Comércio atira no alvo errado

O que atrapalha a economia é o austericídio, vírus que paralisa o país desde 2015.

O confinamento demonstrou a todos, na prática, o que os economistas ensinam: sem trabalho humano, nada de capital. Os empresários, mesmo os que não são chegados a teoria, sabem disso e estão corretamente preocupados com a paralisação dos negócios. Mas voltam seus canhões para o alvo errado.

A Alshop, que reúne grandes redes de lojas nos shopping centers e que no final de 2019 se envolveu em uma polêmica sobre alta das vendas (os números excessivamente otimistas foram derrubados pela realidade) cobra das autoridades um plano para a reabertura gradual do comércio, citando prejuízos de R$ 20 bilhões em pouco mais de 40 dias de lojas fechadas. Há 105 mil lojas de shopping fechadas em um setor que emprega cerca de 1,5 milhão de pessoas.

A entidade ataca os governadores, por não terem dado alívio significativo nos impostos (ICMS e IPTU) e vê como positivas as medidas tomadas pelo Governo Federal. Se está realmente preocupada com empregos e com a saúde das pessoas, deveria cobrar a aprovação sem vetos da ajuda financeira aos estados e municípios proposta pela Câmara dos Deputados, mas que o ministro Paulo Guedes tenta barrar no Senado ou então via canetada do presidente.

É a União que tem a chave do cofre e comanda as impressoras da Casa da Moeda. Assim está sendo feito em todos os países, a começar pelos Estados Unidos, tão idolatrados pelo atual governo brasileiro. Se os empresários querem ver garantidas saúde e economia, devem começar a defender a liberação de recursos para trabalhadores e empresas. O que foi feito até agora é limitado (pelo alcance) e modesto (pelo valor). Pior, com uma ação descoordenada e errática, fica a sensação de insegurança – e não se vê em lugar algum do mundo consumidor ir às compras inseguro.

 

Soldados

A Alshop compara a reabertura das lojas dos shoppings com o funcionamento de supermercados e farmácias “que estão abertos e funcionam sem aglomeração”. Posso estar enganado, mas parece haver distinção entre produtos de alimentação e remédios, essenciais ainda mais numa pandemia, e ir às compras para comprar uma calça de uma grife da moda.

Se desejam tanto ajudar, os donos das lojas e franqueados poderiam ir eles próprios abrir os estabelecimentos, de carro, com luva, máscara e álcool gel, deixando os trabalhadores – que usam transporte coletivo – seguros em casa. Se aparecerem consumidores, poderão faturar algum.

Sem testes, sem controle de quem está infectado, ficar dando uma de general, mandando o soldado para a guerra, é fácil.

 

Clarice

Em celebração ao Dia Internacional do Livro e em homenagem à escritora Clarice Lispector, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realizará, nesta quinta-feira, a Festa Digital do Livro. Serão 18 horas ininterruptas de lives com palestras, debates, entrevistas, recitais, filmes e programas de rádio e TV. O universo do escritor irlandês James Joyce, uma das inspirações de Clarice, está relacionado à duração do evento. Em seu clássico Ulisses (1922), Joyce leva seu personagem principal em uma viagem de 18 horas por Dublin.

Ucraniana naturalizada brasileira, a escritora é uma das autoras mais importantes internacionalmente do século 20 e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Por isso, também, a cultura judaica integra a tríade de temas centrais.

A iniciativa é coordenada pela Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca). O evento começará às 6h e seguirá até a meia-noite no endereço eletrônico flidfundaj.com.br

 

Mito

O grande inimigo da verdade não é muito frequentemente a mentira – deliberada, controvertida e desonesta, mas o mito – persistente, persuasivo, e não realista.” John F. Kennedy, em discurso na cerimônia de formatura na Universidade de Yale (1962).

 

Rápidas

O projeto Café com Comex, da M2Trade, terá bate-papo com Fabrício Silva, professor de Gestão Internacional da PUC-RJ (terça), e com Márcio Sette Fortes, conselheiro da AEB e professor do Ibmec (quinta), sempre às 17h, no Instagram  *** O Grupo Cia de Talentos fará a Maior Live de Carreira do Mundo, quarta e quinta, com a participação de executivos de empresas como Unilever, PwC, Next, Cargill, Burguer King, Itaú, Suzano, McKinsey, Linkedln e Embraer, e de nomes como Bernardinho, Nizan Guanaes, Luiza Helena Trajano e outros, na plataforma YouTube da Cia de Talentos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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