Começou mal

A campanha deflagrada, a partir desta segunda-feira, pelo Banco do Brasil para se capitalizar, via mercado acionário, fornece exemplo emblemático do Brasil do cortes dos gastos públicos não-financeiros. Enquanto propaganda estrelada por Fernanda Montenegro conclama os brasileiros a serem sócios do BB, “com apenas R$ 200”, nas agências, funcionários, ainda que com boa vontade, mas sem informações essenciais, batiam cabeça, no primeiro dia da oferta, sem conseguir dar explicações aos interessados em adquirirem as ações do banco. Enquanto as notícias colhidas pela imprensa junto à direção do BB dêem conta de que a prioridade é para os já acionistas do banco, de Brasília, a central que trata do assunto informa às agências que a operação é restrita aos correntistas da instituição, sejam detentores ou não de BB ON.

Ficha limpa
A partir do próximo dia 4, quando termina o prazo de inscrição de candidaturas às Eleições 2010, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá divulgar uma relação contendo os nomes de políticos que não poderão concorrer ao pleito. A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) pediu ao TSE que exigisse dos candidatos, na hora da inscrição, uma declaração criminal mais detalhada para análise. E o TSE aprovou. Além disso, essa lista será pública.
Paulo Maluf, aliás, declarou nesta segunda: “A minha ficha é a mais limpa do Brasil”.

Copa verde
Não basta realizar a Copa, tem que ser politicamente correto. Por isso a Fifa criou o programa Gol Verde. “São diretrizes de economia de energia e água, reciclagem de lixo, compensação de emissões de carbono e uso de transporte coletivo explica a advogada, Roberta Leonhardt, sócia da área ambiental do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice. Aplicado pela primeira vez durante a Copa da Alemanha, em 2006, o gol Verde teria conseguido neutralizar 100 mil toneladas de dióxido de carbono – seja lá o que isso tem de benefício.
A Fifa solicita, por exemplo, que a eletricidade usada dentro dos estádios durante os eventos seja renovável Este tema estará em discussão no seminário internacional Infra-estrutura Brasil: Projetos e Oportunidades de Financiamento no Setor Esportivo, que começa nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Bolha da Jabulani
As atuações discretas de “astros”, como Cristiano Ronaldo, nos gramados da África do Sul – noves fora o apronto contra sparrings, como a Coréia do Norte – confirmam que, no modelo de negócios do futebol globalizado, a geração de valor é muito mais financeira do que técnica. Dentro desse desenho, a eleição do “melhor do mundo” cumpre o papel de profecia auto-realizável. Anualmente, algum jogador – sempre dos clubes mais valorizados do futebol europeu – é escalado para esse papel. Embora o título tenha validade, quase sempre, por apenas uma temporada, serve como um toque de Midas para aumentar cachês e alavancar contratos de publicidade. Nem todo mundo sabe, porém, que, por contrato, parte do dinheiro arrecadado com contatos publicitários é divida com os clubes em que jogam. Assim, mantém-se a bolha financeira do futebol globalizado.

Para o gasto
A seleção de Dunga está cada dia mais parecida com a política econômica. Apesar de não empolgar quase ninguém, o apagamento dos dissensos leva as platéias a tornarem-se céticas sobre a possibilidade de alternativas menos medíocres. E, do ponto vista eleitoral, diante da fragilidade dos adversários, é suficiente para conduzir a vitórias anódinas. E, assim, como o ufanismo vazio que incensa o presidente Lula à condição de estadista, certamente, não faltará quem, diante da eventual conquista do Mundial pela seleção brasileira, venha a exaltar Dunga como grande comandante e estrategista.

Globalização
Apesar da crise que explodiu o cassino financeiro, a exemplo da economia, a Copa do Mundo está cada vez mais globalizada, significando isso pasteurização e ausência de molho e brilho. É como se pelo menos 30 das 32 seleções que participam do Mundial fossem treinadas por Henrique Meirelles. Desse modo, arrancam aplausos e entusiasmo de patrocinadore$ e beneficiários e causam indiferença e apatia junto ao público.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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