Com 300 mil mortes, ‘a vida em primeiro’

Foi preciso o país alcançar um número de mortes diárias superior a 3 mil elevando o total para 300 mil, enfrentar um colapso hospitalar generalizado e incertezas quanto ao programa de vacinação, para que o presidente Jair Bolsonaro afirmar que “a vida em primeiro” após sempre priorizar a importância da economia nas suas posições contrárias a aplicação de medidas restritivas. Também foi preciso mais de um ano da chegada ao Brasil da Covid-19 para que esse reconhecimento fosse feito nesta quarta-feira, após reunião com representantes dos três Poderes para discutir um plano de ação conjunta.

“Resolvemos, entre outras coisas, que será criada uma coordenação junto aos governadores, com o senhor presidente do Senado Federal. Da nossa parte, um comitê que se reunirá toda semana com autoridades para decidirmos ou redirecionarmos o rumo do combate ao coronavírus”, afirmou o presidente, em breve pronunciamento após o encontro, ao lado dos governadores, ministros e chefes de poderes.

No pronunciamento, Bolsonaro disse que foi debatido o que ele chama de “tratamento precoce”:

“Tratamos também de possiblidade de tratamento precoce. Isso fica a cargo do ministro da Saúde, que respeita o direito e o dever do médico off-label tratar os infectados”, argumentou. Mas não fez referências a medidas restritivas como o afastamento social.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), confirmou que deverá ser constituído de imediato um comitê permanente para definir as políticas nacionais uniformes de enfrentamento da pandemia. O senador esqueceu de lembrar que medidas como essa já estão em prática em vários estados e municípios.

Pacheco disse, também, que o momento impõe a união dos Poderes e da sociedade no enfrentamento da doença. Por sua vez, o presidente da República disse que o objetivo do encontro foi “fortalecer o ambiente de união nacional para prevenção e combate ao vírus da Covid-19, além de ser um espaço para discussão de ações institucionais conjuntas”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL0 defendeu a despolitização da pandemia e lembrou da atuação responsável da Câmara dos Deputados no combate à pandemia. “Que tenhamos que desarmar os espíritos e tratar como um problema de todos nós que nos compete enquanto representante da população, para falar uma linguagem só com acompanhamento diário e responsabilidade da informação para que toda nossa população tenha assistência para que possamos ter rumo. Seremos coordenados sob a supervisão do presidente da República, e teremos um único discurso e uma única orientação nacional conduzido pelo ministério”, disse.

Lira também pediu atuação mais presente do Ministério das Relações Exteriores no tratamento de assuntos relacionados, em âmbito internacional, a todo o processo de combate à pandemia. O ministro Ernesto Araujo, que estava presente, não se manifestou. Sua atuação frente ao ministério vem sendo questionada até mesmo na base de parlamentares aliados ao presidente da República.

A questão de despolitização, pelo visto, não foi seguida à risca nessa reunião, pelo menos quanto a governadores de oposição ao presidente. Dos governadores das cinco regiões do país estavam o de Goiás, Mato Grosso e Sergipe, este último, o único da região Nordeste.

Participaram da reunião, além dos presidentes do Senado e da Câmara, o ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal, bem como o procurador-geral da República, Augusto Aras. Também estiveram presentes o vice-presidente, Hamilton Mourão, o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o seu antecessor, o general Eduardo Pazuello, que não fez um relato da sua atuação à frente do Ministério.

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Randolpho De Souza
Editor de Seguros.

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