Coincidência?

Não poderia ser com mais falta de timing o lançamento da candidatura do ministro da Saúde, José Serra, à Presidência. Coincidiu com manchetes sobre o agravamento da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. E não há quem convença o eleitor que o mosquito é municipal, ou estadual.

Deus & o pateta
Carente da legitimidade popular, negada aos perdedores de eleição, o presidente Eduardo Duhalde se equilibra no fio da navalha destinado aos que acendem uma vela a Deus e outra ao diabo. Pressionado pela falta de liquidez que permita acelerar o fim do confisco, retoma as ligações perigosas com o FMI que derrubaram De la Rúa e Cavallo.
Para satisfazer ao diabo – ou pateta, como se diz em espanhol – tem de transferir o pagamento da conta da crise da banca para os correntistas e para o setor produtivo, transformando poupança em dólar em perdas de pelo menos 30% em peso. Ao descumprir sua principal promessa de campanha – honrar na moeda original os depósitos bancários – arrisca-se a não contar com apoio nem da própria família, como mostra a presença de sua  filha nos “panelaços”.
Não se trata de uma escolha de Sofia, mas de opções antípodas: entrar para a História ou sair pelos fundos da Casa Rosada, ainda que à saída esteja a esperá-lo um desses cargos de consultoria financeira que costumam brotar, como brinde previsível, diante de ex-governante$ com viés financeiro$.

É a volta do Maílson?
Esta coluna não resiste à curiosidade: afinal, se eleita for, Roseana Sarney vai nomear para o Ministério da Fazenda Maílson da Nóbrega? Campeão nacional de inflação – 84% em março/90 – Maílson, último ocupante do cargo no longo governo Sarney, é hoje um dos mais bem-remunerados consultores financeiros do país e muito festejado por PFL e PSDB.

Não é panacéia
O presidente da Associação de Economistas da América Latina e Caribe (Aealc) e membro do Conselho Editorial do MM, Adhemar Mineiro, alerta que a adoção de uma moeda única para o Mercosul – tema que será debatido na reunião de cúpula do bloco, em fevereiro, no Uruguai – não pode ser uma espécie de pronto-socorro para a crise Argentina. Para Mineiro, a crise argentina não se limita à fragilidade de sua moeda. O problema, tanto lá como aqui, é a dependência externa, frisa o economista, que, no entanto, considera a moeda única importante no longo prazo desde que inserida num processo de integração regional consistente: “A moeda comum deve estar vinculada a um projeto comum de desenvolvimento, que ainda está longe de atingir o amadurecimento. Tem de ser discutida como elemento de um contexto mais amplo”, defende.

Volta à agenda
A professora Lia Valz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), concorda com Mineiro, mas acredita que podemos estar diante do renascimento do Mercosul. “É precipitado implementar uma moeda única neste momento, mas discuti-la é uma sinalização de que o Mercosul voltou a ser importante para a Argentina”, destaca. Ela também lembra que a moeda única exige uma agenda prévia de integração. “Há um caminho longo a percorrer, a começar pela harmonização de uma série de políticas de tributo, macro e micro econômicas”, lista.

Para inglês ver
Afinal quando e onde o ministro Raul Jugman vai entrar com o prometido processo contra a Neesweek?

Para inglês ver II?
E o prefeito César Maia vai informar o número do processo que prometeu abrir contra o meteorologista do Inmet?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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