Competitividade II

Na contramão do discurso oficial que prega o desmonte da empresa, a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) está defendendo que a estatal aumente sua participação no setor petroquímico. A Aepet recorda que as principais empresas do setor, como Exxon, Mobil e Amoco, participam ativamente da indústria petroquímica, na qual atuam por meio de subsidiárias. Além disso, a própria consultoria Arthur D. Litte – uma das favoritas da direção da Petrobras – aponta, em relatório recente, esse como o melhor caminho para as empresas de petróleo atuarem no setor petroquímico. A Aepet acrescenta que a Petrobras investiu US$ 500 milhões em petroquímica, via Petroquisa, tendo recebido US$ 1,5 bilhão em dividendos e acumulando um patrimônio de US$ 6 bilhões.

Juros
“Acredito que é um erro discutir o ajuste das contas públicas e a sustentabilidade da relação dívida/PIB no Brasil sem discutir as taxas de juros nominal e real da economia brasileira, dado que o dispêndio com juros se sobrepõe a qualquer outro do governo.” A afirmação faz parte de análise do economista Eduardo Freitas, do Unibanco. Ele lembra que entre julho de 1994 e janeiro de 1999 (mês da desvalorização do real), o setor público consolidado pagou R$ 291 bilhões em juros sobre a dívida pública, enquanto no mesmo período conseguiu apresentar um superávit primário de R$ 7 bilhões. “Desde a desvalorização, o Brasil fez um esforço fiscal tremendo e gerou um superávit primário de R$ 45,1 bilhões. E, apesar de ter reduzido sensivelmente as taxas de juros nominal e real, ainda pagou R$ 99,7 bilhões em juros.”
Freitas afirma que parte significativa do resultado primário foi obtida com compressão de despesas das chamadas OCCs, e com receitas excepcionais e adverte: a atual situação fiscal brasileira parece não ser sustentável no médio prazo. “Isto porque não é possível supor que o estado continue, no médio e longo prazo, comprimindo investimentos e despesas em setores como saúde e educação, que fazem parte das OCCs.”
Uma saída seria reduzir a taxa de juros real para 7% a 7,5% ao ano. “Com juros nominais de 11% a 12% ao ano, supondo inflação de 4%, os dispêndios com juros sobre a dívida pública devem recuar sensivelmente, fazendo com que o esforço primário necessário para estabilizar a relação dívida/PIB seja bastante inferior aos atuais 3% do PIB, provavelmente entre 1.0% e 1.5% do PIB”, conclui.

Crédito
Tomou posse a nova diretoria do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil e Factoring do Estado do Rio de Janeiro (Sinfac), que promete viabilizar parcerias para oferecer linhas de crédito ágeis e de baixo custo, sem burocracia. O sindicato conta com 70 associados e a nova diretoria espera expandir para 200 empresas filiadas já em 2001. Uma das metas é atender ao interior do estado, onde o setor vem crescendo. Um evento para debater os rumos do factoring está nos planos do Sinfac para este ano.

Reta final
Apesar de toda a artilharia contra Celso Pitta, o seu padrinho político, Paulo Maluf, periga chegar ao segundo turno das eleições para prefeito de São Paulo. Apesar da inauguração de obras na última hora, é difícil carregar a “mala” Alckmin para concorrer com Marta Suplicy no segundo turno. Menos pelas qualidades ou defeitos do candidato tucano e mais pelos seus “apoios”: os desgastados Covas e FH.

Competitividade
A Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) se opõe ao fechamento de capital da Petroquisa. O fechamento do capital da Petroquisa, ironiza a Aepet, se choca com a recente venda de ações ordinárias da Petrobras e com o discurso do governo pró-minoritários de língua não portuguesa. Caso a operação seja levada adiante, obrigará a Petrobras a desembolsar R$ 80 milhões para comprar ações preferenciais dos minoritários. Além disso, o governo amargaria perdas fiscais e tributárias de aproximadamente R$ 700 milhões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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