Com Bolsonaro hospitalizado, avaliação negativa do governo diminui

Redes, majoritariamente, rejeitaram vitimização; apenas convertidos ao bolsonarismo se sentiram tocados.

Pesquisa da Exame/Ideia divulgada nesta sexta-feira mostrou que a saúde do presidente Jair Bolsonaro influenciou os últimos números do levantamento. Hoje, 51% acham que Bolsonaro é ruim ou péssimo, na sondagem da semana anterior este número estava em 57%.

Os que avaliam o governo como ótimo ou bom saíram de 20% para 26%. Os que avaliam como regular eram 22% na pesquisa do dia 8 de julho, e agora são 20%.

O estudo ainda revelou que 59% dos brasileiros acham que o ritmo de vacinação aumentou nos últimos 30 dias. Isso ocorreu principalmente pelo fato de grande parte da população estar recebendo a primeira dose, ou ainda a dose única da imunização.

Mas mesmo com o avanço da imunização, para 47%, o aumento da velocidade não influenciou positivamente a avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro. Dentre os entrevistados, 24% dizem que o ritmo de aplicação da vacina melhorou a percepção sobre o governo.

O levantamento ouviu 1.258 pessoas entre os dias 12 e 15 de julho. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Já estudo da Modalmais com AP Exata apontou que após uma fase extremamente negativa, quando ocorreu uma fissura na bolha militante do governo, devido às denúncias de corrupção envolvendo a compra de vacinas, a base bolsonarista voltou a ficar coesa, reduzindo o índice de avaliação negativa da gestão, que chegou a ficar próximo dos 50%. No entanto, parte dos eleitores passou a ver o governo como vulnerável à corrupção, o que fez com que os índices de bom/ótimo permanecessem abaixo dos 30%.

A recuperação da base bolsonaristas se deu a partir de um forte trabalho nas redes sociais, que buscou reduzir o peso das denúncias, com o argumento de que não foram compradas doses da Covaxin e que as críticas fazem parte de uma campanha da esquerda e do establishment para evitar a reeleição do presidente da República.

Mas, apesar da estratégia ter evitado uma debandada no seio bolsonarista, o fato mostrou que o governo está fragilizado e que a narrativa contrária começa a penetrar na bolha de apoio ao presidente da República. Algo que até então não havia ocorrido de forma substancial.

A internação durante a semana mostrou que Bolsonaro perdeu a capacidade de criar comoções gerais no país, como havia ocorrido no episódio explorado como facada, em 2018. Desta vez, a tentativa do uso da condição de saúde do presidente da República para atacar a esquerda e tentar comover o país não surtiu o efeito desejado pelos estrategistas do governo. As redes, majoritariamente, rejeitaram a vitimização, o que fez as menções negativas ao presidente subirem exponencialmente, atingindo picos de 73% no Twitter.

Apenas convertidos ao bolsonarismo se sentiram tocados, o que fez com que o sentimento de tristeza crescesse cerca de dois pontos ao longo da semana. O pedido de orações pelo presidente foi muito compartilhado entre os apoiadores.

A oposição considerou todo o episódio uma farsa para distrair o público das revelações da CPI da Pandemia e não mostrou compaixão. Eles reforçaram que o clã Bolsonaro estaria fazendo aproveitamento político da saúde do presidente da República e utilizaram frases ditas por Bolsonaro durante a pandemia, para comentar o episódio. “E daí?”, “Não sou coveiro”, “Chega de frescura, de mimimi”, “Vai ficar chorando até quando?” e “Tem que deixar de ser maricas” foram as mais usadas.

Muitos opositores disseram torcer pela recuperação do presidente da República, para que ele “seja preso” e “pague” pelo que consideram crimes cometidos.

Os sentimentos de medo e tristeza dominaram os posts que mencionaram Bolsonaro, e a confiança caiu abruptamente. Os valores parecem estar em recuperação nesta sexta-feira.

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