‘Com alta de combustíveis, pressão inflacionária seguirá forte’

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Bomba de combustível (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Bomba de combustível (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Os preços dos combustíveis no Brasil têm aumentado há meses. O último reajuste foi no dia 18 de junho, quando a gasolina aumentou 5,18% e o diesel 14,26%. Após o anúncio, José Mauro Ferreira Coelho, que assumiu o comando da Petrobras em abril, pediu demissão e afirmou que os parlamentares irão discutir dobrar a taxação de lucros da empresa.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos o projeto que limita o ICMS sobre itens como diesel, gasolina, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. Com a sanção, os itens passam a ser considerados como essenciais e indispensáveis. Isso impede que estados cobrem taxa superior à alíquota geral de ICMS, que varia entre 17% e 18%.

Segundo Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, o reajuste da gasolina e diesel, sem dúvidas, aumentará a pressão inflacionária, que chegará ao consumidor final via aumento de preços.

“Essa conta literalmente só aumenta e, ao que tudo indica, terá interferência por parte do governo até pelo aumento do consumo interno ser crucial para o desempenho do PIB em ano eleitoral. É um debate delicado, que alguém terá que ceder. Enquanto a Petrobras mantiver a política de preços atrelada à paridade internacional, continuaremos sentindo o reflexo dos ajustes do petróleo brent lá fora, o que não é exclusividade do Brasil. Até por isso, a atuação do governo deve ser de forma pontual e não enxugando a base de impostos em um momento em que o balanço do governo está mais apertado por conta da pandemia”, afirma.

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Segundo Idean Alves, depois da terceira troca de CEO da Petrobras em menos de dois anos, não só o governo, mas também o Congresso já demonstrou a sua insatisfação com a política de preços, falando-se inclusive em CPI e mudança na política. “Especialmente em ano eleitoral, no final do dia, tem que se ‘encontrar’ um culpado, e hoje está sendo a Petrobras, já que o Estado é o majoritário”, diz.

Apesar de o IPCA de maio ter mostrado que a inflação dos combustíveis desacelerou, Idean acredita que esse alívio foi apenas temporário até porque o aumento da gasolina e do diesel, além do ICMS zerado sobre gasolina, álcool e gás natural prometem provocar impactos no longo prazo na alta da inflação.

“A inflação de maio já foi reflexo da política de aperto monetário adotada pelo Copom desde de março de 2021, e que aos poucos vem surtindo efeito sobre a pressão inflacionária. Ainda é cedo para dizer que esse é um movimento que veio para ficar e que o Brasil atingiu os juros terminal, que seria o necessário para inverter de fato a curva de inflação. Então, devemos ter preços de combustíveis próximos ao patamar atual e, ao que tudo indica, com desoneração fiscal, mais subsídios pontuais por parte do governo, em especial aos caminhoneiros, como o auxílio de R$ 1 mil reais que está em debate”, afirma.

Aquém das expectativas, o consumo das famílias deve movimentar cerca de R$ 5,6 trilhões ao longo deste ano, no Brasil, o que representa um aumento real de apenas 0,92% em relação a 2021, a uma taxa positiva de 0,42% do PIB. A estimativa é do estudo IPC Maps 2022, especializado há quase 30 anos no cálculo de índices de potencial de consumo nacional, com base em dados oficiais. O levantamento mostra como o perfil empresarial brasileiro foi afetado, com o fechamento de mais de 1,1 milhão de empresas de 2021 para cá. Outro destaque é a Região Nordeste, que recupera a vice-liderança no ranking de consumo entre as regiões brasileiras.

Nesse contexto, as 27 capitais, embora com perdas em relação a 2021, aparecem respondendo por 29,07% do total de gastos no país; enquanto o interior mantém sua participação no consumo em 54,9% até o final deste ano.

O Brasil possui cerca de 215 milhões de cidadãos. Destes, 182,2 milhões moram na área urbana e são responsáveis pelo consumo per capita de R$ 28.708, contra R$ 12.614 gastos individualmente pela população rural.

Tradicionalmente, a classe B2 lidera o panorama econômico, representando cerca de R$ 1,2 trilhão dos gastos. Junto à B1, pertencem a 20,8% dos domicílios, assumindo 38,8% (mais de R$ 2 trilhões) de tudo que será desembolsado pelas famílias brasileiras. Presentes em quase metade das residências (47,9%), C1 e C2 totalizam R$ 1,9 trilhão (36,4%) dos recursos gastos. Já o grupo D/E, que ocupa 28,8% das moradias, consome cerca de R$ 557,8 bilhões (10,7%). Embora em menor quantidade (apenas 2,5% das famílias), a classe A vem, cada vez mais, se distanciando socialmente dos menos favorecidos e ampliando sua movimentação para aproximadamente R$ 740 bilhões (14,1%).

Já na área rural, o montante de potencial de consumo esperado é de R$ 411,7 bilhões (7,3% do total) para este ano.

Com uma pequena contenção, o Sudeste continua liderando o ranking das regiões, respondendo por 49% do consumo nacional. Como já mencionado, o Nordeste volta a ocupar o segundo lugar no ranking das regiões, ampliando sua representatividade para 18,2%. Já, a Região Sul que, havia crescido na pandemia, regrediu para 17,9%. Assim como no ano passado, o quarto lugar segue ocupado pelo Centro-Oeste, reduzindo sua fatia para 8,5%, e por último, vem a Região Norte, que amplia sua atuação para 6%.

O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros equivale a R$ 2,2 trilhões, ou 39,5% de tudo o que é consumido no território nacional. De 2021 para 2022, os 12 principais mercados se mantiveram em suas posições, sendo, em ordem decrescente: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Goiânia, Manaus, Campinas e Recife. Outras capitais, como Belém (13º), Campo Grande (16º) e São Luís (20º) também se sobressaem nessa seleção, bem como as seguintes cidades metropolitanas ou interioranas: Guarulhos (14º), São Bernardo do Campo (15º), Ribeirão Preto (18º) e Santo André (19º), no Estado de São Paulo; e São Gonçalo (17º) e Duque de Caxias (28º), no Rio de Janeiro.

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