Com a alta da Selic, vamos falar de renda fixa?

Por Ale Boiani.

Para quem busca retornos maiores que a poupança, mas tem perfil conservador ou perfil moderado e quer diversificar a carteira de investimentos controlando a volatilidade, uma boa alternativa são os investimentos em renda fixa.

A poupança rende por volta de 70% da nossa taxa de juros atual, e, embora nossa taxa de juros tenha sido ajustada para cima, ainda continua em níveis baixos, comparada com os momentos de taxa a dois dígitos que tivemos no passado. Faz total sentido avaliar outras oportunidades.

Quando se investe em renda fixa, empresta-se dinheiro ao governo, ao banco, ou para uma empresa não bancária. A taxa pactuada pode ser pré-determinada, pós-determinada (atrelada ao CDI, por exemplo) e pode ser híbrida, pagando a inflação e uma taxa fixa (IPCA + um percentual).

Como funciona a prefixada? Trata-se de uma taxa fixa pactuada com a instituição, onde se sabe exatamente qual será a rentabilidade que terá no final. A taxa de juros atual do Brasil está em 3,50% ao ano, aumento que ocorreu essa semana e que já era esperado pelo mercado. O mercado já precificou uma alteração de 0,75% para a próxima reunião, subindo a Selic para 4,25%. Segundo o Relatório Focus, até o final do ano a taxa deve subir para 5,25%, e até o final de 2022, para 6,5%.

E a taxa pós-fixada, como saber a rentabilidade? Nessa modalidade, o investidor somente saberá quanto irá receber no final da aplicação, pois é vinculada ao CDI (Certificado de Depósito Bancário). O pagamento da taxa é uma porcentagem da taxa de juros anual. Acompanhará a taxa de juros do mercado, podendo subir ou descer. Existem possibilidades de percentuais maiores ou menores, dependendo do tempo que mantiver o investimento. Pode ser acima ou abaixo de 100% do CDI. É o tipo de renda fixa que tem menos volatilidade , e geralmente, mais liquidez.

Já a taxa híbrida, de investimentos híbridos que possuem rentabilidades divididas em duas partes, uma pré e outra pós-fixada, parte é dada por um percentual definido no dia da aplicação e outra pela variação de algum índice, sendo em sua maioria o IPCA (exemplo: IPCA + 3%). Segue a rentabilidade do IPCA + um percentual extra. O IPCA mantém o valor do dinheiro, acompanhando a inflação e o percentual extra entrega uma taxa de juro real, após a inflação. Como estamos aguardando alta da inflação, este tipo de ativo acompanha este movimento.

 

E como funciona emprestar para o banco?

Títulos como CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito de Agronegócio) são emitidos por bancos. Nesses casos, existe uma segurança extra (além da solidez do banco), por meio do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) onde se porventura a instituição quebrar, o investidor terá até R$ 250 mil para ser ressarcido, limitado a R$ 1 milhão de recebimento no período de quatro anos. Uma forma de garantir 100% em relação ao capital, seria investir em diferentes ativos de diversas instituições, pois essa garantia é por CPF e por instituição.

Para grandes patrimônios, existe a possibilidade de fazer um DPGE (depósito a prazo com garantia especial), que também conta com o FGC, mas garante R$ 20 milhões por CPF ou CNPJ em caso de quebra da instituição.

Vale citar que é possível comprar títulos emitidos por bancos com taxas atrativas através da corretora de valores, com o assessor de investimentos de sua confiança.

Sobre emprestar para o governo: títulos do governo são muito seguros, pois nesse tipo de renda fixa o risco de crédito é muito baixo: é muito difícil que o governo não arque com suas responsabilidades e deixe de pagar o investidor.

Você pode comprar esses títulos pela plataforma do Tesouro Direto – criada pelo Tesouro Nacional – para compra e venda de títulos públicos com o objetivo de financiar obras de infraestrutura, saneamento, educação, entre outros, ou pode comprar esses mesmos títulos através de uma corretora de valores. Embora a plataforma direta do governo seja bastante prática, tem cobrança de taxa de custódia de 0,3%. Algumas plataformas de investimento não cobram esta taxa, e só o fato de não ter este custo pode fazer com que a rentabilidade seja melhor, além da vantagem de ter um profissional de sua confiança acompanhando o investimento para melhor ponto de entrada ou saída.

 

Emprestar para empresa

Quando uma empresa precisa de recursos para aumentar capital, custear projetos ou pagar dívidas, ela pode emitir Debêntures, CRAs e CRIs. Esses tipos de investimentos podem ser ótimas alternativas para quem quer diversificar com segurança e rentabilidade. Diferente dos produtos emitidos por Bancos, quando um título de Renda Fixa é emitido por uma securitizadora ou pela própria empresa, eles não contam com FGC. Checar a solidez da empresa, nível de endividamento, nota de classificação de risco, percentual do Ebitda (lucro operacional, ganhos antes de pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização), passa a ser ainda mais importante para não correr riscos desnecessários.

Existem produtos com isenção de impostos, como as debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, emitidos para incentivar alguma área específica. Esses papéis isentam a pessoa física de pagar impostos sobre a rentabilidade do ativo financeiro.

Uma forma de minimizar o risco e buscar resultados é diversificar o investimento em diferentes títulos, não colocar todos os ovos na mesma cesta.

 

Fundos de investimento

Uma forma interessante de diversificar é comprando cotas de fundos de investimentos de renda fixa, pois terá um gestor comprando vários desses ativos financeiros já citados. Existem pessoas especializadas em escolher quais são os melhores ativos a serem comprados. Apesar dos Fundos não possuírem o FGC, o seu risco é diluído por possuir vários ativos diferentes e acompanhamento profissional. Outra vantagem do Fundo é a liquidez. Diferente de quando se compra um ativo financeiro diretamente, seja um título público, bancário ou um título de empresa, o investimento fica liberado em poucos dias caso tenha algum imprevisto e precise utilizar o dinheiro.

Existem fundos de liquidez diária ou que demoram de sete a 60 dias para liberação, dependendo do tipo de gestão.

Os títulos de renda fixa possuem prazos de contratação e, embora você possa sair no meio do caminho, no mercado secundário pode acontecer algum tipo de perda na precificação de saída antecipada.

 

Ale Boiani é CEO, fundadora e sócia do 360iGroup.

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