Comitê do Fed: projeção para a política monetária segue inalterada

Bottom line – As minutas da última reunião do Fomc reforçam amplamente a tese de que o comitê vê sinais positivos na economia por conta do avanço da vacinação e aprovação do estímulo fiscal. Ainda assim, a leitura mostra conforto com a manutenção dos parâmetros de política monetárias adotadas até agora (juros, QE, AIT e forward guidance) com a perspectiva de que qualquer alteração ainda não foi discutida pelo comitê e será comunicada com ampla antecedência.

Nossa projeção para a política monetária permanece inalterada. Acreditamos que a possibilidade de redução no ritmo de compra de ativos será discutida e comunicada com ampla antecedência no segundo semestre deste ano, para ser iniciada no ano que vem. Ao ritmo de redução de compras de US$ 10 bi/mês, levará um ano para que o Fed termine o aumento do balanço. A partir daí, será razoável supor um período de dois a três trimestres para o início do ciclo de altas, o que sugere que o primeiro momento possível para alta de juros será em dezembro de 2023. Por enquanto, mantemos projeção da primeira alta em março de 2024.

 

Comentários – Sobre atividade, nota-se um comitê amplamente mais otimista, com aumento no ritmo da recuperação econômica e sinais otimistas em relação aos indicadores da pandemia. De forma geral, o avanço da vacinação e queda nas contaminações é visto como condicionante para a retomada.

Nota-se, no entanto, duas ressalvas relevante. A primeira refere-se ao fato da atividade e do mercado de trabalho encontrarem-se em patamares significativamente abaixo do consistente com o atingimento das metas do Fed. A segunda, relaciona-se ao impacto até agora desigual da recuperação da economia dentre os diversos segmentos da sociedade.

Há expectativa de que o estímulo fiscal ajude a amenizar ambas as questões, ao mesmo tempo em que os riscos de que ele (o estímulo) possa ter um efeito mais expansivo do que o antecipado também são elencados.

Sobre inflação, reforça-se a discussão de que o PCE deve passar 2% ao longo dos próximos meses e que pressões pelo lado da oferta podem contribuir para maior pressão nos próximos meses. Ainda assim, a aceleração inflacionária é vista como amplamente temporária e espera-se que, após uma queda em 2022, ela volte a evoluir de acordo com uma trajetória consistente com as metas do Banco Central. Destaca-se ainda que alguns membros elencam a possibilidade das principais forças de pouca inflação do ciclo anterior seguirem pesando sobre os preços.

Em todo o caso, a minuta deixa clara a expectativa de momento positivo na recuperação econômica. Frente a isso, chama atenção a pouca preocupação com o avanço da inflação e a disposição do Fomc em manter os parâmetros de política monetária inalterados.

De forma geral, a combinação dos elementos empregados pelo Fed é vista como um dos motivos por trás das condições financeiras acomodativas. Assim, comunica-se que qualquer perspectiva de retirada de estímulo (i.e., tapering) será comunicada com ampla antecedência. Por enquanto, o Fomc vê que ainda levará algum tempo até que seja alcançado “avanço significativo” em relação aos objetivos da instituição de forma a permitir retirada de estímulo.

Assim, nossa projeção para a política monetária permanece inalterada. Acreditamos que a possibilidade de redução no ritmo de compra de ativos será discutida e comunicada com ampla antecedência no segundo semestre deste ano, para ser iniciada no ano que vem. Ao ritmo de redução de compras de US$ 10 bi/mês, levará um ano para que o Fed termine o aumento do balanço. A partir daí, será razoável supor um período de dois a três trimestres para o início do ciclo de altas, o que sugere que o primeiro momento possível para alta de juros será em dezembro de 2023. Por enquanto, mantemos projeção da primeira alta em março de 2024.

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Felipe Sichel

Estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais

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Nau sem rumo

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