Cobrança

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, mostrou ontem que uma entidade pode defender os interesses de seus membros e não precisa ficar atrelada ao governo federal, como tem sido quase regra no Brasil tucano. A Abimaq enviou carta ao ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, manifestando surpresa com a demissão do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que dirigia o Instituto de Pesquisa de Relações Exteriores, do Itamaraty.
Pinheiro Guimarães participou, em março, do debate “Alca: riscos do presente, metas do futuro”, promovido pela Abimaq. Na opinião de Delben Leite, causa surpresa a versão de que a “gota d”água” da demissão do embaixador tenha sido sua manifestação a respeito do Alca durante o evento, “o que seria profundamente lamentável, dada a propriedade e a seriedade de seus argumentos.”
Futuras gerações
Segundo Delben Leite, a “Abimaq considera que o mercado da Alca poderá ser extremamente atraente, se o país estiver preparado para ele, mas preocupa-se muito com a condução do assunto, considerando que, no mínimo, precisamos de políticas econômicas adequadas e voltadas para o aprimoramento e indução de maior eficiência em todos os setores da economia brasileira, a exemplo de uma bem feita reforma tributária, a atualização e flexibilização da legislação trabalhista, a redução dos custos de capital, a implementação de mecanismos apropriados para a aceleração do desenvolvimento tecnológico brasileiro, a preparação de nossos recursos humanos e a eliminação, enfim, dos demais elementos do Custo Brasil, antes de qualquer comprometimento com o referido bloco. Há, portanto, um enorme elenco de ações que devem ser adotadas, embora ainda não vejamos o governo brasileiro debruçado de forma decisiva sobre as questões envolvidas para o seu necessário equacionamento”.
“Reafirmamos, assim, o efetivo desejo da Abimaq de que os estudos sobre a Alca sejam aprofundados, permitindo decisões soberanas do país, fato que atenderá a todos os interessados em construir o nosso presente e o nosso futuro com desenvolvimento e justiça. A decisão brasileira de associar-se a este ou aquele bloco econômico merece uma profunda reflexão, pois envolverá, em seu bojo, o comprometimento da atual e das futuras gerações de brasileiros.”

Gastos
“O Brasil gasta 22% do PIB em logística enquanto que o primeiro mundo despende apenas 12%”, afirma Martin von Simson, diretor da Dmg World Média, empresa organizadora da Intermodal South America 2001. A feira de comércio exterior e operações multimodais começa hoje e termina sexta-feira, no Expo Center Norte, em São Paulo. A sétima edição contará com a presença do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e do secretário-executivo, da Câmara de Comércio Exterior, Roberto Gianetti da Fonseca.

Doutor Pangloss
Aprovação da CPI da Corrupção, aumento do tiroteio entre os aliados, alta recorde do dólar, provável novo aumento dos juros hoje… A cada dia que passa a vida real insiste em dificultar a vida dos marketeiros do Planalto.

A história se repete
Pelo andar da carruagem a flexibilização da paridade do peso com o dólar, com o acréscimo do euro ao câmbio engessado, é a banda endógena de Domingo Cavallo.

Outra versão
Deposto sob a alegação de que fora o responsável pelo massacre de estudantes no seu país, ocorrido em março do ano passado, o ex-presidente do Paraguai general Lino Oviedo será defendido hoje, na Comissão de Relações Exteriores do Brasil, por uma comissão de parlamentares paraguaios. Os políticos, que trazem exemplares do livro La outra cara del Marzo Paraguayo, de Maria Alejandra Ottaviano, da seção paraguaia da Anistia Internacional, vão apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que não conceda a extradição de Oviedo para o Paraguai pedida pelo governo daquele país. A comissão argumenta que a existência de um prêmio para quem assassinar o general faz com que o ex-presidente corra risco de vida em seu país.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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