Comércio eletrônico teve o primeiro baque depois do isolamento

Eletroeletrônicos, informática, moda e perfumaria & cosméticos tiveram queda; produtos de giro rápido mantiveram-se estáveis.

Conjuntura / 16:44 - 29 de mai de 2020

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As vendas virtuais no Brasil registraram retração de 5,1% na terceira semana de maio, na comparação com a semana anterior, causada pelo menor número de pedidos. Este foi o primeiro recuo desde o início da fase de isolamento social em março, segundo aponta o levantamento mais recente da Ebit Nielsen. Entre os segmentos com baixa performance na semana estão eletrodomésticos (-10,7%), eletrônicos (-5,4%), informática (-8,8%), moda & acessórios (-7,1%) e perfumaria & cosméticos (-6,9%). Apenas telefonia & celular registrou desempenho positivo, com leve alta de 1,9%.

Com ênfase nas vendas e crescimento desde o início da fase de restrições para contenção do coronavírus, a categoria de produtos de alto consumo ou giro rápido (FMCG, por sua sigla em inglês) tiveram comportamento estável entre os dias 19 e 25 de maio, em relação à semana anterior, com variação de -0,7%. Neste segmento, observou-se o aumento do prazo de entrega dos pedidos, saltando de 15 para 17 dias, depois de duas semanas com períodos de entrega menores.

Em giro rápido, os produtos com maior crescimento no período analisado foram: bebidas alcoólicas (+65%), tratamento para mãos e pés (+3,1%) e papinhas para bebê (+2,8%). Entre os itens com maior retração na semana, estão bronzeadores (-32%), cesta básica (-31%) e água de colônia (-29%)

Pela frente, a Ebit Nielsen projeta um crescimento superior ao de 2019 para as vendas online do Dia dos Namorados. Segundo os dados da empresa, o período pré-Dia dos Namorados, em 2019, foi a sexta data sazonal mais importante do comércio eletrônico brasileiro. No ano passado, as Top 5 categorias de alto interesse para data foram: celular & smartphone, livros, TV, blusa feminina e vinho.

Em abril, as vendas realizadas virtualmente praticamente dobraram, com expansão de 98,74% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O isolamento social refletiu na forma de comprar do brasileiro. Outro dado positivo que evidencia essa mudança foi a alta de 81,64% no faturamento do setor, referente a esse mesmo período. Os dados são do índice MCC-ENET, desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) em parceria com o Movimento Compre & Confie.

Ao avaliar o desempenho das vendas no comércio varejista, de abril em relação a março de 2020, observou-se uma alta de 37,14%. No acumulado do ano, a variação continua positiva: 43,34%.

Na composição regional, pelo segundo mês consecutivo, o Sudeste se destaca. Ao comparar as vendas de abril de 2020 com o mesmo período do ano anterior, a região dobrou, com alta de 104,97%. Em segundo lugar, o Nordeste com 96,36%, seguido por Centro-Oeste (94,80%); Sul (79,71%); e Norte (66,68%).

No acumulado do ano a composição muda. Em primeiro, ficou o Nordeste (51,87%), seguido por Centro-Oeste (50,74%); Norte (41,97%); Sudeste (41,84%); e Sul (41,04%).

O índice de faturamento do setor acompanhou as boas movimentações das vendas. Em abril, ante o mês de março de 2020, a ascensão foi de 28,86%. No acumulado do ano, a variação positiva foi de 36,07%.

A comparação do faturamento, de abril de 2020 em relação ao mesmo mês do ano passado, ficou da seguinte forma por região: Sudeste (85,87%); Centro-Oeste (82,40%); Nordeste (81,34%); Sul (69,12%); e Norte (57,12%). No acumulado do ano, a configuração mudou: Nordeste (47,51%); Centro-Oeste (36,82%); Sudeste (34,55%); Sul (33,15%); e Norte (28,67%).

A composição de compras realizadas pela internet, por segmentos, em março, ficou da seguinte forma: equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (40,1%); móveis e eletrodomésticos (24,5%); e tecidos, vestuário e calçados (12,4%). Na sequência, outros artigos de usos pessoal e doméstico (10%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,3%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,8%) ;e, por último, livros, jornais, revistas e papelaria (1,9%).

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