiro mês consecutivo, a inadimplência nos imóveis populares superou a do segmento de alta renda, apesar do recuo geral. Os imóveis com aluguel acima de R$ 13 mil, que lideraram os atrasos em 2025, agora ocupam o segundo lugar: a taxa caiu para 5,83% em março, ante os 6,01% registrados em fevereiro. Do outro lado, as faixas entre R$ 2 mil e R$ 5 mil mantiveram os menores índices do mercado, com taxas em torno de 1,9%.
Já em relação aos imóveis comerciais, a faixa até R$ 1 mil continua com a maior taxa, de 7,41%, mesmo com uma baixa de 0,57 ponto percentual na comparação com o mês anterior (7,98%). A segunda maior taxa de inadimplência foi em imóveis acima de R$ 13 mil, com 5,19%. Já a menor foi na faixa de R$ 2 mil a R$ 3 mil, de 3,81%.
Em relação ao tipo de imóvel, as taxas recuaram nas três categorias em março. A inadimplência de apartamentos teve uma leve queda de 0,03 ponto percentual, com 2,30% no período; a de casas ficou em 3,60%, após 3,85% em fevereiro. Já os imóveis comerciais tiveram 4,54% de inadimplência em março – baixa de 0,21 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Em março, a Região Nordeste se manteve no topo do ranking de inadimplência, com uma taxa de 4,77%, alta de 0,10 ponto percentual em relação a fevereiro (4,67%). Já o Norte, ficou em segundo lugar, com 4,29%, redução de 0,32 ponto percentual, ante os 4,61% de fevereiro. A Região Centro-Oeste marca o terceiro lugar com 3,17%, um recuo de 0,54 ponto percentual, após os 3,71% do mês anterior. O Sudeste aparece em seguida, com taxa de 3,14% – queda de 0,14 ponto percentual em relação a fevereiro -, e o Sul com 2,77%, mantendo a menor taxa do país, com baixa de 0,10 ponto percentual entre fevereiro e março.
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