Clima tenso

Quinta foi tensa nos mercados de risco em todo o mundo, isso mesmo considerando que as estatísticas sobre o coronavírus não foram ruins.

Opinião do Analista / 10:54 - 21 de fev de 2020

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A quinta-feira foi tensa nos mercados de risco em todo o mundo, com mercados acionários em queda na Europa, EUA e Bovespa, depois de comportamento misto nos mercados da Ásia. Isso mesmo considerando que as estatísticas sobre o coronavírus não foram ruins. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os casos de infectados na China mostram 74.675 pessoas, com 2.121 mortes. Fora da China, já são 1.076 infectados de 27 países e sete mortes.

A entidade diz esperar resultados de dois testes clínicos de remédios em três semanas, o que seria muito positivo. Também temos que considerar que a maior parte dos casos fora da China são provenientes daquele confinamento em navio para em porto do Japão. Também que a grande parcela dos mortos são de idosos e com saúde precária.

Foi também dia de o Banco Central Europeu (BoE) divulgar a ata da última reunião sobre política monetária. Os membros querem aguardar mais dados para ver os motivos do otimismo e resiliência dos mercados diante das tensões. A percepção é de atividade moderada com indústria fraca e a sugestão é que os países com folga fiscal devem agir estimulando a atividade. Foi uma ata dura, assim como a fala do dirigente Luis de Guindos que adicionou o coronavírus com mais um ponto de incerteza.

Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego cresceram 4.000 posições para 210.000 pedidos e o índice de atividade industrial da Filadélfia subiu para 36,7 pontos em fevereiro de previsão de 8 pontos. Já o índice de indicadores antecedentes do Conference Board cresceu 0,8%, de previsão de +0,4%. Na zona do euro, a confiança do consumidor subiu para -6,6 pontos em fevereiro. Na argentina, o peso sofreu forte queda em relação ao dólar, depois de declarações do FMI pedir que reconheçam toda a dívida. O risco país subiu para 2.100 pontos.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,88%, com o barril cotado a US$ 53,76. O euro era transacionado em US$ 1,079 em leve queda. O ouro e a prata com altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro registrou alta na China de 2,23%, com a tonelada em US$ 92,01.

No segmento doméstico, o Bacen anunciou redução do depósito compulsório sobre depósitos a prazo que caiu de 31% para 25%, que junto com a elevação da parcela de recolhimento no LCR libera cerca de R$ 135 bilhões, começando a valer a partir de 02/3. Já o IBGE, anunciou a prévia da inflação oficial medida pelo IPCA-15 de fevereiro em 0,22% (anterior em 0,71%), com a inflação acumulando no ano, 0,93% e, em 12 meses, com 4,21%. A taxa do mês foi a menor desde o Plano Real.

A Receita anunciou a arrecadação de janeiro em R$ 175 bilhões, com aumento real de 4,62% e surpreendendo positivamente. As desonerações de janeiro foram de R$ 8,2 bilhões. Paulo Guedes, Campos Neto e o presidente Bolsonaro falaram em solenidade sobre o lançamento da Caixa Econômica, dizendo que o Brasil tem dinâmica própria de crescimento e que reforma são essenciais. Paulo Guedes disse que vamos crescer 2% ou mais em anos seguintes.

No mercado local, os DIs tiveram dia de alta de juros para os principais vencimentos, o dólar mostrando alta de 0,59% e fechou cotado em 4,391. Na Bovespa, em sessão de 18 de fevereiro, os estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 1,2 bilhão deixando o saldo de fevereiro negativo em R$ 9,19 bilhões. No ano, as retiradas líquidas da Bovespa ascendem a R$ 28,3 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,27%, Paris com -0,80% e Frankfurt com -0,91%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 1,51% e 1,56%. No mercado americano, dia de queda do Dow Jones de 0,44% e Nasdaq com -0,67%. Na Bovespa, dia de queda de 1,66% e índice em 114.586 pontos.

Na agenda desta sexta, teremos a confiança do comércio e da construção de fevereiro, a nota do setor externo de janeiro e o relatório da dívida pública de janeiro. Dia também de divulgação de indicadores PMI em diferentes países e nos EUA vários discursos de dirigentes do Fed e as vendas de imóveis usados de janeiro.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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