Comércio eletrônico: mais jovens preferem IA a recomendador humano

Vendas virtuais registram alta de 35,81% nas vendas em março frente a fevereiro; faturamento no período teve crescimento de 33,06%.

No final de 2020, estudo da Ilumeo avaliou aproximadamente 2 mil pessoas que haviam tido interações recentes com algum tipo de recomendador. Os resultados da pesquisa apontaram que cerca de 80% daqueles que fazem compras pela internet têm disposição de aceitar ajuda de uma Inteligência Artificial para tomar sua decisão de compra, enquanto cerca de 20% das pessoas já têm a intenção de delegar a escolha como um todo. Quando analisados os brasileiros que têm uma alta frequência de compras virtuais, esse número cresceu para 32%. Nesse segundo grupo, 32% dos usuários inclusive demonstram maior intenção de delegar a escolha para uma IA do que para um recomendador humano (31%). Isso acontece pela percepção geral positiva que as pessoas têm desses agentes de recomendação, com 65% das pessoas declarando que acham útil um recomendador via IA, enquanto a mesma percepção em relação a humanos é apenas 4% maior. Já entre os jovens de 18 a 24 anos, a relação se inverte: 66% dos usuários mais novos acreditam que a recomendação feita por IA é útil, enquanto 64% têm essa percepção em relação a humanos.

Ao menos 25% têm propensão a pagar mais por um serviço que tenha um recomendador. Esse número vai para 38% entre aqueles que têm maior frequência de compras virtuais. Desses, inclusive, 38% declararam que pagariam mais por recomendações de robôs, enquanto 36% aceitariam acréscimos por sugestões de humanos. Isso significa que as recomendações são bem aceitas e o consumidor está contando com elas para suas decisões de compra. Hoje, em torno de 50% dos respondentes do estudo declaram confiar nas recomendações por IA e acreditam que elas são personalizadas para eles. Fazendo o recorte apenas entre aqueles que têm alta frequência de compras pela internet, esse número sobe para 58%; além disso, 60% dos entrevistados mais novos acham que elas se sobressaem aos humanos (56%). Até por isso, 64% deles declara que os recomendadores robóticos apresentam uma alta performance, contra apenas 54% que declaram o mesmo em relação aos humanos.

No geral, 19% dos respondentes perceberam que há mais esforço para interagir com um recomendador humano, enquanto 17% sentiram o mesmo, mas com as máquinas. Para os jovens entre 18 e 24 anos, a percepção de esforço para interagir com humanos sobe para 25%. Porém, uma questão que o estudo leva em conta e faz toda a diferença na interpretação dos resultados é que a preferência por humanos ou robôs varia muito de acordo com o tipo de categoria de consumo. Enquanto, por exemplo, as máquinas já comandam aquelas associadas a momentos de lazer, e que são menos complexas, como streaming de filme (37%), de música (39%) e aplicativos de mobilidade (40%), os humanos ainda seguem na frente com alimentos para casa e produtos para construção e reforma, com apenas 12% dos respondentes preferindo IAs nessa categoria.

As vendas praticadas pela internet continuam em evolução e registrando crescimento no Brasil. Ao comparar as vendas de março com fevereiro, a expansão foi de 35,81%. Considerando a mesma base de comparação, o faturamento do setor também teve alta: 33,06%. Os dados são do índice MCC-Enet, desenvolvido pela Neotrust Movimento Compre & Confie, em parceria com o Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net).

Ao comparar as vendas virtuais de março de 2021, em relação ao mesmo mês do ano passado, o aumento foi mais significativo: 72,56%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação positiva foi de 88,08%.

O faturamento das lojas virtuais também teve alta na comparação entre março deste ano com o mesmo período de 2020: 86,68%. A composição, por região, na comparação de março ante fevereiro, ficou da seguinte forma: Sul (43,25%), Centro-Oeste (40,33%), Nordeste (34,76%), Sudeste (29,75%) e Norte (25,62%). Já no acumulado dos últimos 12 meses, os resultados foram: Nordeste (137,75%), Norte (128,45%), Centro-Oeste (120,59%), Sul (114,10%) e Sudeste (91,79%).

O comércio eletrônico representou 10,6% do varejo restrito (exceto veículos, peças e materiais de construção), em fevereiro de 2021. No acumulado dos últimos 12 meses, nota-se que a participação do comércio eletrônico no comércio varejista corresponde a 10,3%. Vale destacar que esse indicador foi feito a partir da última Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, divulgado no dia 13 de abril.

Em fevereiro de 2021, a composição de compras realizadas pela internet, por segmento, ficou da seguinte forma: equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (42,6%), móveis e eletrodomésticos (26,7%); e tecidos, vestuário e calçados (10,8%). Na sequência, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,4%), outros artigos de usos pessoal e doméstico (6,5%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,5%); e, por último, livros, jornais, revistas e papelaria (2,5%). Esse indicador também utiliza a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE como base.

Leia também:

Queda de faturamento atinge 82% dos MEI

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