Começando junho bem

Mesmo considerando os problemas da política e da Covid-19, ainda assim, a Bovespa registrou alta na semana passada.

Opinião do Analista / 11:14 - 1 de jun de 2020

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Começando nova semana e o mês de junho aparentemente com o pé direito. Mesmo considerando todos os problemas recentes da política e os trágicos recordes de óbitos e contágio pela Covid-19. Ainda assim, a Bovespa registrou alta na semana passada de 6,36% (índice em 87.402 pontos, enquanto o dólar observou queda de 4,31% fechando a semana cotado em R$ 5,34. No ano, a Bovespa ainda perde 24,4% e o dólar mostra valorização de 33%, o que torna nossas ações atraentes diante de juros baixos ou negativos no mundo e dinheiro farto em todo o mundo.

Começamos a semana tendo que repercutir intensas manifestações nos EUA pela morte do negro George Floyd por um policial branco e desrespeitando o toque de recolher determinado. As manifestações atingem 30 estados e o presidente Donald Trump teve que se refugiar em um bunker da Casa Branca pelas manifestações em Washington.

Hoje os mercados reagem positivamente, com Bolsas asiáticas em boa alta (Xangai +2,21% e Hong Kong com +3,36%), Europa em alta forte nesse início de manhã e futuros do mercado americano com leve queda e já saindo das mínimas do dia. Aqui, a Bovespa pode voltar a ultrapassar os 88 mil pontos e tentar mirar no objetivo de 92 mil pontos.

Motivo fica por conta da interpretação que as restrições impostas pelos EUA foram brandas (falava-se em tarifação de produtos) e ainda pela retomada da economia chinesa. Na China, o PMI Caixin de pequenas empresas registrou alta para 50,7 pontos (49,4 pontos e também o PMI de serviços de maio subiu para 53,6 pontos. Lembramos que indicadores acima de 50 pontos mostram expansão da atividade. Mas hoje surgiram notícias de que a China tinha deixando de importar produtos agropecuários dos EUA, incluindo soja, o que de certa forma é positivo para o Brasil.

Também tivemos indicadores de atividade industrial para a Alemanha em maio com alta para 36,6 pontos, na Zona do Euro com alta para 39,4 pontos e no Reino Unido alta para 40,7 pontos; todos muito próximos do previsto, mas ainda mostrando contração da atividade.

No mercado internacional, dia de petróleo WTI em queda de 0,62% em Nova Iorque, com o barril cotado a US$ 35,27, mas já afastado das mínimas do dia. O euro era transacionado em alta para US$ 1,11 e notes americanos com juros em queda para os títulos de 10 anos e taxa de 0,65%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, mercados complicados por declarações de final de semana de Rodrigo Maia, Celso de Mello e Gilmar Mendes; todas muito duras destacando manifestações antidemocráticas ocorridas e a presença do presidente em tais manifestações. Celso de Mello chegou a comparar ao período de ascensão do nazismo na Alemanha. Ao mesmo tempo, o presidente negocia cargos com o Centrão e entregou o Banco do Nordeste (BNB) ao PL de Valdemar Costa Neto. A pandemia por aqui registra mais de 500 mil infectados e quase 30 mil mortes, tendo ultrapassado a França.

Na economia, a FGV anunciou o IPC-S de maio em deflação de 0,54% (anterior em -0,18%), chegando o ano a inflação de 0,20% e em 12 meses de 1,83%. A confiança empresarial de maio subiu 9,8 pontos para 65,5 pontos e as expectativas com alta de 11,5 pontos, para 63 pontos.

No mercado, a expectativa é de Bovespa operando em alta, dólar em queda de juros em alta. Mas na semana ainda teremos dados importante a serem anunciados como a decisão do Banco Central Europeu (BCE) e o payroll (criação de vagas nos EUA) durante o mês de maio. Também é de se esperar que Trump eleve o tom de seu discurso, já que vem perdendo espaço para o opositor na Presidência Joe Biden.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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