

O Conselho Empresarial Brasil-China reuniu no mês passado representantes do agronegócio, mineração, energia e comércio para analisar os desafios e as oportunidades da relação econômica bilateral num cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, mudanças tecnológicas e reorganização das cadeias globais.
O webinário “O Futuro do Comércio Brasil-China” aconteceu em um momento de forte dinamismo nas trocas entre os dois países. Em 2025, a corrente de comércio Brasil-China atingiu US$ 171 bilhões, com a China mantendo-se como principal destino das exportações brasileiras e maior origem das importações do país.
No agronegócio, Marcos Jank, coordenador do Centro Insper Agro Global, destacou que o setor brasileiro tem demonstrado grande capacidade de adaptação e competitividade, mesmo em um cenário internacional marcado por conflitos e novas barreiras comerciais.
“A diversificação e o avanço tecnológico das commodities brasileiras são um triunfo do Brasil. Temos uma capacidade produtiva muito elevada e, em muitos casos, estamos nos saindo melhor que os Estados Unidos, justamente por essa competitividade”, afirmou. O próximo passo, segundo ele, é ampliar a agregação de valor às exportações agrícolas. “Existem várias cadeias dentro do agro que permitem isso, especialmente na carne”.
O especialista alertou, no entanto, para a vulnerabilidade do Brasil em relação ao fornecimento de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, cuja cadeia global depende fortemente do Oriente Médio e da China.
No campo da mineração, Luciana Brum, gerente de Relações Externas da Vale, ressaltou que a transição energética tende a ampliar significativamente a demanda por minerais estratégicos. e o Brasil tem vantagem devido a sua diversificação mineral.
Segundo ela, o avanço dos planos chineses de eletrificação da frota de veículos e descarbonização deve ampliar ainda mais esse mercado: “À medida que a China avança em seus planos de transição energética, esse mercado se expande.”
Brum também destacou o potencial brasileiro em minerais utilizados na indústria siderúrgica e em cadeias industriais associadas à transição energética: “O Brasil tem grande potencial em minerais estratégicos, especialmente no minério de ferro de alto teor, no qual já possui volume, capacidade produtiva e vantagens competitivas relevantes. À medida que a China avança em seus planos de eletrificação e transição energética, há uma oportunidade importante para o Brasil fortalecer seu papel nesse fornecimento e buscar formas de agregar mais valor a essa cadeia”, afirmou.
*Colaborou na nota Andrea Penna
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