As vendas do varejo físico brasileiro cresceram 1,3% em setembro na comparação com o mês anterior. De acordo com o Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian, essa foi a alta mais significativa registrada neste ano até agora.
“Embora esta tenha sido a variação mais positiva registrada em 2024 até o momento, os números da atividade do comércio físico devem ser bastante variáveis ao longo do ano. O setor continua enfrentando desafios, pois o poder de compra dos consumidores é impactado pela inflação e pelos juros que estão subindo e pesam no bolso da população. Além disso, muitos brasileiros estão em situação de inadimplência. Sem uma melhora mais consistente na renda dos consumidores, os aumentos nos gastos deverão continuar bastante modestos nos próximos meses”, explica o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.
A análise por setor revelou que veículos, motos e peças, marcou o maior crescimento em setembro, de 2,5%. Combustíveis e lubrificantes (-0,9%) e tecidos, vestuários, calçados e acessórios (-0,7%) foram os segmentos que registraram baixa no período.
No comparativo entre setembro deste ano e o mesmo mês de 2023, o crescimento das vendas do comércio físico foi de 3,7%.
Nesse cenário, o setor de veículos, motos e peças teve a maior expansão, de 8,1%, seguido por combustíveis e lubrificantes (7,4%), supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (3,3%), material de construção (3,1%), tecidos, vestuário, calçados e acessórios (1,6%) e móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e informática (0,8%).
Já as projeções econométricas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School mostram um aumento de 3,84% no quarto trimestre de 2024 em relação ao mesmo trimestre de 2023 e de estabilidade, em relação ao terceiro trimestre de 2024. Para os doze meses de 2024, projeta-se, neste momento, um aumento de 3,93%.
“Consta-se, portanto, uma recuperação das vendas nos segmentos monitorados pelo IBGE. Entretanto, os dados provenientes das redes sociais relativizam esses números. Ou seja, incluindo um conjunto de serviços pode-se ter uma visão menos promissora do volume de negócios. Dos 42 segmentos, considerando o histórico de vendas, registra-se um patamar alto das intenções de compra para apenas seis segmentos. A maioria posiciona-se em um nível baixo (52,4%). Além disso, para 31 segmentos, representando quase 74% do total, observa-se redução do volume comercializado para o próximo trimestre”, diz a análise.
Para Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, “esse resultado é consistente com as projeções econométricas para o último trimestre do ano (estabilidade em relação ao terceiro de 2024), porém claramente com um forte viés de baixa considerando uma visão do varejo devidamente ampliada. Portanto, em que pese o resultado positivo para o ano, segundo as projeções fundamentadas nas séries fornecidas pelo IBGE, pode-se afirmar que a evolução do varejo é instável, isto é, não se identifica, por enquanto, um crescimento sustentável das vendas ao consumidor final”.
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