Com estatização, Bolívia lidera crescimento na América

País se livrou do FMI e renacionalizou o petróleo, medida combatida por Mesa, adversário derrotado por Morales em outubro.

Foram escolhas políticas, não um mero “boom de commodities”, que levaram a economia da Bolívia a liderar o crescimento na América do Sul nos últimos cinco anos. Em 2018, o Produto Interno Bruto per capita era 50% maior que em 2005, tendo crescido desde 2006 a uma taxa duas vezes maior que a média da América Latina. A pobreza foi reduzida em 42%, e a pobreza extrema ficou 60% menor desde a posse de Evo Morales, em 2006. A taxa de desemprego caiu de 7,7% para 4,4% em 2008, ficando em torno deste percentual em 2018.

Os dados constam de levantamento feito pela entidade norte-americana Center for Economic and Policy Research (CEPR), um think tank de Washington. “A Bolívia mostrou que é possível que um país pequeno e pobre da América do Sul faça progressos econômicos e sociais substanciais, com estabilidade macroeconômica, crescimento sólido de renda com redistribuição, por meio de uma mistura de políticas econômicas heterodoxas lideradas pelo Estado e os mercados”, disse Mark Weisbrot, codiretor do CEPR e coautor do relatório.

Em 2006, o governo boliviano encerrou uma fase de 20 anos de acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Muitas das políticas de sucesso implantadas no país após a posse de Morales haviam sido combatidas pelo FMI, incluindo a renacionalização dos hidrocarbonetos. Essa medida foi combatida pelo ex-presidente Carlos Mesa, destaca o CEPR. Mesa foi o candidato de oposição derrotado por Evo Morales nas eleições de outubro, motivo para o golpe de estado que derrubou o presidente.

Após oito anos de renacionalização do petróleo e gás, as receitas praticamente foram multiplicadas por sete, passando de US$ 731 milhões para US$ 4,95 bilhões. A produção havia dobrado por volta de 2013. A taxa de investimento ficou em média em 21,8% do PIB no período de 2014 a 2018. (A taxa de investimento no Brasil, que ficou em 20,5% na média do Governo Dilma, desabou para 15,5% no primeiro trimestre do Governo Bolsonaro. Em 2018, Governo Temer, aproximadamente 90% dos países apresentaram uma taxa maior do que a brasileira.)

O relatório observa que “desafios significativos permanecem” na diversificação dos mercados e produtos de exportação da Bolívia e na redução dos déficits em conta-corrente e do setor público, mas a dívida pública da Bolívia é “totalmente sustentável”.

 

Segurança e milícia

Segurança Pública no Rio de Janeiro será tema do Ciclo de Palestras do Corecon-RJ e Rede Pró-Rio nesta quarta-feira. O crescimento exponencial das milícias nos últimos anos gravou ainda mais a crise de segurança pública no estado, que se tornou um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico e social, refletem os organizadores.

Participarão do debate a cientista política Silvia Ramos (CESeC), autora de livros e artigos sobre o tema; João Trajano, professor-associado do Instituto de Ciências Sociais da Uerj e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência (LAV/Uerj); e Everton Gomes, do Programa de Pós-Graduação em Direito da Uerj (PPGD/Uerj).

A mediação ficará a cargo da economista Thais Custodio, moradora da Maré e pesquisadora na área. O debate começará às 18h, na sede do Corecon-RJ (Av. Rio Branco, 109, 19° andar, Centro).

 

Guedes heterodoxo

O BC quer taxas de juros menores no cheque especial. Pois a estatal Caixa anunciou uma “redução histórica” de 63% nos juros do especial, para 4,99% ao mês. Igual ao que fez Dilma, criticada pelos economistas que hoje estão no governo. (Ah, a inflação está em 3% ao ano).

 

Rápidas

As Centrais Sindicais farão nesta quarta ato unitário contra o pacote de maldades que prejudica a classe trabalhadora e os mais pobres. Será a partir das 9h, em frente ao Teatro Municipal, no Centro de São Paulo *** O Grupo Epicus expõe na 18ª Conescap, que ocorre entre estas quarta e sexta-feira em Vitória (ES) *** A especialista em liderança e desenvolvimento de pessoas Ana Paula Alfredo, sócia da consultoria Agrégat, realiza de 20/11 a 31/1 o programa “Pra Valer 2020”, com o objetivo de auxiliar pessoas na identificação de competências e no planejamento do futuro profissional. Inscrições: anapa[email protected] *** O presidente da Associação dos Supermercados do Rio (Asserj), Fábio Queiróz, dará palestra sobre “Varejo 4.0 – Tecnologia e Mercado” no Salão Nobre da Prefeitura de Itaboraí nesta quarta, às 14h.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Falta de servidores traz prejuízo, inclusive financeiro

Fila de segurados no INSS vai engrossar precatórios em R$ 11 bilhões.

Desmonte do Estado se dá pelas beiradas

Miçangas e espelhos empurram reformas administrativas nos municípios.

O que vale pros precatórios vale pra dívida interna?

Se calotes são defensáveis, poderiam ser estendidos para os títulos públicos.

Últimas Notícias

Distribuição comercial: quais cláusulas e condições mais importantes?

Por Marina Rossit Timm e Letícia Fontes Lage.

Mercado corre do risco em momento de estresse

Se tem uma coisa que o mercado é previsível é com relação ao seu comportamento em momentos de estresse é aversão ao risco. “Nessa...

Petrobras: mais prazo de inscrição no novo Marco Legal das Startups

Interessados em participar do primeiro edital da Petrobras baseado no novo Marco Legal das Startups (MSL) poderão inscrever-se até o dia 12 de dezembro....

Canal oficial para investidor pessoa física na B3

A partir desta sexta-feira, a nova área logada do investidor da B3, lançada em junho, passa a ser o canal que centraliza todas as...

Fitch Ratings atualiza metodologia de Rating de Seguros

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, publicou nesta sexta-feira relatório de atualização de sua Metodologia de Rating de Seguros. Segundo a agência,...