Clima de aversão a risco global e o recuo das commodities devem afetar bolsa

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Bovespa (Foto: ABr/arquivo)
Bovespa (Foto: ABr/arquivo)

O PIB alemão negativo rouba a cena nesta manhã, em oposição a resultados fortes (Amazon, Mercedez e Sony), levando à uma maior cautela com a agenda de hoje (CPI da Alemanha e PIB zona do Euro), com os investidores realizando parte dos ganhos no rali dos últimos dias. O clima de tensão com um ambiente recessivo faz os juros devolverem as altas de ontem e fortalecem globalmente o dólar, com Yen liderando as perdas, após Ueda prometer uma revisão ampla da política monetária. Commodities caem, com milho liderando as perdas. Por aqui, agenda cheia, começando com os dados de superávit primário às 8h30, seguidos do IBC-Br e da Pnad às 9h, que devem confirmar o 1T23 positivo para a atividade, após Caged surpreendente ontem. Apesar disso, a abertura deve ser negativa para Ibovespa e Real, sentindo o clima de aversão a risco global e o recuo das commodities, que, junto do recuo das taxas internacionais, devem tirar prêmio da curva de juros local.

Ásia: apoiadas por dados acima do esperado e pelo resultado recorde de Sony, bolsas fecharam em alta. Na Austrália, o PPI subiu 1,0% (exp 1,5%) no 1T23, com a taxa em 12 meses caindo para 5,2%. Na Coréia, produção industrial acima do consenso (exp 1,3%), saltando 5,1% (-7,6% a/a) em mar/23. No Japão, produção industrial abaixo do esperado (exp 1,2%), com alta de 0,8% (-0,7% a/a) em mar/23. Vendas no varejo subiram 0,6% (exp 0,3%), alta de 7,2% ante mar/22. A taxa de desemprego subiu de 2,6% para 2,8% (exp 2,6%) em mar/23. O BoJ manteve os juros em -0,10% e os juros de dez anos em 0%, propondo manter a postura estimulativa, apesar de reconhecer a necessidade de uma revisão ampla da política monetária. No domingo, PMIs de China (abr/23) às 22h30.

Europa: apesar de resultados positivos (Mercedez e NatWest), o PIB alemão negativo e a cautela com PIB da zona do Euro levam as bolsas para o negativo. Na Alemanha, PIB abaixo do esperado (exp 0,3%), contraindo 0,1% (0,2% a/a) no 1T23. A taxa de desemprego seguiu em 5,6% (exp 5,6%) em abr/23. Na Espanha, o PIB subiu 0,5% (exp 0,3%), crescendo 3,8% ante o 1T22. O HICP avançou 0,5% (exp 0,6%) em abr/23, somando 3,8% em 12 meses. Na França, PIB em linha com o consenso, crescendo 0,2% (0,8% a/a) no 1T23. O HICP subiu 0,7% (exp 0,4%) em abr/23, somando 6,9% em 12 meses. Na Itália, PIB acima do consenso (exp 0,2%), com alta de 0,5% (1,8% a/a) no 1T23. Hoje, PIB da zona do Euro (1T23) às 6h e CPI da Alemanha (abr/23) às 9h. Eni (Itália) e NatWest (Reino Unido) divulgam resultados.

EUA: apesar do forte resultado de Amazon, futuros caem, com os investidores realizando parte das altas de ontem. Em termos anualizados, o PIB cresceu 1,1% (1,6% a/a) no 1T23, abaixo do consenso (exp 1,9%), com parte da surpresa devido à queda nos estoques e alta das importações que tiraram 2,9% do PIB. Na ponta positiva, consumo das famílias (3,7%), gastos do governo (4,7%) e exportações (4,8%) adicionaram 4,0% ao PIB. Em 12 meses, a expansão do PIB caiu para 1,5%, mínima desde 2T21. Os pedidos de seguro-desemprego caíram de 246 para 230 mil (exp 248) na semana passada. Segundo a Reuters, FDIC, Fed e Tesouro coordenam um plano de para o First Republic. Hoje, gastos das famílias (mar/23) e inflação PCE (mar/23) às 9h30, PMI de Chicago (abr/23) às 10h45 e confiança da universidade de Michigan (abr/23) às 11h. Colgate-Palmolive, Chevron e Exxon divulgam resultados antes da abertura.

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Brasil: em dia de fortes altas em NY, em meio ao otimismo com os resultados das Big Techs, a suspensão do julgamento do FGTS após pedido de vista no STF, que beneficiou as construtoras, beneficiou o mercado local, com o Ibovespa fechando em 102.760 pontos (0,44%), com ações cíclicas liderando as altas, enquanto Petrobras sentiu a aprovação dos diretores indicados pelo governo. A alta dos juros no exterior e o Caged surpreendente pesaram na curva de DI futuro, com os vértices curtos subindo em torno de 5 pontos, enquanto a ponta longa caiu, após vitória do governo no julgamento do STJ sobre o ICMS. No câmbio, a melhora na percepção de risco local fez o Real ser a melhor moeda do dia, com o dólar fechando em R$4,98 (-1,52%).

Após forte queda em janeiro, devido a fatores idiossincráticos, o volume de serviços veio acima do consenso (exp 0,5%), expandindo 1,1% (5,4% a/a) em fev/23, puxado pela recuperação no setor de transportes, enquanto os serviços às famílias, mais relevantes para o PIB, tiveram a primeira queda em 3 meses. Após forte alta no mês anterior, a confiança da indústria da FGV estabilizou em abr/23, em 95,4 pontos (-2,4% a/a), com a NUCI subindo para 80,7% (0,9% a/a). O IGP-M teve deflação de 0,95% (exp -0,71%) em abr/23, puxado pela forte queda nos preços de commodities, acumulando -2,16% em 12 meses, mínima da série histórica. O IPA afundou de -0,12% para -1,45% (-4,53% a/a), o IPC desacelerou de 0,66% para 0,46% (3,24% a/a) e o INCC subiu de 0,18% para 0,23% (7,49% a/a). Caged acima do consenso (exp 90 mil), com criação de 195 mil (244 após ajuste sazonal) em mar/23, puxado por setores cíclicos (comércio, construção e serviços).

Campos Neto (BCB) afirmou que a inflação caiu no curto prazo, mas núcleos seguem elevados, reconhecendo os avanços de Haddad e Tebet na agenda fiscal. Marinho (MTE) disse que o governo editará uma MP elevando o salário-mínimo para R$1.320 a partir de 1/mai, além de enviar ao Congresso um PL estabelecendo a política de valorização do salário-mínimo. Tebet (Planejamento) declarou que o governo pretende reduzir o número de renúncias fiscais, que somam em torno de R$400 bi atualmente. Na agenda, sondagem de serviços da FGV (abr/23), nota de política fiscal (mar/23) às 8h30, IBC-Br (fev/23) e Pnad Contínua (mar/23) às 9h. Irani divulga resultado antes da abertura. Cambuci, após fechamento.

Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.

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