Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que a dificuldade em obter aprovação nos canais formais levou 34% dos consumidores a recorrerem ao nome de terceiros para realizar compras a prazo nos últimos 12 meses anteriores a este levantamento.
O dado expõe uma face sensível da economia: para a maioria desses brasileiros (62%), o empréstimo do CPF não é apenas uma escolha, mas a única saída diante de restrições como o “nome sujo” (23%), o estouro de limites de cheque ou cartão (20%) ou aprovação de crédito (19%).
De acordo com o levantamento, o uso do nome de terceiros para a compra de vestuário, calçados e acessórios disparou, atingindo 26% das ocorrências, um salto de 11 pontos percentuais em relação a 2025. Já o crédito “emprestado” também é uma ferramenta de sobrevivência, sendo utilizado para compras em supermercados (21%) e remédios (17%).
Embora o cartão de crédito (21%) continue sendo o recurso mais cedido, a modalidade de empréstimo pessoal dobrou sua relevância, saltando de 4% para 8% no último ano.
A pesquisa mostra que o suporte financeiro vem majoritariamente do núcleo familiar próximo, sendo principalmente dos cônjuges (26%), pais (23%), outros familiares (21%) e amigos (12%).
Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, o hábito esconde armadilhas perigosas:
“É preciso que o consumidor compreenda que, perante a lei e as instituições financeiras, a dívida pertence exclusivamente ao dono do CPF que assinou o contrato ou passou o cartão. Quando você empresta seu nome, você não está apenas ajudando alguém; você está assumindo total responsabilidade jurídica pelo pagamento. Se a outra pessoa não honrar o compromisso, é o seu nome que será negativado, o seu score que cairá e o seu acesso ao crédito que será bloqueado. Na prática, a dívida é sua, independentemente de quem ficou com o produto.”
Apesar do risco inerente, a pesquisa destaca uma alta taxa de honra aos pagamentos: 86% dos que utilizaram o nome de terceiros estão com as parcelas em dia. A adimplência é ainda maior no uso do cartão de crédito, chegando a 91%.
Por outro lado, a resistência em emprestar o próprio nome permanece alta: 63% dos consumidores não aceitariam ceder seus dados para terceiros. Entre os que aceitariam (37%), o cartão de crédito é a única modalidade com aceitação expressiva (25%).
O levantamento ouviu internautas das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos). A margem de erro no geral é de 4 p.p. para um intervalo de confiança a 95%.
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