As 270 maiores companhias de capital aberto brasileiras são responsáveis por 17,9% do PIB no país e geraram R$ 2,1 trilhões em 2024 de valor adicionado. Além disso, são responsáveis por 2,8 milhões de empregos diretos, o que corresponde a uma média de 10.332 empregos por empresa.
“As companhias de capital aberto analisadas pagaram R$ 344,3 bilhões em remuneração direta em 2024; ao dividir pelos 2,8 milhões de empregados, o resultado é de R$ 10.250 por mês, 2,8 vezes maior que a média nacional que é de R$ 3.700/mês pela RAIS”, explica Márcio Holland, coordenador do estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).


Em 2024, as companhias abertas avaliadas transferiram R$ 640 bilhões em impostos, taxas e contribuições, abrangendo tributos federais, estaduais e municipais. Frente a uma arrecadação corporativa total de R$ 2,79 trilhões, essas empresas responderam por 23% do total.
O número de empresas listadas caiu de 579 (1990) para 331 em 2024, queda de 43%. O estudo revela ainda que a capitalização de mercado gira em torno de 30% do PIB, bem abaixo de pares internacionais.
“Essas empresas são a coluna vertebral da economia nacional e o pulmão fiscal e produtivo do país. Fortalecer o mercado de capitais é fortalecer o Brasil. Se o país cresce, todos crescem. Este é o nosso propósito. Somos o fórum onde as grandes empresas se encontram e dialogam para pavimentar este caminho. Precisamos fortalecer nosso ambiente de negócios e construir um país mais competitivo e próspero”, destaca Pablo Cesário, presidente executivo da Abrasca.
A fatia dos governos, do trabalho e do capital
Uma das tabelas apresentadas na pesquisa sobre companhias de capital aberto (tabela 11.1) apresenta, para cada setor, a fração do Valor Adicionado Bruto (VAB) distribuída ao governo (por meio de impostos, taxas e contribuições) e ao pessoal (remunerações e encargos do trabalho).
O residual (100% menos governo e pessoal) corresponde à parcela destinada à remuneração do capital de terceiros e próprio (juros, dividendos/JSCP) e à retenção de lucros. De 14 setores, em apenas três a parcela do capital é inferior ao valor do pessoal.
“A parcela destinada ao capital de terceiros corresponde, principalmente, ao pagamento de juros a instituições financeiras e a despesas com arrendamentos. Já o capital próprio refere-se ao lucro, seja distribuído (como dividendos ou JCP) ou retido pelas empresas”, explicou a FGV ao Monitor Mercantil.
“Esse tipo de análise não mede diretamente a lucratividade, mas revela o padrão de partilha do Valor Adicionado Bruto (VAB). Ele ajuda a entender quanto de cada setor é apropriado pelo governo e pelos trabalhadores e quanto é absorvido para remunerar capital e financiar operações.”
“Por essa lógica, o setor de Transportes apresenta um residual — a parte destinada ao capital — próximo de 60%. Esse percentual é elevado porque o setor depende intensamente de ativos arrendados. É o caso, por exemplo, das companhias aéreas, cujos custos de leasing de aeronaves representam parcela significativa da riqueza gerada.”
“Outro setor com residual elevado é o de Siderurgia e Mineração, representado sobretudo por grandes empresas como a Vale. Nesse caso, a combinação de incentivos tributários vinculados à exportação e de operações altamente intensivas em capital — que exigem vultosos investimentos em máquinas, equipamentos e infraestrutura — faz com que uma fatia substancial do VAB seja direcionada ao pagamento de juros e à remuneração do capital empregado”, finaliza a FGV.


Metodologia da pesquisa sobre companhias de capital aberto
A pesquisa “A relevância das companhias abertas na economia brasileira” foi realizada pela Fundação Ge tulio Vargas, em parceria da FGV Projetos com a Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), encomendada pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).
O ponto de partida da seleção foi o conjunto total de empresas com registro ativo na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – em 2024, conforme os registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esse universo inicial era composto por 372 companhias abertas com ações negociadas em bolsa.
Foram excluídas nove companhias listadas que não apresentaram DVA (Demonstração do Valor Adicionado) no exercício de 2024 na base de dados consultada. Em seguida, foram removidas da base duas companhias listadas que se encontravam inoperantes ou sem atividade operacional relevante no período.
A etapa subsequente envolveu a exclusão de 40 companhias classificadas como holdings puras ou veículos de controle de grupos econômicos. A razão metodológica para essa exclusão reside no risco de dupla contagem de dados consolidados, uma vez que essas entidades frequentemente apresentam atividade operacional própria reduzida, uma vez que reportam, majoritariamente, os resultados de suas controladas.
Adicionalmente, foram excluídas 50 empresas que apresentaram receita bruta inferior a R$ 300 milhões no exercício de 2024. Esse critério econômico tem por objetivo delimitar o escopo analítico ao universo das maiores companhias abertas brasileiras. A escolha do limite de R$ 300 milhões está alinhada com critérios de grande porte definido no Art. 3º da Lei 11.638/2007.
A amostra final do estudo compreendeu 270 companhias abertas, caracterizadas por sua relevância econômica, regularidade nas informações contábeis e representatividade setorial, que se subdivide em 239 empresas com demonstrações consolidadas (representando grupos com múltiplas controladas e atuação em nível nacional ou internacional) e 31 empresas com demonstrações individuais, cuja atuação ocorre de forma isolada e sem estrutura de conglomerado empresarial. Essa divisão permite uma análise diferenciada, respeitando os limites da consolidação e da materialidade contábil, segundo os autores do estudo.

















