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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Coerência

Para quem ainda não capturou as razões do nível do incômodo causado à mídia local pela não-renovação da concessão da RCTV, na Venezuela, levantamento do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação dá boas pistas. Em 5 de outubro, vencem as concessões dos canais da Globo em Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife: “O PT e até Lula dizem ser democrático (e é mesmo!) o fim da concessão da RCTV, na Venezuela. Então, o governo do PT e de Lula tem de iniciar no Brasil a revisão das concessões de rádio e TV. Lula e sua base parlamentar vão renová-las (as concessões das emissoras da Globo) sem um debate amplo com a sociedade brasileira?”, cutuca o professor e jornalista Dênis de Moraes, em sua página na Internet – http://comcult.blogspot.com.

Liberdade de informação
Hoje, 85% da informação acessada estão nas mãos do complexo financeiro dos Estados Unidos e a maioria dos produtos nacionais repete as mesmas fórmulas, amplificam os valores capitalistas e consumistas e repercutem seus fundamentos ideológicos. “Os oito maiores estúdios cinematográficos de Hollywood repartem 85% do mercado mundial de cinema e ocupam 98% das exibições na América Latina; quatro corporações estadunidenses dividem 85% do mercado mundial de discos. São de língua inglesa nove dos dez escritores mais traduzidos no mundo.”
Ao mesmo tempo, os EUA mantêm sofisticado sistema de proteção cultural e importam nesse setor apenas 2% do seu consumo total.
Os dados são de palestra feita no mês passado, em Caracas, na Venezuela, por Yuri Pimentel, vice-presidente da Telesur, e reproduzidos em artigo de Sidnei Liberal para o site do PCdoB. Eles mostram que a comunicação e a informação no mundo são dominadas por um oligopólio que reproduz aquilo que interessa a seus controladores, grandes grupos financeiros e empresariais.
Oito corporações mundiais controlam os meios de comunicação desde 2000, resultado de progressivas fusões. “Eis um rico exemplo de controle oligopólico”, continua Liberal: “A Time Warner e a AOL controlam 28 editoras de livros, 38 canais de TV, 15 empresas de produção e distribuição de televisão, 79 revistas, além de numerosos sítios de Internet, 170 lojas de produtos Warner em 30 países, parques recreativos, duas produtoras de cinema e serviços telefônicos e de segurança por monitoração.”
A Reuters, adquirida em maio pela canadense Thompson Corp., por cerca de US$ 17 bilhões, é exemplo dessa concentração. É o maior grupo de notícias e dados financeiros do mundo, superando a Bloomberg. A soma dessas duas agências representa cerca de dois terços do mercado mundial de informação financeira.

Um aninho
A editora Nova Razão Cultural está completando um ano de mercado este mês. São 11 livros publicados e oito no prelo, que serão lançados até o final do ano. A editora criou o critério de perfis com o objetivo de facilitar o leitor e o livreiro na hora de optar pelo livro.

Prorrogação
A participação nas comemorações da conquista da Copa do Brasil, após 23 anos sem um título nacional, não ficou restrita aos torcedores do Fluminense. Pelo menos no Rio, foi extensiva, compulsoriamente, a todos vizinhos do clube das Laranjeiras, tricolores ou não. Além dos festejos comuns às outras torcidas e que varam a madrugada que segue a uma conquista importante, os vizinhos do clube foram acordados às primeiras horas do feriado de Corpus Christi com fogos, gravações a todo volume com a narrativa de gols da campanha tricolor e a repetição exaustiva do hino do Fluminense. Vários moradores, ao fim do dia, sabiam a letra na ponta da língua, mesmo sem jamais terem posto um pé num campo de futebol

Carrinho
Quem também celebrou, em muito, o título do Fluminense foi o prefeito do Rio, o botafoguense César Maia (DEM). Os guardas municipais que atuaram durante o feriado nas ruas ao redor do Estádio das Laranjeiras carregavam ao fim do dia verdadeiras coleções de multas aplicadas por estacionamento irregular, sem contabilizar o faturamento da Prefeitura com o pagamento do reboque de um número incalculável de veículos dos torcedores.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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