Como farsa

Apenas oito anos depois da tese farsesca das “armas de destruição em massa”, que serviu de álibi para os Estados Unidos se apossarem do petróleo do Iraque, o mesmo roteiro é mobilizado para justificar um ataque ao Irã, também grande produtor petrolífero. A diferença básica é que, à época, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se recusou a avalizar a argumentação facciosa da administração Bush, evitando arrastar o nome da organização para a mesma vala comum na qual a história registrará nomes como o de Colin Powell.

Estatizar já!
Em uma de suas cenas mais marcantes, o clássico Corações e mentes, de Peter Davis, sobre as atrocidades estadunidenses no Vietnã, mostra a reação de vietnamitas à surpresa provocadas na equipe de filmagem do documentários diante dos estragos provocados por um dos bombardeios efetuados pelos Estados Unidos: “Esses norte-americanos são engraçados. Eles jogam bomba na gente e depois se surpreendem com os efeitos”, ironizam. A mesma lógica se aplica ao espanto provocado em muitos analistas pelo prolongamento da agonia da Europa, em particular, nos que, em sua miopia política, culpam os gregos pela nova etapa da crise.
Emblematicamente, nem um deles menciona o fato de que a principal causa do salto no déficit público grego deveu-se aos gastos, na faixa de 11 dígitos, para evitar a quebra dos bancos locais, envolvidos nos ganhos fáceis do cassino global. Como em vez salvar o sistema financeiro, o governo, a exemplo de outros no restante na Europa e nos Estados Unidos, optou por garantir os privilégios dos donos dos bancos, a bomba relógio da crise não foi desmontada, apenas ficando momentaneamente amortecida.
A revelação pelo natimorto governo Papandreou de que a administração anterior, do direitista Nova Democracia, maquiara os números da dívida, serviu apenas de senha para o novo avanço dos especuladores, que passaram a exigir juros extorsivos dos gregos.. Em vez de encararem a realidade, de que a dívida grega, a exemplo, das demais da Zona do Euro, é impagável, nos termos e nos valores exigidos pelos credores, os tecnocratas da União Européia (UE) e do Banco Central Europeu (BCE) insistiram em priorizar o mensalão dos bancos, particularmente os franceses e alemães, a situação social grega caminha para a erosão social. Simultaneamente, a dívida se torna cada vez mais impagável, mesmo como o deságio de 50% imposto, depois de longa hesitação, aos bancos.
O mesmo panorama, em escala muito mais amplificada, se aplica às dívidas italiana e espanhola, o que replicará na saúde dos bancos de Alemanha e França, e, também dos EUA, estes grandes detentores de credit default swap (CDS) – uma espécie de seguro para o caso de não pagamento pelos bancos europeus. Para se chegar a essa conclusão não é preciso qualquer lampejo de genialidade, basta remover os antolhos ideológicos que transformaram a UE na Europa dos rentistas, em lugar da Europa dos europeus. A alienação da realidade, porém, não afastará a dura crise que se aproxima. Por isso, quanto mais cedo, os tecnocratas se curvarem ao choque de realidade, maior a chance de se organizar uma moratória negociada. Esta, porém, desta vez, terá de vir acompanhada de medida essencial, para evitar a recidiva da crise mais adiante: a estatização do sistema financeiro europeu, ou ao menos, dos bancos grandes demais para quebrar, se…não receberem dinheiro público. Embora possa soar como um anátema para os puristas do rentismo, será muito mais suave do que os efeitos da implosão, desorganizada, do sistema financeiro local.

Brizola e Vargas
Para o vice-presidente da Assembléia Legislativa do Estados do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT), as recentes declarações do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre a sua possível saída do comando da pasta foram exageradas. Na opinião de Ramos, o ministro Lupi “quer falar como Brizola e morrer como Vargas”.
O deputado estadual fez questão de frisar que o seu partido exige investigação: “O PDT não está envolvido nisso. O ministro Lupi tem o dever e a obrigação de disponibilizar todas as informações e documentos. Prefiro acreditar, inicialmente, que não haja o envolvimento direto do ministro. Mas quero uma investigação, diferentemente de outros que protegem seus quadros”, compara Ramos, para quem, a corrupção faz parte do sistema de governo: “Já está incorporada ao Estado, que abre mão de suas responsabilidades.”

Descruzar os braços
Ou a presidente Dilma entra para valer no debate sobre a redistribuição dos royalties do pré-sal, ou corre o risco de assistir à implosão da federação brasileira.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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