Como perder 1 bilhão e a soberania numa só tacada

Venda de ações da Petrobras deixa União com apenas 50,2% do capital da empresa.

Fatos e Comentários / 19:45 - 6 de fev de 2020

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Se o Governo Bolsonaro quisesse mesmo abrir a “caixa-preta” do BNDES, teria uma boa oportunidade investigando a monumental venda de ações da Petrobras que pertenciam ao banco. Encerrada nesta quinta-feira, a liquidação dos papéis reúne escândalos financeiro, estratégico e dano à soberania em uma só operação.

Vendo pelo lado financeiro, o BNDES vendeu ações ordinárias (com direito a voto) que detinha da Petrobras por R$ 22,06 bilhões. A fatia corresponde a 9,6% do capital da petroleira. A venda foi fechada a R$ 30 por ação; ao longo do dia, os papéis alcançaram a cotação de R$ 31,96, fechando a R$ 31,29, alta de 2,66% sobre a cotação de quarta-feira e valor 4,2% superior ao precificado pelo BNDES. Só aí, o Banco viu evaporarem R$ 913,202 milhões.

Mas analistas do mercado financeiro acreditam que a ação da Petrobras vai subir ainda mais. Cinco em cada seis recomendam compra (o sexto sugere manutenção em carteira). Os papéis das petroleiras estiveram em baixa nas últimas semanas, por conta da queda nos preços do petróleo a partir da especulação com o coronavírus.

Para pegar um exemplo do exterior, o preço das ações da Exxon está no ponto mais baixo em uma década. O banco Goldman Sachs reduziu sua meta de preço para as ações da Exxon para US$ 59, ante US$ 72 anteriormente. O BNDES, portanto, está vendendo um ativo quando o preço está lá embaixo, enquanto o mercado financeiro está comprando. Ótimo negócio (falta o complemento: para quem?)

Mais grave é a perda da soberania. O governo está se desfazendo da Petrobras à moda Jack, o Estripador. Liquida ativos estratégicos, vende ações – em pouco mais de seis meses, vendeu, indiretamente, quase 13% das ações ordinárias da Petrobras, em ofertas públicas na Bolsa. Hoje, a União detém 50,2% das ações com direito a voto, percentual mínimo acima do que determina a Lei do Petróleo.

Países que conseguiram fazer do petróleo uma alavanca para o desenvolvimento, como a Noruega, basearam seus modelos em petroleiras estatais. Os que se penduraram em companhias privadas estrangeiras viram a riqueza escorrer pelas mãos. Além disso, o governo abre mão de controlar um ativo estratégico, que já levou países como os Estados Unidos à guerra várias vezes. Como Trump e os EUA são o modelo dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto, a conclusão é que se trata de caso pensado, não de erro.

 

Culpa do Abreu

A Federação das Indústrias do Rio (Firjan), presidida por Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, reagiu à fiscalização realizada pelo Inea nesta quinta-feira em indústria na região do rio Guandu, principal fonte de abastecimento de água da capital e arredores.

A Firjan culpa “o baixo volume de investimentos em saneamento” pela queda na qualidade da água no estado. Atribui a degradação de rios e lagos ao lançamento de esgoto sanitário sem o tratamento adequado. Diz que as indústrias fazem rígido controle de resíduos e emissões. E conclui que o problema precisa ser abordado a partir de uma visão ampla e realista, “levando-se em consideração que a situação atual é resultado de décadas de negligência e descaso com a política de saneamento”.

Parece na linha da filosofia Homer Simpson (“não fui eu” e “quando cheguei já estava assim”).

 

Tração (des)humana

Uber experimenta uso de tuk-tuk (espécie de moto que transporta vários passageiros) em Vitória. Próximo passo poderia ser a adoção do riquixá, aquela carroça puxada por uma pessoa que era comum na Ásia. Estará completa a volta aos primórdios da Revolução Industrial, século XVIII.

 

Rápidas

O Hotéis Rio realiza nesta sexta, no Bar dos Descasados (Hotel Santa Teresa), a final do concurso “Melhor Caipirinha dos Hotéis Cariocas”. Entre os nove finalistas, o Fairmont Copacabana, Grand Hyatt e Hilton Barra, entre outros *** O professor José Eduardo Lutaif Dolci, médico otorrinolaringologista, assume nesta sexta o cargo de diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo *** O baile de Carnaval do Caxias Shopping acontecerá nesta segunda-feira, das 17h às 21h *** O Passeio Shopping apresentará neste sábado Chapeuzinho Vermelho, às 14h *** Julio Peclat toma posse como vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Nacional (SBACV).

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