CNDL/SPC Brasil: 34% usaram nome de terceiros para fazer compras

Pedir cartão de crédito é a principal forma utilizada; maioria recorreu a maridos/mulheres e pais

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José César da Costa, presidente da CNDL (foto de Wilson Dias, ABr)
José César da Costa, presidente da CNDL (foto de Wilson Dias, ABr)

Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que a dificuldade em obter aprovação nos canais formais levou 34% dos consumidores a recorrerem ao nome de terceiros para realizar compras a prazo nos últimos 12 meses anteriores a este levantamento.

O dado expõe uma face sensível da economia: para a maioria desses brasileiros (62%), o empréstimo do CPF não é apenas uma escolha, mas a única saída diante de restrições como o “nome sujo” (23%), o estouro de limites de cheque ou cartão (20%) ou aprovação de crédito (19%).

De acordo com o levantamento, o uso do nome de terceiros para a compra de vestuário, calçados e acessórios disparou, atingindo 26% das ocorrências, um salto de 11 pontos percentuais em relação a 2025. Já o crédito “emprestado” também é uma ferramenta de sobrevivência, sendo utilizado para compras em supermercados (21%) e remédios (17%).

Embora o cartão de crédito (21%) continue sendo o recurso mais cedido, a modalidade de empréstimo pessoal dobrou sua relevância, saltando de 4% para 8% no último ano.

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A pesquisa mostra que o suporte financeiro vem majoritariamente do núcleo familiar próximo, sendo principalmente dos cônjuges (26%), pais (23%), outros familiares (21%) e amigos (12%).

Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, o hábito esconde armadilhas perigosas:

“É preciso que o consumidor compreenda que, perante a lei e as instituições financeiras, a dívida pertence exclusivamente ao dono do CPF que assinou o contrato ou passou o cartão. Quando você empresta seu nome, você não está apenas ajudando alguém; você está assumindo total responsabilidade jurídica pelo pagamento. Se a outra pessoa não honrar o compromisso, é o seu nome que será negativado, o seu score que cairá e o seu acesso ao crédito que será bloqueado. Na prática, a dívida é sua, independentemente de quem ficou com o produto.”

Apesar do risco inerente, a pesquisa destaca uma alta taxa de honra aos pagamentos: 86% dos que utilizaram o nome de terceiros estão com as parcelas em dia. A adimplência é ainda maior no uso do cartão de crédito, chegando a 91%.

Por outro lado, a resistência em emprestar o próprio nome permanece alta: 63% dos consumidores não aceitariam ceder seus dados para terceiros. Entre os que aceitariam (37%), o cartão de crédito é a única modalidade com aceitação expressiva (25%).

O levantamento ouviu internautas das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos). A margem de erro no geral é de 4 p.p. para um intervalo de confiança a 95%.

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