O presidente Lula embarca hoje para Washington, onde tem um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump. Comércio e combate ao crime organizado são os principais temas da reunião que está marcada para esta quinta-feira, na Casa Branca.
O governo brasileiro vai aproveitar a oportunidade para mostrar o que tem feito visando ao combate às organizações criminosas. No mês passado, Brasil e EUA anunciaram um acordo de cooperação mútua visando a combater o tráfico internacional de armas e drogas.
A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Outros temas podem surgir durante a reunião de trabalho, inclusive sobre geopolítica e exploração de terras raras e minerais críticos.
O encontro vinha sendo negociado pelas equipes dos dois presidentes e foi fechado há alguns dias. A princípio, Lula viaja apenas para a conversa com Trump e deve embarcar de volta ao Brasil após o encontro.
Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em entrevista à EBC, Durigan disse ter a expectativa de que a viagem aos EUA ajude a normalizar a relação entre os dois países, ainda que haja forças de oposição atuando contra.
“Minha expectativa é que a gente siga normalizando a relação bilateral com os EUA. A gente não pode admitir que elementos estranhos, que inclusive joguem contra o país, fiquem criando problema para a população brasileira”, disse.
O ministro reiterou que, no encontro com as autoridades americanas, o governo brasileiro informará que vai fazer uso de medidas de reciprocidade, caso os EUA venham a aplicar tarifas por razões políticas contra o Brasil.
Ele disse, também, que o governo brasileiro reiterará sua disposição em seguir combatendo o crime organizado, de forma colaborativa, como sempre fez.
Amcham: exportações aos EUA têm a menor participação para primeiro trimestre
As exportações somaram US$ 7,8 bilhões no período, redução de 18,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Com isso, os EUA passaram a responder por 9,5% das exportações brasileiras – o menor nível da série histórica iniciada em 1997.
“A mínima histórica da participação dos EUA na pauta exportadora brasileira neste primeiro trimestre reforça a importância de avançar no diálogo bilateral. Há espaço para reverter essa tendência, como indica a desaceleração da queda das exportações em março, mas isso dependerá de entendimentos que evitem novas restrições ao comércio entre os dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).
O resultado no trimestre contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (3,5%) e para parceiros relevantes, como China e União Europeia. A corrente de comércio bilateral somou US$ 17 bilhões, queda de 14,8%, refletindo a retração tanto das exportações quanto das importações. Apesar do recuo, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.
Apesar do desempenho negativo no trimestre, os dados de março indicam desaceleração da queda. As exportações recuaram 9,1% no mês (ante -18,7% no trimestre), sendo que sete dos 10 principais produtos exportados registraram crescimento, com destaque para petróleo bruto (321%), aeronaves (85,8%) e máquinas elétricas (73,4%).
Além disso, as exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% no mês. A melhora está associada, ainda que parcialmente, à redução das tarifas após a decisão da Suprema Corte dos EUA no final de fevereiro.
O levantamento da Amcham indica que 86% das empresas seguem apreensivas sobre o risco de novas restrições comerciais, indicando nível considerável de incerteza nos negócios bilaterais.
Já as importações brasileiras provenientes dos EUA somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%, concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Excluindo esses itens, o fluxo de importações permanece resiliente.
Com informações da Agência Brasil
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