Começando no positivo

Segunda teve todos os ingredientes para ser de queda, partindo da tensão política existentes nos EUA e no Brasil.

Opinião do Analista / 10:26 - 2 de jun de 2020

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O dia de ontem tinha todos os ingredientes para ser de queda para os mercados de risco, partindo da tensão política existentes nos EUA e no Brasil. Nos EUA, manifestações correndo soltas por conta da morte de George Floyd por um policial e a tensão diplomática entre EUA e China, tendo como vertente o plano de segurança chinês para Hong Kong, que, na prática, acaba com a província autônoma e fere protocolos.

Aqui, o final de semana foi de tensão política, com declarações duras de ministros do STF, manifestações violentas em São Paulo, presidente da Câmara também condenando e o presidente Jair Bolsonaro congratulando manifestantes que empunhavam cartazes antidemocráticos.

Então, qual a explicação para a performance positiva dos mercados? Antes de tudo a enorme liquidez internacional como forma de combater os impactos econômicos da Covid-19. Na mesma direção, a situação de juros baixos em todo o mundo, que acaba forçando a canalização para os mercados de risco. Como coadjuvante de processo, ainda tivemos dados positivos de retomada da recuperação na China (indicadores PMI), reabertura progressiva de economias pelo mundo e anúncio de desenvolvimento de vacinas e medicamentos mais eficientes para conter o vírus. Podemos interpretar como um pregão de consolidação.

O dia também começou mais ameno, com o presidente Donald Trump chamando os governadores mais fracos no combate às manifestações pedindo maior repressão. Por aqui, Bolsonaro também mudou sua estratégia e passou a pedir que seus apoiadores não montem manifestações para esse próximo final de semana. Isso ajudou a tirar a tensão dos investidores.

No cenário externo, como já tínhamos comentado na abertura, tivemos indicadores positivos de atividade industrial na China, Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido; e depois no Brasil com o PMI industrial de maio subindo para 383 pontos, vindo de 36 pontos e o dos EUA em alta para 39,8 pontos.

O indicador ISM da atividade industrial de Chicago também em alta para 43,1 pontos; mas ambos mostrando contração da atividade, já que ficaram abaixo de 50 pontos. Ainda nos EUA, os investimentos em construção de abril encolheram 2,9%, mas a previsão era de queda de 5,8%.

Já a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) também deu tom positivo, antecipando a reunião de seus membros para 4 de junho, em que existem boas chances de os cortes serem prorrogados até 1º de setembro. A Organização Mundial de Saúde (OMS) noticiou que já são mais de 6 milhões de infectados pela Covid-19 no mundo e os óbitos ascendendo a mais de 370 mil.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,90%, com o barril cotado a US$ 3 5,17. O euro era transacionado em alta para US$ 1,11 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,65%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago. O minério de ferro é que teve queda durante a madrugada na China, mas consegui manter a tonelada acima de US$ 100.

Aqui, o IPC-S de maio registrou deflação de 0,54% (anterior em -0,18%, com a inflação do ano em 0,20% e em 12 meses com +1,83%. Já a pesquisa Focus não veio com muitas alterações para pior. A inflação projetada para 2020 caiu para 1,55% (de 1,59%), taxa Selic estável em 2,25% para final do ano e 3,38% em 2021 e PIB encolhendo mais para -6,25% (de -5,89%). Dólar de final de ano estável em R$ 5,40 e produção industrial melhorando um pouco para -3,58% (de -3,68%). O déficit em conta-corrente estimado em US$ 328,1 bilhões e superávit comercial em US$ 45,5 bilhões. O saldo da balança comercial em maio mostrou superávit de US$ 4,5 bilhões, acumulando no ano um superávit de US$ 16,3 bilhões.

O presidente do BC também prestou depoimento no Congresso, falando sobre saída de recursos de investidores estrangeiros do país ser maior que a média dos emergentes, queda a queda no Caged foi sem precedente, que o segundo trimestre será ainda pior e que as reformas estruturantes não estão paradas. Segundo ele, o grande desafio ainda é fazer com que o crédito chegue mais rápido nas pequenas e médias empresas.

No mercado, dia de DIs com comportamento misto para os juros e dólar pressionado, fechando em +0,93% e cotado a R$ 5,388. O BC teve que realizar dois leilões de moeda à vista injetando US$ 530 milhões. Na Bovespa, na sessão de 28 de maio, os investidores estrangeiros voltaram a alocar recursos no montante de R$ 185,4 milhões, deixando o saldo acumulado de maio ainda no negativo em R$ 6,22 bilhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de 75,6 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 1,48% para a Bolsa de Londres, Paris com +1,43%, e Frankfurt sem operação por conta de feriado. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,76% e 1,79%. No mercado americano, o Dow Jones com +0,36% e Nasdaq com +0,66%. Na Bovespa, dia de alta de 1,39% e índice em 88.620 pontos. Máxima de ontem chegando a atingir 89.019 pontos.

A agenda desta terça é fraca e os mercados vão ficar mesmo por conta do noticiário internacional. Em compensação, de quarta em diante teremos a produção industrial de abril, a reunião do Banco Central Europeu (BCE) sobre política monetária e payroll americano de maio com o índice de destruição de vagas de emprego no período.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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