Coligação de esquerda derrota extrema direita na França

Números surpreenderam, após vitória da direita no primeiro turno; nesta segunda-feira, Macron recusou a renúncia do primeiro-ministro Gabriel Attal

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Ato contra reforma previdenciária na França (Foto: Sebastien Courdji/Agência Xinhua)
Ato contra reforma previdenciária na França (Foto: Sebastien Courdji/Agência Xinhua)

Coligação que reúne a extrema esquerda, os socialistas e os verdes (que há muito tempo têm divergências entre si), Nova Frente Popular foi a favorita no segundo turno das eleições parlamentares na França realizadas neste domingo. De acordo com os resultados oficiais divulgados na manhã de hoje, os três principais blocos ficaram muito aquém das 289 cadeiras necessárias para controlar a Assembleia Nacional, que tem 577 lugares, a mais poderosa das duas câmaras legislativas da França.

Os resultados mostraram que a coligação de esquerda obteve 182 cadeiras, ficando à frente da aliança centrista de Macron, com 168 cadeiras.

O Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen e aliados ficaram restritos ao terceiro lugar, embora os seus 143 lugares ainda estejam muito acima do melhor resultado anterior, de 89 cadeiras em 2022.

Mais de 200 candidatos desistiram de concorrer no segundo turno, em uma tentativa de travar a extrema direita, que saiu vitoriosa no primeiro turno, há uma semana.

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Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema esquerda França Insubmissa, que faz parte do bloco da Nova Frente Popular, foi o primeiro a reagir à vitória do partido no segundo turno. Mélenchon disse que o presidente francês, Emmanuel Macron, “deve curvar-se e admitir a sua derrota sem tentar contorná-la” e pedir à Nova Frente Popular para formar governo.

O nível de participação desta segunda segunda votação foi ligeiramente superior ao registrado no primeiro turno, no mesmo horário: 59,39%. Na comparação com o segundo turno das legislativas de 2022, a participação popular cresceu quase 20 pontos percentuais. Dois anos atrás, 38,1% do eleitorado francês compareceram às urnas.

A participação dos franceses neste ano é a maior desde 1981, quando 61,4% dos eleitores votaram.

Segundo a Agência Brasil, “de qualquer forma, o resultado será humilhante para o presidente Emmanuel Macron, cuja aliança centrista, que ele fundou para sustentar sua primeira candidatura presidencial em 2017, tinha expectativa de ficar em segundo lugar por pouco e ganhar de 150 a 180 assentos. Mas também será uma grande decepção para o nacionalista e eurocético Reunião Nacional de Marine Le Pen. O RN, que há semanas era projetado como vencedor da eleição, deve ficar com 115 a 155 assentos.”

Nesta segunda-feira, Macron recusou a renúncia do primeiro-ministro Gabriel Attal, pedindo-lhe que permaneça temporariamente como chefe do governo, após a reviravolta nas eleições de ontem.

Attal apresentou sua renúncia hoje, mas garantiu que poderia permanecer no cargo durante os Jogos Olímpicos de Paris ou por mais tempo, se fosse necessário.

Macron, que nomeou o primeiro-ministro há apenas sete meses, pediu a Attal que permaneça no cargo “para garantir a estabilidade do país”.

Attal deixou claro no domingo que discordava da decisão de Macron de convocar eleições antecipadas.

Os resultados da votação de domingo aumentaram o risco de paralisia governamental para a segunda maior economia da União Europeia.

Emmanuel Macron ainda tem três anos de mandato presidencial. Espera-se que os legisladores recém-eleitos reúnam-se na Assembleia Nacional para iniciar negociações sobre os possíveis acordos partidários.

Aqui no Brasil, a vitória de Frente foi comemorada por lideranças do governo Lula no Congresso Nacional. O deputado José Guimarães, vice-presidente do PT e líder do governo na Câmara dos Deputados disse que a eleição de hoje marca um “triunfo significativo” para a coalizão de esquerda e centro no país europeu.

“Triunfo significativo para a coalizão de esquerda e centro, que se uniu para resistir ao avanço da extrema direita. Liderados por figuras influentes como Mbappé e Raí, os eleitores franceses reafirmaram seu compromisso com os valores democráticos, defendendo o país contra o neofascismo. Esta união do mundo democrático reflete uma resistência coesa contra forças que ameaçam os pilares do estado democrático de direito”, disse nas redes sociais.

O líder do governo Lula no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues, também comemorou a vitória da esquerda. “Vive la France! Vive la République! Vive la Democratie!”, publicou nas redes sociais.

Já o deputado federal e ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou que a eleição francesa impediu a extrema direita de chegar ao poder. “Bora formar um governo progressista na França!”, sugeriu.

Também Lula celebrou neste domingo os resultados das eleições da França.

“Muito feliz com a demonstração de grandeza e maturidade das forças políticas da França que se uniram contra o extremismo nas eleições legislativas de hoje. Esse resultado, assim como a vitória do Partido Trabalhista no Reino Unido, reforça a importância do diálogo entre os segmentos progressistas em defesa da democracia e da justiça social. Devem servir de inspiração para a América do Sul”, afirmou.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também se manifestou nas redes sociais. Para ele, o resultado das urnas francesas apontam para uma revolução mundial pela vida. “Sempre nos momentos mais tristes da humanidade, a Humanidade reage”, disse Petro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou de “histórica” a vitória da Nova Frente Popular. “Saudações ao povo francês, aos movimentos sociais e às suas forças populares, por este importante dia cívico que fortalece a unidade e a Paz”, destacou Maduro.

A presidente de Honduras, Xiomara Castro de Zelaya, comemorou a vitória da esquerda francesa e aproveitou para também parabenizar o partido trabalhista inglês. “A Europa avança. O Partido Trabalhista triunfou no Reino Unido e agora em França, uma coligação de forças progressistas deteve a extrema direita e as suas ameaças. Parabéns aos povos inglês e francês por defenderem os direitos e a liberdade do povo”, disse Xiomara, nas redes sociais.

Com informações da Agência Brasil, citando a RTP e a Lusa

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