Com baixo crescimento econômico, como fica o comércio exterior em 2023?

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Porto do Rio de Janeiro (Foto: Wang Tiancong/ Agência Xinhua)
Porto do Rio de Janeiro (Foto: Wang Tiancong/ Agência Xinhua)

Pode-se esperar uma abertura maior da economia brasileira

 

O baixo crescimento para 2023 na economia brasileira já é um evento esperado por diversos economistas. De acordo com as projeções do último boletim Focus, o país deve crescer apenas 0,8%, versus crescimento de 2,9% registrado em 2022, segundo dados mais recentes divulgados pelo IBGE. Frente aos desafios que o país tem pela frente, como a alta da Selic, é comum o questionamento sobre o que esperar do comércio internacional brasileiro.

Em uma análise a partir da última crise (2012 a 2016), em que houve uma queda significativa do produto interno bruto brasileiro, é possível constatar também uma diminuição das exportações e importações brasileiras. Fato é que existe uma forte correlação entre o crescimento do PIB e das transações comerciais internacionais no Brasil, indicando que uma retração geralmente é acompanhada por uma redução nas importações e exportações, e o mesmo acontece em sentido inverso, ou seja, quando o produto interno bruto registra crescimento, o comércio internacional brasileiro também aumenta.

Assim, a se confirmar a projeção do Boletim Focus e economistas, pode-se esperar também um baixo crescimento do comércio internacional brasileiro. No entanto, a despeito das previsões pessimistas, alguns fatores podem fazer com que essa relação não seja tão válida para este ano, o que, em último caso, pode resultar em boas surpresas quanto ao crescimento do PIB e volume do comércio internacional.

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Um primeiro fator é a melhora no cenário internacional, ajudada pela reabertura econômica da China, que pode ajudar a aumentar as exportações. Para efeito de comparação, só em 2022, a relação comercial entre ambos os países atingiu US$ 150 bilhões. Além disso, um cenário econômico mais favorável pode ajudar a diminuir o valor do dólar, contribuindo também para o aumento das importações, sobretudo pelas PMEs. Com um caixa menos robusto em comparação às grandes empresas, esse grupo de importadoras são mais impactadas pelas oscilações da moeda americana.

Além disso, apesar de ainda ser um país relativamente fechado para a economia internacional, o Brasil tem aumentado a relação entre as exportações e importações em relação ao PIB. Em 2013, o valor das exportações em relação ao PIB era de aproximadamente 9%, enquanto o valor das importações era de 10%. Em 2022, esses valores registraram um aumento significativo, saltando para 20% nas exportações e 16% nas importações.

Por isso, mesmo considerando os desafios econômicos internos, pode-se esperar uma abertura maior da economia brasileira ao comércio internacional. Ademais, mesmo com a projeção de baixo crescimento econômico, ainda podemos ter desenvolvimento, mesmo que pequeno, no comércio internacional brasileiro.

 

Leonardo Baltieri é fundador e co-CEO da Vixtra.

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