Com pandemia, diplomacia ganhou mais relevância

Conferência da Câmara Árabe apontou que relações diplomáticas fortes se tornaram mais necessárias no período.

Internacional / 12:13 - 25 de jun de 2020

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A diplomacia e a colaboração entre países ganharam um papel ainda mais relevante durante a pandemia da Covid-19. Como as relações diplomáticas ajudaram a manter próximos o Brasil e os países árabes na atual crise foi tema de webinar que a Câmara de Comércio Árabe Brasileira promoveu nesta quarta-feira, com participação de diplomatas brasileiros e árabes. A conferência virtual foi acompanhada por cerca de 800 pessoas do Brasil e exterior.

"Essas relações agora se tornam ainda mais necessárias e muito mais importantes", disse o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun. No encontro, o Itamaraty apresentou como deu continuidade às conversas com os governos árabes, de forma virtual, na pandemia. Hannun afirmou que a colaboração internacional tem sido particularmente importante no período, apesar das necessidades dos países de fechamento de fronteiras e interrupção de comércio de alguns produtos essenciais.

O subsecretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África do Ministério das Relações Exteriores, Kenneth da Nóbrega, contou que no primeiro momento da pandemia, o Itamaraty voltou-se principalmente para a repatriações de cidadãos, que já ultrapassaram 25,5 mil pessoas até o momento, mas que em seguida retomou a agenda diplomática com os países.

"A retomada com o mundo árabe foi especialmente vigorosa e incluiu, até o momento, teleconferências ou videoconferências, em nível ministerial, com a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait", afirmou. O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, programou, antes do surgimento da Covid-19, viagem a esses países em abril.

Nóbrega disse que o objetivo das conversas com Arábia Saudita, Emirados e Catar foi dar continuidade a assuntos da visita do presidente Jair Bolsonaro aos países em 2019. Com o Kuwait foram discutidos comércio e perspectivas de investimentos, cooperação em defesa e agronegócio. Bolsonaro deveria visitar o Kuwait neste ano, mas a possibilidade é incerta em função da Covid-19.

O subsecretário afirmou que marcará reuniões no curtíssimo prazo com suas contrapartes no Egito, Marrocos, Líbano e Jordânia. Estarão na agenda dos encontros a troca de informações e cooperação sobre a pandemia, sobre medidas econômicas e de cunho social adotadas e outros temas da relação bilateral. O Itamaraty já teve uma segunda conferência com Emirados, reunião do comitê interministerial para comércio e investimentos Brasil-Arábia Saudita e, em julho, haverá reunião de consultas políticas com o Egito. Segundo Nóbrega, o agronegócio e as exportações terão destaque na reunião com o Egito. No webinar, o subsecretário lembrou que os embarques do agronegócio brasileiro se mantiveram na pandemia e para alguns países se expandiram. "É fruto da resiliência da cadeia produtiva do nosso agronegócio e coloca o Brasil como país que cumpre a responsabilidade de um grande exportador de produtos agrícolas de assegurar a segurança alimentar dos seus parceiros", disse Nóbrega.

O vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, o diplomata Osmar Chohfi, que mediou os debates do webinar ao lado do secretário-geral da entidade, Tamer Mansour, lembrou da complementariedade entre Brasil e países árabes no comércio exterior. O Brasil exporta alimentos ao mercado árabe e os árabes são importantes fornecedores dos fertilizantes usados na produção deles.

"O bom desempenho do setor agropecuário do Brasil fez com que os adubos e fertilizantes pela primeira vez se tornassem o principal produto da pauta das exportações árabes ao Brasil, tendo somado US$ 778 milhões de janeiro a maio. Se torna evidente a complementariedade das exportações árabes e brasileiras", disse Chohfi.

O diplomata citou os números da Organização Mundial de Comércio (OMC), de previsão de declínio entre 13% e 32% para o intercâmbio mundial de mercadorias em 2020, dependendo da duração da pandemia e efetividade de políticas públicas adotadas.

 

Com informações da Agência de Notícias Brasil-Árabe

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