Companhias aéreas dos EUA fatiam a classe econômica

Empresas / 15:21 - 14 de set de 2016

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As principais companhias aéreas dos Estados Unidos estão diversificando sua classe econômica, na expectativa de atrair todos os tipos de consumidores, em meio a um acirramento da concorrência de rivais conhecidas por seus descontos e uma queda na receita com passagens. De acordo com matéria do Wall Street Journal, a Delta Air Lines adotou primeiro a estratégia de “segmentação”. Há três anos, a empresa começou a testar o modelo que agora começa a implementar de forma mais ampla, dividindo as tarifas em três grupos: Econômica Básica, Cabine Principal e Delta Comfort+. A empresa quer competir com as rivais de baixo custo vendendo as passagens com mais benefícios aos clientes dispostos a pagar mais em vez de oferecê-las gratuitamente aos que voam com frequência e trocam suas milhas por passagens de classe superior. A American Airlines e a United Continental informaram que irão lançar serviços de várias categorias no fim do ano. Algumas europeias já adotam a estratégia. A Air Canada foi a pioneira. “Finalmente, as aéreas estão pensando no varejo”, diz Peter Belobaba, pesquisador do Centro Internacional para Transporte Aéreo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. “Você pode se adiantar e mostrar aos consumidores diferentes opções com diferentes preços e características.” Dividir a classe econômica é uma grande mudança de estratégia, conduzida em parte pela necessidade de conter as empresas aéreas de baixo custo que já respondem por cerca de 35% do mercado dos EUA. As companhias aéreas também estão ansiosas por elevar a receita através dos preços das passagens, que estão caindo há anos com o avanço das empresas de baixo custo. Nos últimos dois anos, a maioria das empresas aéreas registrou queda na receita operacional calculada com base em cada assento oferecido por quilômetro voado (Rask, na sigla em inglês). A American informou que espera que a segmentação aumente a receita em US$ 1 bilhão por ano. A United já vende pacotes de amenidades depois que as passagens são vendidas, incluindo o despacho de bagagens e assentos com mais espaço. Scott Wilson, diretor de comércio eletrônico e merchandising da United, diz que a empresa está se preparando para expandir as ofertas de tarifas multissegmentadas. Embora as grandes empresas áreas gastem muito dinheiro e energia atraindo clientes da classe executiva, eles são a minoria dos passageiros. A American calcula que 87% de seus clientes são sensíveis ao custo e viajam uma vez por ano ou menos, mas, mesmo assim, geram metade de sua receita. Durante décadas, as companhias aéreas inventaram regras tarifárias complexas para separar os viajantes de lazer dos que viajam a trabalho e pagam mais por fazer reservas com pouca antecedência. Em muitos casos, contudo, um cliente que pagou US$ 200 pela passagem acabava se sentando perto de outro que pagou US$ 800 sem nenhuma distinção no embarque, assento ou serviço de bordo. “Isso criou um tremendo atrito entre os passageiros e a empresa aérea”, diz Jay Sorensen, diretor da consultoria de fidelidade aérea IdeaWorks Co. As aéreas de baixo custo não seguem essas regras. Elas vendem passagens só de ida e têm preços menores que as principais empresas até na última hora. Tentar oferecer preço igual pode diluir a receita das grandes empresas. A Delta informa que o novo modelo de definição de preços das passagens é mais competitivo na briga com as empresas de baixo custo ao mesmo tempo em que dá mais opções aos clientes. A empresa informou no início do mês que a segmentação de tarifas deve gerar US$ 1,5 bilhão em receita adicional em 2018. Só a Comfort+ deve gerar US$ 300 milhões em receita adicional no segundoa semestre deste ano e potencialmente mais com a expansão para rotas internacionais até o fim de 2017. Segundo a Delta, cerca de metade dos passageiros que conhecem a tarifa básica acaba fazendo um “upgrade” para opções mais caras.

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